Quarta Internacional (1993)

A IV Internacional (1993), também conhecida IV Internacional (La Verité) ou Centro para a Reconstrução da Internacional - IV Internacional (CRI-QI), é uma organização trotskista que se reclama continuadora da Quarta Internacional fundada em 1938, num subúrbio de Paris, tendo como principal dirigente Leon Trótski.[1]

Em 1953, a Quarta Internacional sofreu uma forte crise, devido à política defendida por um de seus principais dirigentes, Michel Pablo. Segundo ele - que teve depois como sucessor Ernest Mandel - a luta de classes e a revolução socialista não estavam mais na ordem do dia. Os Estados operários e o stalinismo, num processo que levaria séculos de transição, fariam a revolução "a sua maneira". Uma forte crise iniciou-se no seio da Quarta Internacional, uma vez que sua seção francesa, o Partido Comunista Internacionalista (PCI), negou-se a adotar a política de Michel Pablo, a qual conduzia as seções da Internacional a diluírem-se nos Partidos Comunistas dos diversos países, naquilo que foi chamado de política do entrismo sui generis.[2]

Desde 1953 o PCI passou a combater pela reconstrução da Quarta Internacional, que após as manobras do pablismo dispersou-se em diversas organizações e dissidências trotskistas. O Partido Comunista Internacionalista, que depois de alguns anos passou a chamar-se Corrente Comunista Internacionalista, constituiu, internacionalmente, o Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional (CERQUI).[2]

Em 1993, após um longo debate, que pretensamente teria superado a crise dos anos 50, que destruiu a Internacional como organização mundialmente centralizada, a Quarta Internacional foi reproclamada por alguns grupos. Seu principal dirigente atualmente é Daniel Gluckstein, após a morte de Pierre Lambert, que por mais de 60 anos militou nas fileiras trotskistas. A organização participa também do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AcIT). No entanto, persiste entre diversos agrupamentos do mundo a reivindicação de "verdadeiros representantes" do legado de Leon Trotsky.[3]

No Brasil, atua no interior do Partido dos Trabalhadores, com o nome "Corrente O Trabalho" (OT).[4] Seus principais dirigentes são: Misa Boito, Markus Sokol e Júlio Turra - também membros do Diretório Nacional do PT. A oranização trotskista edita o jornal O Trabalho, a mais antiga publicação operária em circulação no país (desde 1978). Dentro do partido, a OT estimula o Diálogo e Ação Petista (DAP), um agrupamento de petistas fundado em 2008 que busca o retorno do PT a suas origens.[5]

Em Portugal, é representada pelo Partido Operário de Unidade Socialista.[6]

Ver também

Referências

  1. «Quarta Internacional». Anarquia | Anarquista | Anarquismo - Ⓐnarquista.net. 6 de junho de 2013. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  2. a b Siqueira, Sandra M. M.; Pereira, Francisco (2010). «Marx Atual. Textos sobre a vigência do marxismo e a luta socialista na contemporaneidade» (PDF). Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia: LeMarx. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  3. «A Tragédia do Lambertismo». www.diarioliberdade.org. 9 de dezembro de 2011. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  4. «Quem somos». O Trabalho. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  5. https://petista.org.br/quem-somos/
  6. Lusa (22 de dezembro de 2020). «POUS, partido trotskista, foi extinto pelo Tribunal Constitucional». PÚBLICO. Consultado em 3 de dezembro de 2025 

Ligações externas