Inácio Caetano de Carvalho
| Inácio Caetano de Carvalho | |
|---|---|
| Visconde de Bardez | |
| Visconde de Bardez | |
| Reinado | 26 de abril de 1894 – 15 de setembro de 1907 |
| Antecessor(a) | Título criado |
| Sucessor(a) | Sem descendência |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 5 de setembro de 1843 |
| Morte | 15 de setembro de 1907 |
| Pai | Joaquim Salvador de Carvalho |
| Mãe | Maria Eufregina Carlota de Noronha |
Inácio Caetano Felicíssimo de Carvalho, 1.º Visconde de Bardez (Goa, Goa Norte, Bardez, Camurlim ou Camorlim, 5 de setembro de 1843 — Camorlim, Colvalle, 15 de setembro de 1907), foi um proprietário de extensas terras, advogado, director do jornal Pátria, chefe do Partido Regenerador de Goa e conselheiro e consultor do governo. Foi um goês que se distinguiu pela resistência às arbitrariedades da administração colonial portuguesa.[1][2][3]
Biografia
Ignácio Caetano Felicíssimo de Carvalho, na grafia do tempo, foi um goês católico, filho de Joaquim Salvador de Carvalho e de sua mulher Maria Eufregina Carlota de Noronha.[4] Foi advogado e presidente da Câmara Municipal de Bardez, com sede em Mapuçá.[5][6]
O rei D. Carlos concedeu-lhe o título de 1.º Visconde de Bardez, em duas vidas, por decreto de 26 de abril de 1894, mas não consta ter havido verificação de segunda vida.[7][8]
Foi acusado de ser o "principal instigador e dirigente dos rebeldes" durante a revolta de Goa de 1895-1896,[9] mas defendeu-se num folheto publicado em 1896 em Bombaim, após refugiar-se na Índia Britânica, alegando ter servido apenas de pacificador.[10] Acusou o então capitão Manuel de Oliveira Gomes da Costa, que se distinguiu na repressão da revolta, de ter atiçado o conflito por mera ambição pessoal.[11] De facto, o Visconde de Bardez patrocinou a revolta dos soldados e manteve contactos com os rebeldes ranes, que há muito lutavam contra as autoridades portuguesas.[12]
A revolta dos soldados indianos começara com a recusa de duas centenas de cipaios de etnia marata em integrar um contingente que deveria ser enviado de Goa para Moçambique, por ordem do governo português. O conflito, agravado pela intervenção dos ranes na revolta, terminou com um perdão e amnistia para os revoltosos em 1897.
Referências
- ↑ Leopoldo F. da Rocha, O Visconde de Bardez (1843-1907). Gráfica Imperial, Lisboa, 1983.
- ↑ Leopoldo Cypriano da Gama, Homenagem de justiça em volta do jazigo do Visconde de Bardez Dr. Ignacio Caetano de Carvalho, fallecido em 15 de Setembro de 1907 : memoria lida por occasião ds solemnes e imponenentes exequias feitas pela freguesia de Colvalle no 30º dia do seu decesso. Bastora : Typ. Rangel, 1907.
- ↑ A Sangrenta Revolta de Setembro de 1895 em Goa.
- ↑ Nota genealógica.
- ↑ Leopoldo Rocha, obra citada na Bibliografia.
- ↑ Pratima Kamat, obra citada na Bibliografia, p. 92.
- ↑ Afonso Eduardo Martins Zúquete (dir.), Nobreza de Portugal e do Brasil, Lisboa: Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, 1989, vol. II, p. 401.
- ↑ Carta de mercê de visconde de Bardez.
- ↑ Gomes da Costa, A Revolta de Goa e a Campanha de 1895-1896, Lisboa, Livraria Popular de Francisco Franco, 1939, p. 143.
- ↑ Inácio Caetano de Carvalho, Apontamentos para a historia da revolta em Goa dos soldados, ranes e satarienses em o anno de 1895. Bombay: Nicol's Printing Works, 1896.
- ↑ Visconde de Bardez, obra citada na Bibliografia.
- ↑ Victor Rangel-Ribeiro, «Oral History and a Memoir Shed Light on Goa's Tangled Past: Romeo and Juliet in the Shadow of Empire» in Parts of Asia, Center for Portuguese Studies and Culture, University of Massachusetts Dartmouth, 2010 (ISBN: 978-1-933227-15-3).
Bibliografia
- Visconde de Bardez (Inácio Caetano de Carvalho), Apontamentos para a História da Revolta em Goa dos Soldados, Ranes e Satarienses em o Anno de 1895, Bombaim: Nicol´s Printing Works, 1896 [1].
- Visconde de Vila Nova de Ourém (Elesbão José de Bettencourt Lapa), A Revolta dos Marathas em 1895, Lisboa: Tipographia Mattos Moreira e Pinheiro, 1900.
- [Manuel de Oliveira] Gomes da Costa, A Revolta de Goa e a Campanha de 1895-1896, Lisboa: Livraria Popular de Francisco Franco, 1939 [2].
- Pratima P. Kamat, "Mutiny in the Portuguese Indian Army", Govapuri - Bulletin of the Institute Menezes Braganza, 1999, pp. 69–102 [3].
- Leopoldo F. da Rocha, O Visconde de Bardez (1843-1907), Lisboa: Gráfica Imperial, 1983.
- [José Inácio de Loyola], O Visconde de Contrabando e a Revolta de 1895 em Goa, por um Indo-Portuguez, S.l., s.n., 1896 [4].