Hukou

Hukou (em chinês: 户口; literalmente: "indivíduo doméstico") é um sistema de registro doméstico usado na República Popular da China (RPC) para, principalmente, controlar a migração em áreas urbanas, restringindo acesso da população rural a serviços públicos e incentivando a permanência nas áreas de origem.[1][2][3] O sistema em si é mais propriamente chamado de huji (em chinês: 户籍; literalmente: "origem doméstica") e teve origem na China Antiga. Um registro familiar identifica oficialmente uma pessoa como residente permanente de uma área e inclui informações de identificação, como nome, pais, cônjuge e data de nascimento. O hukou também pode se referir a um registo familiar em muitos contextos, sendo que o registo doméstico é emitido por família e, geralmente, inclui nascimento, morte, casamentos, divórcios e movimentos de todos os membros de uma família.

O sistema descende, em parte, dos antigos sistemas chineses de registro doméstico. O hukou também influenciou sistemas semelhantes dentro das estruturas de administração pública de demais países asiáticos como Japão (koseki), Coreia do Sul (hoju) e Vietnã (hộ khẩu).[4][5][6] Na Coreia do Sul, o sistema haju foi abolido em janeiro de 2008.[7] Embora não tendo origens relacionadas, o propiska na União Soviética e registro de residentes na Rússia tinha um propósito semelhante e serviu como modelo para o hukou da RPC atual.[8][9]

Devido à sua conexão com programas sociais do governo, que atribui benefícios com base no status de residência agrícola (rural) e não agrícola (urbano), o hukou é às vezes comparado a uma forma de sistema de castas.[10][11][12] Tem sido a fonte de muita desigualdade ao longo das décadas desde o estabelecimento da RPC em 1949, como os residentes urbanos já tendo recebido benefícios que variavam de aposentadorias à educação e cuidados médicos, enquanto os cidadãos rurais foram muitas vezes deixados para cuidar de si mesmos.[13][14][15] Desde 1978, o governo central empreendeu pequenas reformas do sistema em resposta a protestos e a um sistema econômico em mudança.[15][16][17]

Referências

  1. S, Trishala. «HUKOU SYSTEM IN CHINA». orcasia.org (em inglês). Consultado em 4 de junho de 2025 
  2. «Is China finally getting serious about hukou reform? | Lowy Institute». Lowy Institute (em inglês). 7 de setembro de 2023. Consultado em 4 de junho de 2025 
  3. Lu, Chen; Chen, Jian; Li, Jiewei; Wang, Xuetong (14 de janeiro de 2025). «How urban welfare affects the hukou selection of rural migrants that belong to dual-hukou families in china». Comparative Migration Studies (em inglês) (1). 4 páginas. ISSN 2214-594X. doi:10.1186/s40878-025-00422-6. Consultado em 4 de junho de 2025 
  4. Liu, Laura Blythe (2016). Teacher Educator International Professional Development as Ren (em inglês). [S.l.]: Springer. 37 páginas. ISBN 978-3662516485 
  5. Miller, Tom (2012). China's Urban Billion: The Story behind the Biggest Migration in Human History (em inglês). [S.l.]: Bloomsbury Academic. ISBN 978-1780321417 
  6. Kroeber, Arthur R. (2016). China's Economy: What Everyone Needs to Know? (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. pp. 73–75. ISBN 978-0190239039 
  7. Koh, Eunkang (2008). «Gender issues and Confucian scriptures: Is Confucianism incompatible with gender equality in South Korea?». Bulletin of the School of Oriental and African Studies, University of London (em inglês). 71 (2): 345–362. JSTOR 40378774. doi:10.1017/s0041977x08000578 
  8. Liu, Li; Kuang, Lei (5 de novembro de 2012). Denson, Tom, ed. «Discrimination against Rural-to-Urban Migrants: The Role of the Hukou System in China». PLOS. PLOS ONE (em inglês). 7 (11): e46932. Bibcode:2012PLoSO...746932K. PMC 3489849Acessível livremente. PMID 23144794. doi:10.1371/journal.pone.0046932Acessível livremente 
  9. Guo, Zhonghua; Guo, Sujian (15 de outubro de 2015). Theorizing Chinese Citizenship (em inglês). [S.l.]: Lexington Books. 104 páginas. ISBN 978-1498516693 
  10. Perry, Elizabeth J.; Selden, Mark (14 de abril de 2010). Chinese Society: Change, Conflict and Resistance (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 90. ISBN 9780415560740 
  11. Bell, Daniel A. (2008). China's New Confucianism: Politics and Everyday Life in a Changing Society (em inglês). [S.l.]: Princeton University Press. p. 86 
  12. Markova, Ivana; Gillespie, Alex (1 de dezembro de 2007). Trust and Distrust: Sociocultural perspectives (em inglês). [S.l.]: IAP. Consultado em 4 de junho de 2025 
  13. Young, Jason (3 de junho de 2013). «2». China's hukou system : markets, migrants and institutional change (em inglês). Basingstoke: [s.n.] ISBN 9781137277305. OCLC 847140377 
  14. L., Wallace, Jeremy (2014). Cities and stability : urbanization, redistribution, & regime survival in China (em inglês). New York: [s.n.] ISBN 9780199378982. OCLC 871534491 
  15. a b «How a Mao-era system creates second-class citizens in modern China» (em inglês). 27 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2024 
  16. Lu, Rachel (31 de julho de 2014). «China Is Ending Its 'Apartheid.' Here's Why No One Is Happy About It». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 4 de junho de 2025 
  17. Sheehan, Spencer (22 de fevereiro de 2017). «China's Hukou Reforms and the Urbanization Challenge». The Diplomat (em inglês). Consultado em 4 de junho de 2025