Hidrovia Tietê-Paraná

Hidrovia Tietê-Paraná[1] é uma via de navegação situada entre as regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, que permite a navegação e consequentemente o transporte de cargas e de passageiros ao longo dos rios Paraná e Tietê. Um sistema de eclusas viabiliza a passagem pelos desníveis das muitas represas existentes nos dois rios. Possui uma extensão de 2,4 mil quilômetros, sendo 1,6 mil no Rio Paraná e 800 quilômetros no Rio Tietê.[2]
É uma via muito importante para o escoamento da produção agrícola dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. A hidrovia movimentou dois milhões de toneladas de carga no ano de 2001. Possui doze terminais portuários, distribuídos em uma área de 76 milhões de hectares. A entrada em operação desta hidrovia impulsionou a implantação de 23 polos industriais, 17 polos turísticos e 12 polos de distribuição. Gerou aproximadamente 4 mil empregos diretos.
Somente a hidrovia do Paraná movimentou, em 2010, mais de 3,7 milhões de toneladas de cargas.[3][4] A hidrovia Tietê-Paraná, em 2013, movimentou cerca de 6,3 milhões de toneladas de carga, sendo a previsão para 2017 no valor de 7 milhões de toneladas.[5] Foi a segunda hidrovia brasileira em quantidade de carga, sendo superada apenas pela quantidade transportada na bacia amazônica, que foi de cerca de 9,8 milhões de toneladas.[6]
A implantação e a manutenção da hidrovia e todas as ações que se referem à sua infraestrutura, com exceção das do rio Tietê (que estão a cargo do Departamento Hidroviário do estado de São Paulo),[7] estão a cargo da Administração das Hidrovias do Paraná AHRANA (órgão da sociedade de economia mista federal vinculada ao Ministério dos Transportes, Companhia Docas do Estado de São Paulo - CODESP) [8]


Ampliação
Em 2012, foi iniciado um trabalho de ampliação e melhoria da hidrovia, com benfeitorias orçadas em R$ 1,5 bilhão, com um convênio firmado entre o governo do estado de São Paulo e o governo federal. O objetivo era modernizar e ampliar a navegação na hidrovia, no trecho paulista. Deste montante, R$ 900 milhões foram provenientes do PAC 2 e R$ 600 milhões do governo do estado. O pacote contemplou a construção da barragem de Santa Maria da Serra, ampliando a navegação em 55 km, até o distrito de Ártemis e a extensão de 200 km entre os municípios de Anhembi e Salto, com a construção de cinco barragens.[9]
Em 2011, a hidrovia movimentou 5,8 milhões de toneladas de cargas como milho, soja, cana e areia. Em 2012, o sistema movimentou mais de 6,0 milhões de toneladas de cargas.[10]
Para o início do transporte de etanol no trecho São Simão no estado de Goiás a Anhembi no estado de São Paulo pela hidrovia, o estaleiro Rio Tiete iniciou a construção em 2011, na cidade de Araçatuba, de oitenta barcaças e vinte empurradores fluviais, para a Transpetro, operadora do sistema.[11][12] O projeto prevê o transporte neste trecho de cerca de quatro bilhões de litros por ano, equivalendo 40 000 viagens de caminhão.[12]
Em janeiro de 2016, sua extensão total era de 2,4 mil quilômetros, sendo 1,6 mil no Rio Paraná e 800 quilômetros no Rio Tietê.[2]
Traçado da hidrovia
Rio Tietê
| km | Descrição | Local |
|---|---|---|
| km 0 | Início do trecho navegável | Mogi das Cruzes |
| km X | Barragem da Penha | São Paulo |
| km X | Trecho navegável de 41 km | |
| km X | Barragem de Edgar de Souza (sem eclusa) | Santana de Parnaíba |
| km X | Barragem de Pirapora do Bom Jesus (sem eclusa) | Pirapora do Bom Jesus |
| km X | Corredeiras (trecho não-navegável) | Salto |
| km X | Passagem por cidade | Tietê |
| km 120 | Eclusa de Barra Bonita | Barra Bonita |
| km 180 | Eclusa de Bariri | |
| km 252 | Eclusa de Ibitinga | Ibitinga |
| km 357 | Eclusa de Promissão||Promissão | |
| km 406 | 2 Eclusas na Barragem de Nova Avanhandava | Buritama |
| km 545 | 2 Eclusas na Barragem Três Irmãos | Pereira Barreto |
| km 863 | Conexão com o Rio Paraná |
Rio Paraná
A Administração da Hidrovia do Paraná dividiu a extensão navegável do rio Paraná em 4 trechos:
- O Trecho I da Hidrovia está situado entre a Usina Hidrelétrica de Itaipu, na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, e a entrada do Canal de Navegação, sob a Ponte Rodoviária Ayrton Senna, nas proximidades da cidade de Guaíra, Paraná, apresentando profundidades que variam entre 10 metros e 180 metros, com extensão de 170 km. Este trecho fica na região de fronteira entre o Brasil (estado do Paraná) e o Paraguai.[15]
- O Trecho II, com extensão de 245 km, estende-se desde o Canal de Navegação sob a Ponte Rodoviária Ayrton Senna até a UHE Eng.° Sérgio Motta (Porto Primavera). Este trecho está localizado na divisa dos estados do Paraná e São Paulo com o estado do Mato Grosso do Sul
- O Trecho III, com extensão de 270 km e totalmente situado no reservatório da UHE de Eng.° Sérgio Motta, na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Neste trecho, o Paraná passa pelas cidades de Presidente Epitácio e Panorama e recebe as águas do Rio Pardo (trecho III-A), onde possui um trecho navegável de 33 km no Mato Grosso do Sul.[15]
- O Trecho IV, com extensão de 225 km, apresenta boas condições de navegação desde a foz do Rio São José dos Dourados até o Complexo Portuário de São Simão (Goiás), com o percurso de 55 km no Rio Paraná, 170 km no Rio Paranaíba e 80 km no Rio Grande (trecho IV-A). Este trecho fica nas divisas dos estados de São Paulo e Minas Gerais, com Mato Grosso do Sul.[15]
Ver também
- Rio Paraná
- Rio Tietê
- Hidrovia Paraguai-Paraná
- Hidrovia Tocantins-Araguaia
- Hidrovia do São Francisco
- Hidrovia do Madeira
- Hidrovias do Brasil
Referências
- ↑ «Hidrovia Tietê-Paraná». Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 19 de novembro de 2013. Arquivado do original em 30 de junho de 2017
- ↑ a b EBC. Navegação na Hidrovia Tietê-Paraná é liberada antes da data prevista. Acesso em 30 de janeiro de 2016
- ↑ Dados e informações Hidrovia rio Paraná - AHRANA - 2011
- ↑ ahrana - DADOS_E_INFORMACOES_2011
- ↑ Política e Mais. Em Buritama, Geraldo Alckmin reabre Hidrovia Tietê-Paraná para a navegação de embarcações. Acesso em 30 de janeiro de 2016
- ↑ ANTAQ ANTAQ Arquivado em 23 de março de 2013, no Wayback Machine.. Acessado em 27 de janeiro de 2014.
- ↑ «Cópia arquivada». Consultado em 11 de agosto de 2011. Arquivado do original em 27 de novembro de 2017
- ↑ http://www.ahrana.gov.br/
- ↑ Departamento hidroviário do Estado de São Paulo[ligação inativa]
- ↑ ANTAQ, http://www.antaq.gov.br/Portal/Anuarios/Anuario2012/index.htm Arquivado em 16 de julho de 2013, no Wayback Machine.
- ↑ Marinha do Brasil. «Hidrovia vai baratear álcool para exportação». Consultado em 24 de agosto de 2013
- ↑ a b PETROBRAS TRANSPORTE SA TRANSPETRO
- ↑ http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2009/05/11/rio+tiete+pode+voltar+a+ser+hidrovia+6057935.html[ligação inativa]
- ↑ Secretaria de Estado de Transportes - SP
- ↑ a b c Administração da Hidrovia do Paraná - AHRANA