Igreja Paroquial de Santo Estêvão

 Nota: Para consultar outras igrejas com a mesma designação, veja Igreja de Santo Estevão.
Igreja de Santo Estevão
Vista da igreja, em 2015.
Informações gerais
TipoIgreja
Estilo dominanteBarroco e Manuelino
ConstruçãoSéculo XVI
ReligiãoIgreja Católica Romana
DioceseDiocese de Beja
Ano de consagraçãoSanto Estevão
Património de Portugal
DGPC6302880
SIPA35516
Geografia
PaísPortugal Portugal
LocalizaçãoOdivelas
Coordenadas🌍
Localização do edifício em mapa dinâmico

A Igreja Paroquial de Santo Estevão, igualmente conhecida como Igreja de Santo Estêvão de Odivelas, Igreja Matriz de Odivelas e originalmente como Ermida de Santo Estêvão, é um edifício religioso na aldeia de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo, em Portugal.[1][2]

Descrição

Este edíficio está situado junto ao Largo da Igreja, no topo de uma colina sobranceira à Ribeira de Odivelas.[3] A igreja está virada para ocidente.[3] A ábside apresenta uma forma quadrangular, com um varandim protegido nos ângulos por torrinhas cilíndricas e coruchéus.[3] Na zona frontal encontra-se uma galilé com a mesma largura do edifício, de três arcos, um frontal de vão largo e dois laterais de menores dimensões,[4] sendo as aberturas de forma irregular em alvenaria de caio.[4] Na frente tem um frontão triangular simples.[3]

A torre da igreja, de planta quadrada,[4] está situada no lado meridional do edifício, ao lado da parede frontal, sendo encimada por uma cúpula bulbosa e acrotérios ladeados de urnas.[3] As fachadas são rasgadas por janelas em fresta, rematadas por arcos redondos.[4] Insere-se no estilo barroco.[4] A igreja tem uma só nave,[4] que originalmente contava com dois altares laterais em inseridos em edículas junto ao presbitério, e uma capela baptismal situada perto do Evangelho,[3] tendo estes elementos sido eliminados durante trabalhos de renovação,[4] nos finais da década de 1960.[4] A capela-mor poderá ser ainda um vestígio do santuário original, e tem uma cobertura em abóbada de nervuras redondas de um só tramo, suportadas por mísulas poligonais, uma das quais merece um especial destaque por ter esculpido um rosto humano.[4] A abóbada chegou a estar pintada de forma a simular um céu estrelado, e no centro ergue-se um fecho ornamentado com figuras vegetais.[4] No interior destaca-se igualmente a pia baptismal, do século XVI, e que consiste numa bacia oitavada com gomos esculpidos, estando situada no lado da Epístola.[4] De especial interesse também é a imaginária da igreja, que inclui estátuas removidas dos antigos altares, retratando a Nossa Senhora do Rosário, o padroeiro, Santo Estêvão, e o Cristo Crucificado.[4] Outro possível vestígio da igreja original poderão ser os contrafortes cilíndricos nos cantos da ábside, que demonstram a influência manuelina.[4]

História

O templo original terá sido construído nos princípios do século XVI, como se pode constatar pelos poucos elementos que sobreviveram,[4] tendo sido instalado pela Ordem de Santiago da Espada,[3] que se tornou responsável pela administração do território de Ferreira do Alentejo após a reconquista cristã.[4] Durante o período do rei D. João III, ainda no século XVI, o edifício foi descrito apenas como uma ermida, de construção muito pobre em «pedra e barro», com marcos antigos» a demarcar o adro, destacando-se apenas a cobertura em abóbada da capela-mor, que estava «pintada de estrelas».[4] Estes marcos poderiam ser elementos pétreos de origem romana, que deixaram uma forte presença na região, devido principalmnente à passagem pela estrada imperial de Antonino Pio.[4] Com efeito, André de Resende refere que no local existia um marco miliário do século II.[4]

A igreja foi muito atingida pelo Sismo de 1755, tendo caído a nave e a torre sineira, que foram depois reconstruídos,[4] embora a torre tenha sido modificada.[3] Esta foi uma das várias intervenções pelas quais passou a igreja ao longo da sua história, que levaram a profundas alterações na estrutura original.[4] Na década de 1960, foram feitas obras no interior da igreja, onde foi alterada a decoração, e demolidos os altares laterais e a capela baptismal.[3] Do templo original apenas restou a ábside, o que se pode comprovar pelas torrinhas, do estilo típico do período de transição entre o Manuelino e Renascença.[3]

Em 11 de Dezembro de 2002, a igreja foi classificada como Imóvel de Interesse Municipal pela Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, decisão que foi publicada no Aviso n.º 7515/2003, de 1 de Setembro.[5] Porém, esta medida foi revertida pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, que considerou que a autarquia não possuía as competências necessárias para tal.[4]

Ver também

Referências

  1. «Odivelas». Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo. Consultado em 5 de Fevereiro de 2019 
  2. SARAMAGO, 2007:562
  3. a b c d e f g h i j «Igreja de Santo Estevão em Odivelas». Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo. Consultado em 8 de Fevereiro de 2019 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u «Igreja Paroquial de Santo Estêvão». Pesquisa de Património Imóvel. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 1 de Julho de 2023 
  5. PORTUGAL. Aviso n.º 7515/2003 de 1 de Setembro de 2003. Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo. Publicado no Apêndice n.º 147 do Diário da República n.º 225, II Série, de 29 de Setembro de 2003.

Bibliografia

  • SARAMAGO, Alfredo (2007). Livro-Guia do Alentejo. Lisboa: Assírio e Alvim. 727 páginas. ISBN 978-972-37-1290-2 

Ligações externas