Homeopatia veterinária

A homeopatia veterinária é um sistema pseudocientífico de medicina veterinária alternativa. O uso da homeopatia como tratamento para animais remonta ao início da homeopatia.[1] O uso da homeopatia na indústria da agricultura orgânica é fortemente promovido.[2] Dado que os efeitos da homeopatia em humanos são devidos ao efeito placebo e aos aspectos de aconselhamento da consulta, tais tratamentos são ainda menos eficazes em animais.[3] Estudos também descobriram que dar placebos a animais pode desempenhar um papel ativo em influenciar os donos de animais de estimação a acreditar na eficácia do tratamento quando ela não existe.[4] Isso significa que os animais que recebem "remédios" homeopáticos continuarão a sofrer, resultando em preocupações com o bem-estar animal.[5][6] Poucas pesquisas existentes sobre o assunto têm um padrão científico suficientemente alto para fornecer dados confiáveis ​​sobre eficácia.[4][7][8] Uma revisão de 2016 de artigos revisados ​​por pares de 1981 a 2014 por cientistas da Universidade de Kassel, Alemanha, concluiu que não há evidências suficientes para apoiar a homeopatia como um tratamento eficaz de doenças infecciosas em gado.[9]

Introdução

A Homeopatia (do grego ὅμοιος + πάθος transliterado hómoios - + páthos = "semelhante" + "doença") é uma forma de terapia alternativa pseudocientífica desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann(1755-1843), quando em 1796 publica a sua primeira dissertação. Baseia-se no princípio similia similibus curantur (do latim: "semelhante pelo semelhante se cura"), ou seja, o suposto tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável.[10][11] A homeopatia reconhece os sintomas como uma reação contra a doença. A doença seria uma perturbação da "energia vital" e a homeopatia provocaria o restabelecimento do equilíbrio.[10][11] O processo homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático doses extremamente diluídas de compostos que são tidos como causas em pessoas saudáveis dos sintomas que pretendem contrariar, mas supostamente potencializados através de técnicas de diluição, dinamização e sucussão que liberariam energia.[11] Supostamente, o sistema de cura natural da pessoa seria estimulado a estabelecer uma reação de restauração da saúde por suas próprias forças, de dentro para fora.[12] Este processo seria para a pessoa como um todo e não somente para a doença.[11][13][14]

Pesquisas científicas têm mostrado que os remédios homeopáticos não são eficazes[15] e seu mecanismo de funcionamento é implausível.[16][17][18][19] Há consenso na comunidade médica e científica internacional de que a homeopatia é uma pseudociência[20][21][22][23] e charlatanismo.[24] Embora alguns estudos individuais aleguem resultados positivos e sugiram maiores estudos,[25][26] numerosos estudos indicam sistematicamente que homeopatia não é mais efetiva que o placebo.[16][17][27][28] O uso da homeopatia na indústria da agricultura orgânica é fortemente promovido.[2] Dado que os efeitos da homeopatia em humanos são devidos ao efeito placebo e aos aspectos de aconselhamento da consulta, tais tratamentos são ainda menos eficazes em animais.[3] Estudos também descobriram que dar placebos a animais pode desempenhar um papel ativo em influenciar os donos de animais de estimação a acreditar na eficácia do tratamento quando ela não existe.[4] Isso significa que os animais que recebem "remédios" homeopáticos continuarão a sofrer, resultando em preocupações com o bem-estar animal.[5][6] Poucas pesquisas existentes sobre o assunto têm um padrão científico suficientemente alto para fornecer dados confiáveis ​​sobre eficácia.[4][7][8] Uma revisão de 2016 de artigos revisados ​​por pares de 1981 a 2014 por cientistas da Universidade de Kassel, Alemanha, concluiu que não há evidências suficientes para apoiar a homeopatia como um tratamento eficaz de doenças infecciosas em gado.[9]

Profissionais homeopatas afirmam que a homeopatia pode ser utilizada para tratar um número surpreendente de condições tanto em grandes, quanto em pequenos animais. Entre elas, traumatismos e lesões agudas; como por exemplo, entorses, concussões e picadas de insetos, condições inflamatórias, tais como diarreia aguda e crônica, gengivite crônica, condição respiratória aguda e crônica, e outras condições que podem ou não ser sensível a terapias convencionais. A conduta do profissional homeopata é a de individualizar o paciente, entendendo que se deve curar o doente e não a patologia propriamente dita.[carece de fontes?]

No Brasil

A homeopatia é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) no Brasil. O CFMV regulamenta o exercício profissional e a concessão de títulos de especialista na área. A homeopatia foi a primeira especialidade da medicina veterinária a ser reconhecida no Brasil pelo CFMV, em 1993.[29]A disciplina de homeopatia veterinária é oferecida optativamente nos cursos de graduação em medicina veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e na Universidade de São Paulo (USP).[30]

Na maioria dos estados brasileiros as clínicas de pequenos animais (cães e gatos) oferecem atendimento homeopático.[carece de fontes?] No campo, principalmente as fazendas certificadas para produção orgânica,[2] utilizam amplamente os medicamentos homeopáticos e muitos zoológicos adotam a homeopatia como recurso terapêutico.

Ver também

Referências

  1. Saxton, John (janeiro de 2007). «The diversity of veterinary homeopathy». Homeopathy (em inglês) (1). 3 páginas. doi:10.1016/j.homp.2006.11.010. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  2. a b c Doehring, C.; Sundrum, A. (dezembro de 2016). «Efficacy of homeopathy in livestock according to peer‐reviewed publications from 1981 to 2014». Veterinary Record (em inglês) (24): 628–628. ISSN 0042-4900. PMC 5256414Acessível livremente. PMID 27956476. doi:10.1136/vr.103779. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  3. a b Lees, P.; Pelligand, L.; Whiting, M.; Chambers, D.; Toutain, P‐L.; Whitehead, M. L. (agosto de 2017). «Comparison of veterinary drugs and veterinary homeopathy: part 2». Veterinary Record (em inglês) (8): 198–207. ISSN 0042-4900. PMC 5738588Acessível livremente. PMID 28821700. doi:10.1136/vr.104279. Consultado em 7 de outubro de 2025. Na medicina humana, pode haver espaço para os aspetos de aconselhamento/psicoterapêuticos das consultas homeopáticas e os efeitos placebo gerados pelos produtos homeopáticos em pacientes que acreditam nesses tratamentos, mas na medicina veterinária é improvável que esses fatores beneficiem os pacientes, e o uso de produtos homeopáticos na medicina veterinária é contrário às melhores evidências, irracional e inconsistente com o conhecimento científico e médico atual. 
  4. a b c d Hektoen, L. (agosto de 2005). «Review of the current involvement of homeopathy in veterinary practice and research». Veterinary Record (em inglês) (8): 224–229. ISSN 0042-4900. doi:10.1136/vr.157.8.224. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  5. a b Lees, P.; Pelligand, L.; Whiting, M.; Chambers, D.; Toutain, P‐L.; Whitehead, M. L. (agosto de 2017). «Comparison of veterinary drugs and veterinary homeopathy: part 1». Veterinary Record (em inglês) (7): 170–176. ISSN 0042-4900. PMC 5738587Acessível livremente. PMID 28801498. doi:10.1136/vr.104278. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  6. a b Whitehead, Martin; Lees, Peter; Toutain, Pierre-Louis (novembro de 2018). «Veterinary homeopathy regulation in the UK – A cause for concern». Regulatory Rapporteur. 15: 21–25. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  7. a b Mathie, Robert T.; Clausen, Jürgen (outubro de 2014). «Veterinary homeopathy: systematic review of medical conditions studied by randomised placebo‐controlled trials». Veterinary Record (em inglês) (15): 373–381. ISSN 0042-4900. doi:10.1136/vr.101767. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  8. a b Mathie, Robert T; Clausen, Jürgen (dezembro de 2015). «Veterinary homeopathy: Systematic review of medical conditions studied by randomised trials controlled by other than placebo». BMC Veterinary Research (em inglês) (1). ISSN 1746-6148. PMC 4570221Acessível livremente. PMID 26371366. doi:10.1186/s12917-015-0542-2. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  9. a b Doehring, C.; Sundrum, A. (dezembro de 2016). «Efficacy of homeopathy in livestock according to peer‐reviewed publications from 1981 to 2014». Veterinary Record (em inglês) (24): 628–628. ISSN 0042-4900. PMC 5256414Acessível livremente. PMID 27956476. doi:10.1136/vr.103779. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  10. a b Hahnemann, Samuel (1833). The Homœopathic Medical Doctrine, or "Organon of the Healing Art". Traduzido por Charles H. Devrient, Esq. Dublin: W.F. Wakeman. pp. iii, 48–49. "Observation, reflection, and experience have unfolded to me that the best and true method of cure is founded on the principle, similia similibus curentur. To cure in a mild, prompt, safe, and durable manner, it is necessary to choose in each case a medicine that will excite an affection similar (ὅμοιος πάθος) to that against which it is employed."
  11. a b c d BONTEMPO, Márcio. Medicina natural: homeopatia e radiestesia. Nova Cultural, 1992.
  12. ULLMAN, Dana.Homeopatia - Medicina para o Século XXI. São Paulo:Cultrix, 1988.
  13. Anvisa. FAQ - Medicamentos Homeopáticos. Acesso em 15 de janeiro de 2012
  14. Isto É. A homeopatia hoje. Acesso em 15 de janeiro de 2012
  15. «Paul Glasziou: Still no evidence for homeopathy». British Medical Journal Blogs. 2016. Consultado em 24 de fevereiro de 2016
  16. a b Ernst, E. (2002), «A systematic review of systematic reviews of homeopathy», British Journal of Clinical Pharmacology, 54 (6): 577–82, PMC 1874503Acessível livremente, PMID 12492603, doi:10.1046/j.1365-2125.2002.01699.x
  17. a b UK Parliamentary Committee Science and Technology Committee - "Evidence Check 2: Homeopathy"
  18. Shang, Aijing; Huwiler-Müntener, Karin; Nartey, Linda; Jüni, Peter; Dörig, Stephan; Sterne, Jonathan AC; Pewsner, Daniel; Egger, Matthias (2005), «Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy», The Lancet, 366 (9487): 726–732, PMID 16125589, doi:10.1016/S0140-6736(05)67177-2
  19. «"Homeopathy: An Introduction" a NCAAM webpage»
  20. The Lancet (2007). «Benefits and risks of homoeopathy». The Lancet
  21. BBC (2005). «Homoeopathy's benefit questioned». BBC NEWS
  22. Projeto OKCHAM (2002). «PSEUDOCIÊNCIA - Homeopatia». Projeto OKCHAM
  23. USP. «Ciencia e Pseudociencia» (PDF). USP
  24. Wahlberg, A (2007), «A quackery with a difference—New medical pluralism and the problem of 'dangerous practitioners' in the United Kingdom», Social Science & Medicine, 65 (11): 2307–16, PMID 17719708, doi:10.1016/j.socscimed.2007.07.024
  25. «Treatment of Acute Childhood Diarrhea With Homeopathic Medicine: A Randomized Clinical Trial in Nicaragua». Pediatrics. 1994. Consultado em 15 de janeiro de 2012
  26. «Homeopathic treatment of acute otitis media in children: a preliminary randomized placebo-controlled trial». The pediatric Infectious Disease Journal. Consultado em 15 de janeiro de 2012
  27. «Homeopathy - Issues». National Health Service. Consultado em 30 de julho de 2009. Cópia arquivada em 13 de maio de 2010
  28. Altunç U, Pittler MH, Ernst E (2007), «Homeopathy for childhood and adolescence ailments: systematic review of randomized clinical trials», Mayo Clin Proc, 82 (1): 69–75, PMID 17285788, doi:10.4065/82.1.69, "However, homeopathy is not totally devoid of risks ... it may delay effective treatment or diagnosis."
  29. «Homeopatia é primeira especialidade da Medicina Veterinária». Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba. Consultado em 7 de outubro de 2025 
  30. Oliveira, Clarice Vaz de (2016). «A presença da homeopatia nas faculdades de Medicina Veterinária do Brasil» (PDF). Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal