Hypotheses non fingo

Na história da física, hypotheses non fingo (Latim para “eu não forjo hipóteses” ou “eu não engendro hipóteses”) é uma frase usada por Isaac Newton no ensaio General Scholium, anexado à segunda edição de Philosophiae Naturalis Principia Mathematica em 1713.

Observação original

Uma tradução de 1999 do Principia apresenta o comentário de Newton da seguinte forma:

Até o momento, não fui capaz de descobrir a razão dessas propriedades da gravidade a partir dos fenômenos, e não forjo hipóteses. Pois tudo o que não é deduzido dos fenômenos deve ser chamado de hipótese; e hipóteses, sejam elas metafísicas ou físicas, ou baseadas em qualidades ocultas, ou mecânicas, não têm lugar na filosofia experimental. Nesta filosofia, proposições particulares são inferidas a partir dos fenômenos e, posteriormente, transformadas em gerais por indução.[1]

Comentários

O filósofo da ciência do século XIX William Whewell qualificou essa declaração, dizendo que “foi por meio desse uso de hipóteses que tanto o próprio Newton quanto Kepler, em cujas descobertas as de Newton se basearam, fizeram suas descobertas”. Whewell declarou:

O que é necessário é que a hipótese esteja próxima dos fatos, e não conectada a eles por outros fatos arbitrários e não testados; e que o filósofo esteja preparado para abandoná-la assim que os fatos se recusem a confirmá-la.[2]

Posteriormente, Imre Lakatos afirmou que tal abandono não deve ser feito com demasiada pressa.


Referências

  1. Isaac Newton (1726). Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, General Scholium. Third edition, page 943 of I. Bernard Cohen and Anne Whitman's 1999 translation, University of California Press ISBN 0-520-08817-4, 974 pages.
  2. Whewell, William (1840). The Philosophy of the Inductive Sciences. [S.l.]: London. p. 438