Histiotus alienus
Histiotus alienus
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
| Menos Preocupante (LC) (ICMBio (2018)) | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Histiotus alienus Thomas, 1916 | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||

O Histiotus alienus é uma espécie de morcego da família Vespertilionidae. Endêmico do Sul do Brasil, pertencem ao gênero Histiotus e são da ordem Chiroptera[1][2] , conhecido apenas por raríssimos registros no sul do Brasil. A espécie foi descrita pela primeira vez em 1916, em Santa Catarina, e somente um século depois um segundo exemplar foi encontrado no Paraná, onde passou a integrar a lista oficial de mamíferos do estado.
O H. alienus foi categorizada como Menos Preocupante (LC), apesar de sua raridade.
Acredita-se que habite áreas florestais de maior altitude, semelhante a outros representantes do gênero Histiotus, que são predominantemente insetívoros.
Sua morfologia é distinta dentro do gênero, com orelhas triangulares e separadas, pelagem dorsal avermelhada e base escura, além de características cranianas que o diferenciam de espécies próximas como H. magellanicus e H. colombiae. A raridade extrema torna Histiotus alienus uma prioridade para pesquisas e ações de conservação.
Distribuição geográfica
A primeira descrição da espécie Histiotus alienus é de 1916 em Santa Catarina, feita por um naturalista inglês - Michael Rogers Oldfield Thomas. Um segundo espécime foi encontrado em 2018, no Paraná, mais de cem anos após o primeiro. Essa espécie está associada à Mata Atlântica, que se encontra altamente fragmentada devido à ocupação histórica do solo e atualmente sofre pressão das atividades agrícolas. Apesar disso, um novo registo de H. alienus em Palmas ocorre numa área protegida, o que indica que pelo menos uma população da espécie poderá estar protegida.[3]
O Histiotus alienus também distribui-se pelo Uruguai e o leste da Argentina. Sua distribuição no Uruguai foi recentemente contestada.[4]
Descrição Morfológica
As orelhas em formato de vela são a principal característica do gênero Histiotus. Outra, é o corpo coberto por pelos amarronzados. Entre as características que chamam a atenção no Histiotus alienus estão as orelhas, que são menores do que a dos morcegos do gênero, além de triangulares e conectadas por uma membrana. O nome “Alienus” vem de “estranho”. Ele também tem pelos avermelhados e compridos no dorso, enquanto as costas são cobertas por pelos escuros.[5]
O morcego Histiotus alienus, apresenta uma pelagem macia, é marrom-escura na parte superior, com pelos individuais pretos na base e fulvos na ponta; ventralmente, as bases dos pelos são marrom-escuras e as pontas são amareladas. Todas as membranas e orelhas são marrom-escuras. As orelhas, esparsamente cobertas por pelos brancos, são bem separadas e sem qualquer vestígio de faixa de conexão. Em média, as orelhas são proporcionalmente mais longas do que largas, e o trago é bem desenvolvido, largo na base e muito estreito na ponta, com quase metade do comprimento da orelha.[6]
O crânio e os dentes são semelhantes aos de outras espécies do gênero Histiotus.
A fórmula dentária de Histiotus alienus é I 2/3, C 1/1, P 1/2, M 3/3 (×2) = 32. I[7]
A caixa craniana é bem desenvolvida. O rostro inclina-se ligeiramente para cima a partir da caixa craniana, com um sulco medial perceptível, as cristas sagital e lambdoide são pouco desenvolvidas e os arcos zigomáticos convergem acentuadamente para a frente e o ponto médio do jugal, que possui um processo pós-orbital triangular bem desenvolvido. O palato, ligeiramente côncavo centralmente com um espinho caudal bem desenvolvido, estende-se bem além do último molar superior. O processo coronoide da mandíbula é triangular, o processo condiloide é arredondado e ligeiramente acima da dentição, e o processo articular é longo, robusto e estende-se além do processo condiloide.[8]
Possuem cerca de 12 centímetros da cabeça aos pés e podem pesar aproximadamente entre 10 e 15 gramas.[9]
Ecologia e comportamento social
A maioria dos autores considera esta espécie válida, mas ela também foi tratada como uma subespécie de H. montanus ou como parte de H. macrotus, e seu status taxonômico ainda é incerto. Exceto pela breve descrição morfológica e pouco mais de uma dúzia de medidas disponíveis na descrição original de H. alienus, o conhecimento sobre esta espécie é limitado, sendo imprescindível uma diagnose mais completa e comparações com seus congêneres. Sendo assim, a participação ecológica e comportamento social dessa espécie é incerta devido a sua raridade de se encontrar pela natureza, como já mencionado anteriormente.
No entanto, Histiotus alienus assemelha-se mais a H. colombiae, H. magellanicus e H. velatus, dos quais pode ser diferenciado com base em uma série de características.[7]
Sabe-se que os morcegos do gênero Histiotus são insetívoros (comem insetos), e habitam boa parte da América do Sul, locais tão diferentes quanto florestas e montanhas, então, suspeitam que o Histiotus alienus também seja insetívoro.
Conservação da espécie
Não são conhecidas ameaças que indiquem risco de extinção em um futuro próximo. Assim, é pouco provável que esteja experimentando um declínio rápido o suficiente para qualificar a sua inclusão em qualquer uma das categorias de ameaça. Por estas razões, H. alienus foi categorizada como Menos Preocupante (LC). Sabe-se que é são bem raros de se encontrar, e que seus dados são escassos.[10][4]
Referências
- ↑ GONZALEZ, E.; BARQUEZ, R. 2016 (ed.). «Histiotus alienus». IUCN Red List. Consultado em 22 de novembro de 2023
- ↑ SIMMONS, N.B. (2005). Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference Vol.1. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 312-529. ISBN 978-08-018-8221-0
- ↑ «Espécie rara de morcego é reencontrada no Brasil após mais de um século sem registros». 21 de novembro de 2023. Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ a b «Histiotus alienusThomas, 1916 - SALVE | ICMBio». salve.icmbio.gov.br. 30 de novembro de 2018. Consultado em 20 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2025
- ↑ BROPP, CAMILLE (ed.). «Espécie rara de morcego é reencontrada no Brasil após mais de um século sem registros». Ciência UFPR. Consultado em 22 de novembro de 2023
- ↑ Osgood, Wilfred Hudson (1943). (Philippi 1866; Osgood 1943; Barquez et al. 1999); (Philippi 1866; Barquez 1987; Barquez et al. 1999; Barquez e Díaz 2009; Díaz et al. 2011; Giménez et al. 2012). Chicago :: Field Museum of Natural History,. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ a b «Rediscovery of Histiotus alienus Thomas, 1916 a century after its description (Chiroptera, Vespertilionidae): distribution extension and redescription». Zookeys
- ↑ «Rediscovery of Histiotusalienus Thomas, 1916 a century after its description (Chiroptera, Vespertilionidae): distribution extension and redescription». pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- ↑ «ESPÉCIE RARA DE MORCEGO É REENCONTRADA NO BRASIL APÓS MAIS DE UM SÉCULO SEM REGISTROS. Portal UFPR Ciência, Curitiba, [data de publicação completa].». ciencia.ufpr.br. 21 de novembro de 2023. Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ «Histiotus alienus». iucnredlist.org. 2016. Consultado em 13 de novembro de 2025
