Hugh Whistler
Hugh Whistler (28 de setembro de 1889 – 7 de julho de 1943), F.Z.S., M.B.O.U., foi um policial e ornitólogo inglês que atuou na Índia. É conhecido por ter escrito um dos primeiros guias de campo sobre as aves indianas e por documentar a distribuição das aves em anotações publicadas em diversos periódicos científicos, além de ter descrito novas subespécies.[1][2]
Vida e carreira
Hugh Whistler foi o primogênito do major Fuller Whistler, do regimento Highland Light Infantry, e de Gwenllian Annie (nascida Robinson), tendo nascido em Mablethorpe [en] em 1889. Era primo do major-general Alwyne Michael Webster Whistler [en] e sobrinho de Charles Whistler [en]. Foi educado na Escola Aldenham [en]. Seu irmão mais novo, Ralfe Allen Fuller Whistler (24 de julho de 1895 – 28 de abril de 1917), seguiu a carreira do pai e ingressou no Highland Light Infantry, enquanto Hugh passou a servir na polícia da Índia, atuando principalmente na região de Panjabe.[3]
Whistler serviu na Índia de dezembro de 1909 a abril de 1926. Inicialmente, foi designado para Phillaur, mas posteriormente atuou em várias áreas de Panjabe, incluindo distritos como Jhang, considerados pouco desejados. Também serviu em outras regiões, como os contrafortes do Himalaia no distrito de Kangra [en] e no alto Himalaia, no distrito de Lahaul e Spiti. Passou a trocar correspondências com Claud B. Ticehurst [en] e, durante uma licença na Inglaterra em 1910, visitou Grove House, em Lowestoft, onde foi introduzido à ornitologia científica. Em todos os locais onde esteve, demonstrou grande interesse pela avifauna local, mantendo registros detalhados e formando coleções. Em 1924, retornou à Inglaterra e realizou uma viagem à Espanha com Ticehurst.[4]
Em 2 de outubro de 1925, Whistler casou-se com Margaret Joan Ashton (1893–1981), filha de Thomas Ashton e de Eva Margaret James, que viviam próximo à residência da família Whistler, em Battle. Faleceu em 7 de julho de 1943, deixando dois filhos, Benedicta e Ralfe.[2][5][6]
Ornitologia
Whistler estudou e coletou aves em todas as regiões da Índia onde esteve lotado. Após se aposentar e retornar à Inglaterra, continuou suas pesquisas sobre a ornitologia indiana. Publicou extensivamente no Journal of the Bombay Natural History Society, apresentando observações sobre ocorrência e distribuição de variações geográficas de plumagem. Produziu uma introdução em dez partes ao estudo das aves da Índia. Também realizou expedições de coleta à Espanha, Albânia, Itália e Argélia, frequentemente acompanhado por Claud B. Ticehurst. Por volta de 1925, Walter Samuel Millard [en], Sir George Lowndes [en] e F. J. Mitchell elaboraram um plano para produzir um guia ilustrado das aves da Índia para iniciantes. Whistler foi convidado a colaborar na redação da obra, que acabou sendo publicada em 1928 com o título Popular Handbook of Indian Birds. Posteriormente, foram lançadas quatro edições adicionais, sendo a última publicada após sua morte.[2][7] Nessa obra, Whistler antecipou a importância da popularização da ornitologia baseada na observação:
Já passou o tempo em que era necessário coletar grandes séries de peles e ovos na Índia. Coletas gerais suficientes já foram realizadas; agora é preciso concentrar esforços no preenchimento das lacunas do nosso conhecimento. Aqueles que desejam contribuir devem primeiro familiarizar-se com o que já foi feito e compreender o que ainda resta a ser realizado. Em algumas espécies, a distribuição das diferentes raças ainda precisa ser esclarecida, o que implica coletas cuidadosas em áreas específicas. Em outras, ainda são desconhecidas as mudanças de plumagem, exigindo espécimes coletados em determinadas épocas do ano. Há também espécies cujas plumagens de filhotes ainda não são conhecidas. Contudo, a maior necessidade de todas é a obtenção de observações precisas sobre estado de conservação e migração. Nisso, todos podem ajudar. Mantenha registros completos por um ano sobre as aves de sua localidade, anotando quais são residentes, os períodos de chegada e partida, bem como a abundância relativa das espécies migratórias, e você terá feito uma contribuição para a ornitologia que, na medida de sua precisão e abrangência, auxiliará todos os demais pesquisadores.
Durante sua aposentadoria, Whistler viveu em Battle, East Sussex, onde atuou como juiz de paz. Em 1928, realizou uma viagem à Índia como convidado do almirante Hubert Lynes [en], com o objetivo de estudar as aves da Caxemira. Lynes foi posteriormente chamado de volta à Inglaterra, mas insistiu para que Whistler e Bertram Beresford Osmaston [en] concluíssem o levantamento ornitológico. Whistler ingressou na British Ornithologists' Union em 1913 e, em 1940, atuou como seu vice-presidente. Pretendia produzir um estudo abrangente sobre as aves de Panjabe e da Caxemira, projeto que não chegou a ser concluído. Além da ornitologia, interessava-se por cães de caça, criação de faisões, falcoaria e era um antiquário. Durante algum tempo, esteve envolvido na preservação do Castelo de Bodiam.[2] Era reconhecido como um observador extremamente cuidadoso e crítico, destacado por sua “capacidade de atenção minuciosa”.[1]
Whistler demonstrava ceticismo em relação a George Bristow [en] e às suas observações, que mais tarde se tornariam célebres no escândalo conhecido como Hastings Rarities [en].[8] Também criticou a coleta de ovos motivada pelo comércio, mencionando práticas inescrupulosas relatadas por um correspondente nas colinas de Khasi. Alertou ainda que ovos provenientes de Assão ou Siquim deveriam ser tratados com cautela pelos oólogos. Esse posicionamento gerou uma resposta de Edward Charles Stuart Baker.[9][10]
Diversas subespécies de aves foram nomeadas em sua homenagem, inclusive por Ticehurst, Delacour e Stresemann. A felosa-dourada-do-alto [en], originalmente descrita como Seicercus burkii whistleri, é atualmente considerada uma espécie plena, Seicercus whistleri. O Prêmio Whistler da Universidade de Sussex, concedido ao melhor ensaio sobre história natural ou arqueologia, recebeu esse nome em homenagem a ele. Sua coleção de 17.320 peles de aves foi doada ao Museu de História Natural de Londres por sua esposa em 1949.[11]
Obras
Uma lista parcial das obras de Whistler inclui:
- Whistler, H (1916). «Notes on the birds of the Jhelum District of the Punjab with notes on the collection by Claud Ticehurst». Ibis: 35–118. doi:10.1111/j.1474-919X.1916.tb07842.x
- Whistler, Hugh (1919). «Wagtails at roost (30 March 1919)». Bird Notes. 2 (6): 101–103
- Whistler, Hugh (1919). «The Norfolk Plover in India». 2 (7): 164–166
- Whistler, Hugh (1949). Popular Handbook of Indian Birds 4 ed. [S.l.]: Gurney and Jackson (Edição 3 (1941))
- Whistler, H. (1944). The Avifaunal Survey of Ceylon conducted jointly by the British and Colombo Museums. Spolia Zeylanica, 23, p. 119–321 (póstumo).
- Whistler, H. (1924). In the high Himalayas. London: H.F. & G. Witherby
Referências
- ↑ a b Anon. (1943). «Obituary». Nature. 152 (3851): 210–211. doi:10.1038/152210a0
- ↑ a b c d Kinnear, NB (1943). «Obituary». Ibis. 85 (4): 524–532. doi:10.1111/j.1474-919X.1943.tb03867.x
- ↑ «The King's School Canterbury. Roll of Honour.». Consultado em 5 de junho de 2015
- ↑ Kinnear, Norman B. (1944). «Obituary: Hugh Whistler». Journal of the Bombay Natural History Society. 44: 289–290
- ↑ Charles Mosley, ed. (1999). Burke's Peerage and Baronetage, 106th edition. 1. [S.l.]: Crans, Switzerland: Burke's Peerage (Genealogical Books) Ltd. p. 122
- ↑ Palmer, T. S. (1947). «Obituary» (PDF). Auk. 64 (4): 661. JSTOR 4080761. doi:10.2307/4080761
- ↑ Ali, S (1941). The Book of Indian Birds 1 ed. Bombay: Bombay Natural History Society. p. iii
- ↑ «British Ornithologists' Union 1858–2008». Ibis. 150 (4): 859–864. 2008. doi:10.1111/j.1474-919X.2008.00874.x
- ↑ Whistler, Hugh (2008). «Native-taken Eggs». Ibis. 77 (1): 241–244. doi:10.1111/j.1474-919X.1935.tb05394.x
- ↑ Baker, ECS (1935). «Native-taken eggs». Ibis. 77 (2): 475–483. doi:10.1111/j.1474-919X.1935.tb02983.x
- ↑ Anonymous (1950). «Current Notes». Ibis. 92 (2): 341. doi:10.1111/j.1474-919X.1950.tb01757.x