Igreja de São João Baptista (Porto de Mós)

Igreja de São João Baptista (Porto de Mós)
Fachada
Informações gerais
Estilo dominanteRomânico, Barroco, Maneirista (ecléctico)
ConstruçãoSéculo XII
Aberto ao públicoSim
Património de Portugal
SIPA1731
Geografia
PaísPortugal
LocalizaçãoPorto de Mós - São João Baptista e São Pedro
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico

A Igreja de São João Baptista, ou Igreja Paroquial de Porto de Mós, é um templo com origens no século XII situado em Porto de Mós, Portugal.

História

A Igreja de São João Baptista possui as suas origens na primitiva construção românica do século XII, da qual conserva o portal. Em 1200, D. Sancho manda reconstruir o castelo (cercado pelos mouros em 1182) e a povoação.

Em 1305, D. Dinis outorga Carta de Foral à vila de Porto de Mós. Em 1574, a igreja pertencia ao padroado real e integrava a Diocese de Lisboa, passando em 1586 a vigaria dos bispos de Leiria (antes era priorado da Ordem de Cristo).

No século XVII, a Igreja de S. João era a mais rica freguesia de Porto de Mós. O Couseiro atribuía, na época, ao pároco de São João o rendimento de 300.000 réis anuais, destinados aos réditos da capela de São Bartolomeu, erecta na mesma igreja, que rendia 16 moios de trigo, 2 porcos, uma marra e uma galinha, como foro de uma propriedade sita no Campo de Santarém.

A torre sineira, executada provavelmente na campanha de obras do princípio do século XVIII, ostenta a data de 1712 inscrita na frontaria, devendo corresponder a um dos restauros. Em 1757, a freguesia contava com 300 fogos.

Serra Frazão, em 1937, e Matos Sequeira, em 1955, referem que a fachada principal da igreja apresentava uma janela de verga recta no local onde hoje se encontra um óculo. Serra Frazão, em 1937, notou também a ausência de vestígios do que outrora existia nas antigas capelas, a substituição do retábulo por outro de menor valor e o aproveitamento do altar-mor da Igreja de São Pedro, apesar de o espaço ser menor e desajustado. Referia ainda a existência de retábulos e quadros nos dois altares colaterais ao arco cruzeiro, representando São Lourenço (epístola) e São Gregório e Santa Maria Madalena (evangelho).

A freguesia da igreja compreendia a Rua Galega, antiga mouraria, e o bairro dos judeus, que ficava mesmo por detrás do templo. Do largo de São João, para norte, desenvolve-se o núcleo histórico da vila, de raiz medieval, que, através de ruelas sinuosas e estreitas, segue uma matriz urbana mediterrânica e conduz ao castelo.

Descrição

Exterior

A Igreja de São João Baptista, situada na parte mais antiga da vila, constitui um templo de planta longitudinal composta por nave única, capela-mor, sacristia e dependências paroquiais. Os volumes articulados na horizontalidade apresentam uma cobertura exterior em telhado diferenciado, de duas águas sobre a nave e capela-mor, e de uma água sobre a sacristia e dependências paroquiais.

A fachada principal, orientada a Ocidente, é de pano único em empena angular rematada por cruz em pedra. Nela se impõe a maciça torre sineira, de grande volume e secção quadrada, quase desproporcional em relação ao edifício. Delimitada por grossos cunhais de cantaria, a torre abre-se no primeiro piso por fresta gradeada e no segundo piso por esguio campanário em cada face. É sobrepujada por quatro pináculos que ornam os cantos do plano onde assenta uma pequena garrida e coruchéu, encimado por cata-vento e cruz em ferro.

Sob o óculo da fachada principal, destaca-se o portal românico, da primitiva construção do século XII, que indicia a maior antiguidade deste templo em relação aos restantes da vila, apesar das várias intervenções posteriores. Este pórtico é de três arcadas plenas inscrito num gablete rematado por florão e ladeando dois motivos envolutados.

A fachada Sul evidencia o avançamento do corpo uniforme da sacristia e dependências paroquiais, aberto alternadamente por três janelas e duas portas, e adossado aos corpos mais altos da capela-mor e nave, esta rasgada por duas janelas gradeadas a nível do segundo piso; as empenas são rectas.

A fachada Este mostra o corpo da capela-mor, delimitado por cunhais de cantaria e aberto por janela recta, rematado em empena angular com cruz de pedra no topo; o corpo da sacristia é cego. A Fachada Norte apresenta embasamento escalonado a nível do corpo da nave, delimitado por dois cunhais pinaculados e aberto por duas janelas gradeadas; o corpo reentrante da capela-mor possui janela da mesma feição; as empenas são rectas.

Interior

O interior é marcado pelo coro-alto de balaustrada, assente em duas colunas de secção quadrada, que se abre para a nave única. Esta apresenta pavimento em madeira e laje com cobertura em tecto de madeira disposto em três planos, e revestimento azulejar a meia-altura. O arco triunfal pleno encimado por pedra de fecho e ladeado por dois altares colaterais abre para a capela-mor em abóbada de berço, com altar em talha dourada de frontão interrompido encimado por dois putti. A iluminação é feita pelo óculo do coro alto, quatro janelas no corpo da nave e outra na capela-mor.

O recheio do templo inclui uma pia baptismal (datada do século XVII ou de finais do século XVI), lavrada em pedra, com a taça modelada em gomos. Merece também destaque uma imagem de vulto em pedra policroma, representando Nossa Senhora da Piedade, datada de princípios do século XVI. Outros elementos interiores são o púlpito, com balcão de planta quadrangular assente em mísula e coroado por baldaquino (Epístola), o arco de volta perfeita rematado por pedra de fecho, com porta gradeada e bandeira rendilhada, que acede ao baptistério, e a porta de verga recta de acesso à torre sineira, sob o coro-alto.[1][2][3]

Galeria

  1. «Igreja de São João». visite.portodemos.pt. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  2. «Igreja de S. João Batista | e-cultura». www.e-cultura.pt. Consultado em 10 de dezembro de 2025 
  3. ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia - Inventário. VI. Portugal: Círculo de Leitores. p. 46