Igreja de São Bartolomeu (Toledo)

| Tipo | |
|---|---|
| Fundação |
século XII |
| Estilo |
Mudéjar architecture (d) |
| Estatuto patrimonial |
| Localização |
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| Coordenadas |
|---|
A Igreja de São Bartolomeu em Toledo, Espanha, é um edifício de alçado da Baixa Idade Média modificado no século XIX para servir como convento de freiras. Preservou elementos da arte mudéjar.
História
Foi incorporada em 1877[1] como igreja conventual ao Mosteiro de Jerónimas de la Reina, quando esta comunidade ocupou o edifício imediato, por doação da imperatriz Eugénia de Montijo. Depois da restauração feita em 1957,[2] serviu como casa sacerdotal e é, atualmente, Seminário Mayor. Apesar das sucessivas adaptações, necessárias para estes usos, mantém-se a estrutura do antigo palácio renascentista, com claros indícios de uma profunda renovação no século XIX, organizado com dependências em torno de um pátio irregular. O palácio e a Igreja estiveram, primitivamente, separados por até 1877, ano em que foram unidos por um muro que se pode ver hoje ao longo da baixada de São Bartolomeu.
Descrição
Torre
A parte mais antiga da Igreja é a torre, agora englobada na nave do Evangelho, mas que na sua origem foi uma construção isenta. Sua condição de medieval foi descoberta em 1940,[3] durante uma campanha de restauração na qual se retirou o revestimento que a cobria. Deriva diretamente do alminar muçulmano, como a de Santiago del Arrabal, com a qual compartilha evidentes semelhanças, tanto na estrutura interior como externamente. Poderia datar da primeira metade do século XIII; mas alguns autores atestam que é mais antiga.
Alçado
Na Igreja se percebem várias reconstruções que modificaram a planta primitiva. A referência mais antiga a ela é de 1145;[3] mas a abside central, que segue um modelo muito próximo ao do Cristo de la Vega o San Vicente, não parece anterior a fins do século XIII. Como esses outros templos, sua estrutura corresponderia a uma igreja de uma só nave, o que se pode comprovar por meio da espessura dos antigos muros exteriores do abside, incorporados no atual presbitério, e aproveitados no fim do século XV, para abrir pequenas capelas.
A ampliação, de uma a três naves, colocava um problema de integração: incorporar as naves ao abside, já construído, problema que se resolveu por meio de dois espaços quadrados, cujos parâmetros exteriores repetem a organização do jogo de arcos do abside central, onde o primeiro piso se compõe de arcos de meio ponto, o segundo e o terceiro de arcos califais. A proximidade da data de construção justificaria a extraordinária semelhança de técnica e tipologia dos arcos, que lhes dão a aparência de serem parte da mesma obra.[4]
A planta das naves é regular e de proporções corretas. As sucessivas reformas modificaram a estrutura mudéjar, eliminando, sucessivamente, os elementos dessa época. Sem embargo, durante sua recente restauração, apareceram dois suportes primitivos, no extremo dos pés do arco do evangelho, que mostram a extraordinária semelhança com os pilares de Santa María la Blanca: são igualmente de forma octogonal, em ladrilho e apresentam o mesmo tipo de imitação dos capitéis, mediante um revestimento de estuque. Em ambos os casos, há coincidências, tanto na organização decorativa, como nas bordas de canto e nos remates.[5]
Capelas
Em fins do século XV se iniciam as obras que modificariam a estrutura primitiva. Na escada do presbitério, aproveitando a espessura dos muros, acomodam-se pequenas capelas funerárias.
Durante a segunda metade do século XVI[5] é concluída a remodelação interior da cabeceira da Epístola, conservando o muro exterior mudéjar. A nova capela, dedicada a Santa Catarina, é atribuída a Nicolás de Vergara "o Moço", por ser parecida com a sacristia do monastério de San Pedro Mártir. Posteriormente,[3] adicionaram-se outras capelas, como a que serviu para sepultar dom Juan Cornejo e sua mulher, dona Felipa de Ortega, situada na cabeceira, e a de Nossa Senhora de Loreto, o do "Lorito", construída segundo condições de Jorge Manuel Teotocópuli, situada aos pés da nave do Evangelho.
A igreja[4][6] continuou sofrendo transformações por conta do passar do tempo, devidas, sempre, ao seu mal estado de conservação, sendo, talvez, a obra de maior envergadura realizada depois do desabamento, em 1870, da nave da torre, que teve de ser completamente refeita.
Referências
- ↑ «Mosteiro dos Jerónimos | www.visitportugal.com». www.visitportugal.com (em inglês). Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ «Iglesia de San Bartolomé - Artectum» (em espanhol). 4 de agosto de 2021. Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ a b c [chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://medievalistas.es/wp-content/uploads/attachments/01168.pdf?utm «LOS LUGARES DE CULTO EN TOLEDO EN LOS SIGLOS MEDIEVALES. IGLESIAS, MEZQUITAS, SINAGOGAS - Acessado em 31 de maio de 2025.»] (PDF)
- ↑ a b «Iglesia de San Bartolomé». Página web de toledo-pintoresca (em espanhol). Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ a b [chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://cultura.castillalamancha.es/sites/default/files/2018-08/DOCM%20DECLARACI%C3%93N_57.pdf?utm «O Portal de Cultura de Castilla-La Mancha menciona essas descobertas e destaca a importância da preservação desses elementos arquitetônicos. Acessado em 31 de maio de 2015.»] (PDF)
- ↑ «La Iglesia de San Bartolomé / TOLEDO OLVIDADO». La Iglesia de San Bartolomé / TOLEDO OLVIDADO. 12 de junho de 2010. Consultado em 31 de maio de 2025