Ideação homicida

Ideação homicida
EspecialidadePsiquiatria, psicologia clínica, medicina de emergência
Classificação e recursos externos
CID-11MB26.3
CID-10CM2025.R45
CID-9V62.85
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Ideação homicida é um termo médico comum para pensamentos sobre homicídio. Existe uma gama de pensamentos homicidas que varia de vagos e passageiros a planos detalhados e totalmente formulados sem o ato em si.[1] A maioria das pessoas que têm ideação homicida não comete homicídio. 50–91% das pessoas entrevistadas em campi universitários em vários locais dos Estados Unidos admitem ter tido uma fantasia homicida.[2] A ideação homicida representa 10–17% dos atendimentos a pacientes em instituições psiquiátricas nos Estados Unidos.[1] A ideação homicida não é um transtorno ou doença em si, mas pode resultar de outros transtornos e doenças, como delirium e psicose . A psicose, que representa 89% das internações com ideação homicida em um estudo nos EUA,[3] inclui a psicose induzida por substâncias (por exemplo, psicose por anfetaminas ) e as psicoses relacionadas ao transtorno esquizofreniforme e à esquizofrenia . O delirium é frequentemente causado por abuso de drogas ou secundário a doenças clínicas gerais.

Pode surgir em associação com transtornos de personalidade ou pode ocorrer em pessoas que não apresentam nenhuma doença detectável. De fato, pesquisas demostraram que a maioria das pessoas já teve fantasias homicidas em algum momento da vida.[2] Muitas teorias acadêmicas foram propostas para explicar isso.[2][4]

Diagnóstico

Fatores de risco de violência

Existem muitos fatores de risco associados, incluindo histórico de violência, pensamentos de cometer danos, baixo controle de impulsos e incapacidade de adiar a gratificação.[1]

Psicopatologia associada

Pessoas com ideação homicida apresentam maior risco de outras psicopatologias do que a população em geral. Dentre elas, estão inclusas a ideação suicida, a psicose, o delírio ou intoxicação por uso de substâncias.[5]

A ideação homicida pode surgir em relação a condições comportamentais como transtornos de personalidade (particularmente transtorno de conduta, transtorno de personalidade narcisista e transtorno de personalidade antissocial). Um estudo na Finlândia mostrou um risco maior de violência em indivíduos com transtorno de personalidade antissocial, cujo quadro é mais comum do que o risco de violência em pessoas comesquizofrenia.[6] O mesmo estudo também revela que muitos outros transtornos mentais não estão associados a um risco aumentado de violência, entre os quais se destacam: depressão, transtornos de ansiedade (seja a comum, social ou generalizada) e a deficiência intelectual.

A ideação homicida pode surgir em indivíduos que, de outra forma, são clinicamente saudáveis,[1] como demonstra o fato de que a grande maioria das pessoas na população em geral já teve fantasias homicidas. Quando se buscam fatores desencadeadores relacionados a fantasias homicidas, a maioria parece estar ligada de alguma forma à ruptura de um relacionamento amoroso. Ciúme ou vingança, ganância ou luxúria ou mesmo medo e autodefesa provocam pensamentos e até ações homicidas na maioria dos casos.[7] Em uma minoria de casos, homicídios e atos de violência podem estar relacionados a transtornos mentais. Esses homicídios e fantasias não parecem ter os mesmos gatilhos subjacentes que os de pessoas sem transtorno mental, mas quando esses fatores desencadeadores estão presentes, o risco de violência é maior do que o normal.[8]

Pessoas que apresentam ideação homicida também têm um risco maior de suicídio, bem como sua ideação e outros comportamentos autodestrutivos. Isso demonstra a necessidade de uma avaliação do risco de suicídio em pessoas com pensamentos de violência contra outros.[1]

Ideação homicida espúria e fictícia

Às vezes, pessoas que alegam ter ideação homicida não têm realmente pensamentos homicidas, mas apenas afirmam tê-los. Elas podem fazer isso por uma variedade de razões, por exemplo, para chamar a atenção, para coagir uma ou mais pessoas a favor ou contra alguma ação, ou para evitar obrigações sociais ou legais (às vezes, conseguindo internação em um hospital), o que pode estar ligado à simulação ou transtorno factício .[9]

Teorias

Diversas teorias foram propostas para explicar o fenômeno da ideação homicida ou o próprio homicídio .[4] Muitas dessas teorias parecem se sobrepor. Frequentemente, elas não são mutuamente exclusivas. Atualmente, nenhuma teoria isolada explica todos os fenômenos observados no homicídio, embora muitas teorias contribuam para explicar diversas áreas. A maioria dessas teorias segue o raciocínio de teorias estudadas na criminologia . Segue uma breve sinopse de teorias específicas para homicídio.

Adaptação de homicídio

Esta é a mais recente das teorias evolucionistas. Ela afirma explicar a maioria dos fenômenos associados ao homicídio. Declara que os humanos evoluíram com adaptações que permitem pensar e/ou planejar homicídios. Elabora-se a ideia como uma possível resposta para problemas recorrentes (ameaça a si próprios, ao parceiro ou aos recursos) e incluímos uma série de processos de pensamento relativos ao assassino e à vítima (grau de parentesco, status relativo, gênero, valores reprodutivos, tamanho e força das famílias, aliados e recursos) e os custos potenciais de se utilizar uma estratégia de punição tão severa quanto o homicídio. Se o homicídio for considerado a melhor estratégia de solução, então ele pode ser funcional.[2][7]

Hipótese do subproduto ("deslize")

De acordo com essa hipótese, o homicídio é considerado um erro ou uma reação exagerada, um subproduto/comportamento anormal. Os mecanismos psicológicos normais para o controle da propriedade, do parceiro ou da segurança pessoal podem não ser suficientes em certas circunstâncias estressantes, e mecanismos anormais se desenvolvem. Expressões particularmente extremas disso podem ocorrer, levando à premeditação, ou ao homicídio propriamente dito, onde, em um estado normal, o perpetrador não se reagiria dessa maneira.[4]

Gerenciamento

Não há muita informação disponível sobre o manejo de pacientes com ideações homicidas. Nos países ocidentais, o cuidado dessas pessoas fica a cargo da polícia e do sistema de saúde. Há um consenso geral de que indivíduos com essas ideações e que apresentam alto risco de concretizá-los devem ser reconhecidas como necessitados de cuidados médicos. Devem ser levadas rapidamente a um local onde possam ser avaliadas e qualquer transtorno médico ou mental subjacente seja tratado; priorizando-se o tratamento médico à punição criminal.[10]

Referências

  1. a b c d e Thienhaus, Ole J.; Piasecki, Melissa (1 de setembro de 1998). «Emergency Psychiatry : Assessment of Psychiatric Patients' Risk of Violence Toward Others». Psychiatric Services. 49 (9): 1129–1147. PMID 9735952. doi:10.1176/ps.49.9.1129 
  2. a b c d Duntley, Joshua D (agosto de 2005). HOMICIDAL IDEATIONS (PDF). Col: PhD Dissertation. [S.l.]: University of Texas. Consultado em 14 de abril de 2008. Cópia arquivada (PDF) em 4 de julho de 2009 
  3. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801 
  4. a b c Carruthers, Peter; Laurence, Stephen; Stich, Stephen (2005). The Innate Mind: Structure and Contents. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-517967-5 
  5. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801 
  6. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801 
  7. a b Buss, David (2005). The Murderer Next DoorRegisto grátis requerido. 10. [S.l.]: Penguin Group. pp. 320–335. ISBN 978-1-59420-043-4. doi:10.1177/1088767906292645 
  8. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801 
  9. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801 
  10. Stern, Theodore F; Schwartz, Jonathon H; Cremens, M Cornelia; Mulley, Albert G (agosto de 2005). «The evaluation of homicidal patients by psychiatric residents in the emergency room: A pilot study». Psychiatric Quarterly (em inglês). 62 (4): 333–344. PMID 1809982. doi:10.1007/BF01958801