Iáia ibne Ibraim Aljudali

Iáia ibne Ibraim Aljudali
Líder do movimento almorávida
Reinado1038-1048
Antecessor(a)Tarsina
Sucessor(a)Iáia ibne Omar Alantuni
Dados pessoais

Iáia ibne Ibraim Aljudali (em árabe: يحيى بن إبراهيم; romaniz.: Yaḥyā ibn Ibrāhīm; m. 1048) foi um chefe dos judalas, uma das tribos sanajas do planalto de Adrar, na atual Mauritânia. Realizou o haje (peregrinação) a Meca e no retorno trouxe consigo um missionário, Abedalá ibne Iacine, que ativamente buscou converter os sanajas. Ambos foram responsáveis pelo início do movimento almorávida e Iáia foi nomeado seu primeiro emir. Com sua morte, foi sucedido por seu sobrinho Iáia ibne Omar Alantuni.

Vida

As origens de Iáia são incertas, salvo que pertencia aos judalas, uma das tribos da confederação dos sanajas. Desde a morte de Tarsina, assumiu a condução dos sanajas frente aos riscos impostos pelos reinos negros do Sudão.[1] Possivelmente deixando a condução dos assuntos tribais a seu filho Ibraim ibne Iáia, em 1035/6, realizou uma peregrinação (haje) a Meca com companheiros seus e no retorno, passando pelo Egito fatímida, chegou à Ifríquia zírida em 1038, onde estacionou em Cairuão.[2][3] Ali, assistiu às lições do doutor maliquita Abu Inrane Alfaci, cujo ensino atraiu um grande número de discípulos ifriquianos, sicilianos, marroquinos e andalusinos. Ciente de sua ignorância religiosa e a superficialidade do islamismo praticado pelos sanajas, Iáia pediu a Abu Inrane que permitisse a um de seus discípulos, o acompanhasse através do deserto.[4][5]

Alfaci não encontrou ninguém disposto a viver no deserto e sugeriu que Iáia se encontrasse com seu antigo pupilo Uagague ibne Zalu Alanti, que residia em Malus, um território dependente dos magrauas de Segelmeça, e havia fundado em sua terra natal a chamada Casa dos Marabutos (Dār al-Murābiṭīn), em Aglu, destinada a colher estudantes. Iáia encontrou-se com Uagague portando uma carta de recomendação de seu antigo mestre. Uagague, então, escolheu seu discípulo Abedalá ibne Iacine para a tarefa.[4][5] A colaboração de Abedalá e Iáia foi central à fundação do movimento almorávida,[6] com Iáia sendo nomeado o primeiro emir do movimento. Por 10 anos, protegeu a ação missionária de ibne Iacine entre os sanajas até sua eventual morte em 1048.[7][8] Foi sucedido por seu sobrinho Iáia ibne Omar Alantuni.[9]

Referências

  1. Vilá & López 1998, p. 48.
  2. Vilá & López 1998, p. 49-50.
  3. Hrbek & Devisse 2010, p. 403.
  4. a b Lagardère 1989, p. 45-46.
  5. a b Vilá & López 1998, p. 49-51.
  6. Hrbek & Devisse 2010, p. 397.
  7. Hrbek & Devisse 2010, p. 404.
  8. Deverdun 1986, p. 654.
  9. Baers 2022, p. 36.

Bibliografia

  • Baers, Michael (2022). A History of the Western Sahara Conflict: The Paper Desert. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholar Publishing 
  • Deverdun, G. (1986). «al-Lamtuni, Abu Bakr B. Umar b. Taglagin al-Sanhadji». In: Bosworth, C. E.; Donzel E. van; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam New Edition - Vol. V: Khe-Mahi. Leida: Brill 
  • Hrbek, Ivan; Devisse, Jean (2010). «Capítulo XIII. Os almorávidas». História Geral da África. Vol. III: África do século VII ao XI. São Carlos e Paris: UNESCO e Universidade Federal de São Carlos 
  • Lagardère, Vincent (1989). Les Almoravides: Jusqu'au Règne de Yūsuf B. Tāšfīn (1039-1106). Paris: Editions L'Hatmattan 
  • Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516