Hospital de São Bernardo
| Hospital de São Bernardo | |
|---|---|
| Unidade Local de Saúde da Arrábida | |
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| Localização | São Sebastião, Setúbal, |
| Fundação | 9 de maio de 1959 |
| Sistema de saúde | Serviço Nacional de Saúde (SNS) |
| Tipo | Entidade Pública Empresarial |
| Rede hospitalar | Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULS Arrábida) |
| Urgências | Sim |
| Leitos | 340 camas de Internamento |
| Site | ulsa.min-saude.pt/ |
O Hospital de São Bernardo (HSB), é um hospital geral e polivalente que integra desde 2024 a Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULS Arrábida), que por sua vez pertence ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).[1][2]
O HSB fica localizado na freguesia de São Sebastião, em Setúbal, e foi inaugurado a 9 de maio de 1959.[3][4][5][6]
O seu nome homenageia São Bernardo de Claraval, e foi sugerida em memória da convalescença de Bernard, filho falecido do mecenas e industrial químico belga Antoine Velge (SAPEC), benemérito que custeou a construção do hospital. A aceitação ministerial da oferta da SAPEC para financiar a construção do hospital e a aquisição do equipamento hospitalar foi autorizada pelo Decreto-Lei n.º 39472, de 19 de dezembro de 1953.[3][4][5][7][8][9][10]
História
A história do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, inscreve-se numa continuidade assistencial muito anterior ao próprio edifício atual. Na cidade, a institucionalização do cuidado hospitalar está ligada ao aparecimento das Misericórdias no início do século XVI, sendo que o primeiro hospital em Setúbal foi construído em 1553, no atual Largo da Misericórdia. Já no século XIX, em 1888, o hospital transfere-se para o antigo Convento de Jesus, passando a funcionar como Hospital do Espírito Santo da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, num contexto em que as necessidades assistenciais sanitárias cresciam e as instalações iam sendo repensadas.[3][4][5][7][8][9][10]
É precisamente a insuficiência das estruturas sanitárias existentes face ao aumento da população e às exigências de uma resposta mais abrangente que ajuda a explicar a génese deste novo hospital. Em 1953, surge a decisão de construir um Hospital Regional de Setúbal, um projeto com ambição claramente modernizadora, pensado para concentrar e ampliar serviços (assistência médica e cirúrgica, urgência e especialidades), mantendo-se a Misericórdia com um papel central na gestão, enquanto o Estado asseguraria a dotação de meios. O empreendimento ganhou impulso graças ao contributo do mecenas e industrial químico belga Antoine Velge (SAPEC), associado a uma oferta de 4.000 contos para o arranque da obra e à própria designação associada a São Bernardo de Claraval, nome sugerido pelo próprio benemérito como homenagem ao seu filho mais velho, Bernard (Bernardo), procurando perpetuar essa memória, que se liga a um episódio de convalescença em Portugal e, posteriormente, à recordação de um filho já falecido. A aceitação formal dessa oferta ficou consagrada no Decreto-Lei n.º 39 472, de 19 de dezembro de 1953, promulgado pelo Presidente da República Francisco Higino Craveiro Lopes e assinado pelo Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar e pelos ministros do Governo então em funções. A construção avança no terreno a partir de 1955 e a inauguração ocorre a 9 de maio de 1959, com a transferência do pessoal e dos doentes do antigo hospital para as novas instalações. As fontes locais assinalam também o investimento global (17.500 contos) e a melhoria da capacidade de resposta, visível no aumento das consultas externas nos anos imediatos.[3][4][5][7][8][9][10]
Nas décadas seguintes, o Hospital de São Bernardo consolida-se como eixo estruturante dos cuidados de saúde do distrito de Setúbal, da Estremadura, atravessando transformações internas e institucionais. A memória do mecenato associado à sua criação permanece, por exemplo, na cerimónia de colocação, em outubro de 1971, de um busto de Antoine Velge na entrada principal do Hospital, e a evolução política do país reflete-se nos modelos de governação após 1974, com novas formas de direção e gestão. Mais tarde, já no quadro das reformas organizacionais do SNS, o hospital passa por uma fase de empresarialização (referida como transformação em Sociedade Anónima em 11 de dezembro de 2002) e, no plano da rede hospitalar local, concretiza-se a criação do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E., por integração ou fusão do Hospital de São Bernardo com o Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão, processo enquadrado pelo Decreto-Lei n.º 233/2005, de 29 de dezembro.[3][4][5][7][8][9][10]
No ciclo mais recente de reorganização do sistema, o Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E. é reestruturado no âmbito da criação das novas Unidades Locais de Saúde: a ULS da Arrábida, E.P.E. é criada pelo Decreto-Lei n.º 102/2023, de 7 de novembro, com integração do Agrupamento de Centros de Saúde da Arrábida, reforçando um modelo de governação que procura articular, sob a mesma entidade, cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários no mesmo território.[3][4][5][7][8][9][10]
Assistência sanitária
Área de influência
Diretamente serve a população dos seguintes concelhos do distrito de Setúbal, na Estremadura:[11][2]
Ligações externas
Referências
- ↑ (ULS da Arrábida), Unidade Local de Saúde da Arrábida. «Hospital de São Bernardo»
- ↑ a b «Unidade Local de Saúde da Arrábida, E.P.E.». bicsp.min-saude.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f «O hospital de São Bernardo em Setúbal — União de Freguesias de Setúbal». www.uf-setubal.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f «Hospital de São Bernardo celebra 64 anos ao serviço da população - O Setubalense». 10 de maio de 2023. Consultado em 8 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f ULS da Arrábida. «Hospital de São Bernardo»
- ↑ Sebastião, Junta de Freguesia de São. «Hospital de S. Bernardo». Junta de Freguesia de São Sebastião. Consultado em 8 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e Decreto-Lei n.º 39472, de 19 de dezembro
- ↑ a b c d e Diário do Governo n.º 281/1953, Série I de 1953-12-19
- ↑ a b c d e Decreto-Lei n.º 233/2005
- ↑ a b c d e Decreto-Lei n.º 102/2023
- ↑ «ARS Lisboa e Vale do Tejo». bicsp.min-saude.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2026
