Igreja Congregacional Unida da África Austral
| Igreja Congregacional Unida da África Austral | |
| Classificação | Protestantismo |
|---|---|
| Orientação | Reformada |
| Teologia | Calvinismo |
| Política | Congregacionalismo |
| Associações | Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, Conselho Mundial de Igrejas, Conselho para Missão Mundial, Conselho Consultivo Ecumênico dos Discípulos, Fraternidade Congregacional Internacional |
| Área geográfica | África do Sul, Botsuana, Moçambique, Namíbia, Zimbábue |
| Origem | 1967 (59 anos) Durban, África do Sul |
| Unida a(o) | União Congregacional da África do Sul, Igreja Congregacional Bantu e missões da Sociedade Missionária de Londres |
| Congregações | 1.000 |
| Membros | 1.500.000 |
| Site oficial | uccsadenomination |
A Igreja Congregacional Unida da África Austral (em inglês: United Congregational Church of Southern Africa – UCCSA) é uma denominação protestante, de tradição reformada e governo congregacional, presente em cinco países da África Austral: África do Sul, Botsuana, Moçambique, Namíbia e Zimbábue.
Fundada em 1967, a igreja reúne heranças missionárias da Sociedade Missionária de Londres (SML), da União Congregacional da África do Sul e da Conselho Americano de Comissários para Missões Estrangeiras (CACME).[1][2]
História
As origens da UCCSA remontam à chegada da Sociedade Missionária de Londres (SML) à Cidade do Cabo em 1799.[2]
Missionários como Johannes van der Kemp e Robert Moffat expandiram a atuação da missão para áreas remotas, estabelecendo congregações em regiões que hoje correspondem à África do Sul, Namíbia, Botsuana e Zimbábue.[2][1][3][4]
O Conselho Americano de Comissários para Missões Estrangeiras (CACME), dos EUA, por sua vez, iniciou suas atividades em Moçambique e Natal em 1835, a convite da SML.
Em 1859, após a retirada da SML do Cabo, foi formada a União Congregacional da África do Sul, unindo igrejas congregacionais de língua inglesa. Em paralelo, desenvolveu-se também a Igreja Congregacional Bantu, composta por congregações africanas ligadas à CACME.
Em 1967, essas missões e denominações se uniram, na cidade de Durban, formando a atual Igreja Congregacional Unida da África Austral.[2]
Posteriormente, a denominação também absorveu a Associação da África do Sul dos Discípulos de Cristo, em 1972.[1]
Desde sua formação, a UCCSA expandiu-se de forma consolidada em cinco países. Na África do Sul, estabeleceu forte presença urbana e rural. Em Botsuana, a denominação possui mais de 50 congregações e continua ativa no campo educacional e social.[1]
Em Moçambique, missionários congregacionais chegaram a Inhambane na década de 1880, com a UCCSA organizando-se no país após a independência, atuando hoje nas províncias de Inhambane, Gaza e Maputo.[5] No Zimbábue, onde a SML havia plantado várias igrejas, a UCCSA manteve seu trabalho, atuando também no campo educacional e na promoção da justiça social.[6]
Em Namíbia, a igreja se estabeleceu inicialmente entre populações como os hererós e damaras, com o Sínodo nacional sendo organizado em 1982.[7]
Sendo assim, até 1990, a denominação já tinha um sínodo nacional em cada um dos seguintes países: África do Sul, Botsuana, Moçambique, Namíbia e Zimbábue.
Em 1996, segundo o Censo da África do Sul, havia 429.868 congregacionais no país.
Em 2001, outro Censo relatou haver 508.825. Desde então, nenhum outro Censo relatou o número de membros de cada denominação no país.[8]
Em 2022, a denominação votou por iniciar o processo de adesão da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) como um sínodo nacional e aprovou iniciar missões no Malawi.[9] Todavia, a IECA não concluiu o processo de adesão.[10]
Em 2024, segundo estatísticas da própria denominação, tinha cerca de 1,5 milhões de membros, em mais de 1.000 congregações, em 7 países.[11]
Educação e ação social
Historicamente, a UCCSA e suas igrejas predecessoras estiveram envolvidas com a educação e a saúde, sendo fundadoras de escolas, internatos e hospitais, especialmente antes das políticas segregacionistas de educação na África do Sul. Um exemplo duradouro é o Inanda Seminary, escola para meninas fundada em 1869 e ainda ativa.
A igreja também se envolveu fortemente na luta contra o apartheid e na promoção da reconciliação pós-independência nos diferentes países onde atua.[3]
Doutrina e estrutura
A UCCSA adota uma eclesiologia de tipo congregacional, na qual cada igreja local é autônoma em seus assuntos internos, embora todas estejam ligadas por meio de uma estrutura cooperativa de sínodos regionais e assembleias nacionais. Sua teologia é de orientação reformada, centrada na autoridade das Escrituras e no sacerdócio de todos os crentes.
A denominação permite a ordenação de mulheres desde 1934.[12]
Em 25 de outubro de 2018, a denominação passou a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.[13]
A Assembleia Geral da UCCSA se reúne a cada dois anos e conta com representantes de todos os cinco países membros.
Ecumenismo
A denominação participa de diversos organismos ecumênicos, incluindo o Conselho Mundial de Igrejas[3], a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas [14], Conselho para Missão Mundial, Conselho Consultivo Ecumênico dos Discípulos[15] e Fraternidade Congregacional Internacional.[16]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d «United Congregational Church of Southern Africa». Reformiert Online (em inglês). Consultado em 5 de março de 2006. Arquivado do original em 5 de março de 2006
- ↑ a b c d Bernard Spong (2006). Sticking Around. [S.l.]: Cluster Publications. p. 34. ISBN 9781875053599
- ↑ a b c «United Congregational Church of Southern Africa». Conselho Mundial de Igrejas (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «United Congregational Church of Southern Africa – Global Ministries» (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «UCCSA Mozambique Synod». Global Ministries (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «Reformed Churches – Religion in Zimbabwe». Religion in Zimbabwe (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «United Congregational Church of Southern Africa – Namibia Synod». Reformiert Online (em inglês). Consultado em 12 de agosto de 2007. Arquivado do original em 12 de agosto de 2007
- ↑ «"Table: Census 2001 by province, gender, religion recode (derived) and population group"». Consultado em 30 de novembro de 2006. Arquivado do original em 30 de novembro de 2006
- ↑ «Igreja Congregacional Unida da África Austral provavelmente mudará de nome». 2022. Consultado em 20 de abril de 2025
- ↑ Xolani Maseko (2024). «Church Unity or Ecumenism: The Perspective of the United Congregational Church of Southern Africa1967–2022». University of Pretoria. ISSN 2412-4265. Consultado em 20 de abril de 2025
- ↑ «Igreja Congregacional Unida da África Austral». Consultado em 20 de abril de 2025
- ↑ Elisabet Le Roux, Elna Mouton, H. Jurgens Hendriks, L. D Hansen (2012). Men in the Pulpit, Women in the Pew?. Addressing Gender Inequality in Africa. [S.l.]: Sun Press. p. 26. ISBN 9781920338770
- ↑ «Igreja Congregacional Unida da África da África Austral vota para confirmar o casamento entre pessoas do mesmo sexo». 30 de outubro de 2018. Consultado em 21 de abril de 2025
- ↑ «World Communion of Reformed Churches: Members» (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2025
- ↑ «Conselho Consultivo Ecumênico dos Discípulos». Consultado em 18 de dezembro de 2024
- ↑ «Membros da Fraternidade Congregacional Internacional». Consultado em 2 de maio de 2025