Heraldo Muñoz
Heraldo Muñoz | |
|---|---|
![]() Heraldo Muñoz em 2014 | |
| Ministro das Relações Exteriores do Chile | |
| Período | 11 de março de 2014 – 11 de março de 2018 |
| Presidente | Michelle Bachelet |
| Antecessor(a) | Alfredo Moreno Charme |
| Sucessor(a) | Roberto Ampuero |
| Representante Permanente do Chile junto às Nações Unidas | |
| Período | 2003 – 2010 |
| Antecessor(a) | Ricardo Lagos |
| Sucessor(a) | Octavio Errázuriz Guilisasti |
| Secretário-geral do Governo do Chile | |
| Período | 7 de janeiro de 2002 – 3 de março de 2003 |
| Antecessor(a) | Claudio Huepe |
| Sucessor(a) | Francisco Vidal |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 22 de julho de 1948 (77 anos) Santiago, Chile |
| Nacionalidade | chileno |
| Alma mater | Universidade do Estado de Nova York Universidade do Chile Universidade Católica do Chile |
| Cônjuge | Pamela Quick (c. 1972) |
| Filhos(as) | 1 |
| Partido | Partido Socialista do Chile (1972–1988) ;
(2023–presente) Partido pela Democracia (1988–2023) |
| Ocupação | diplomata, político |
Heraldo Muñoz Valenzuela (Santiago, 22 de julho de 1948) é um diplomata e político chileno, que atuou como Ministro das Relações Exteriores do Chile entre 2014 e 2018 ; Secretário-Geral Adjunto, Administrador Adjunto e Diretor Regional para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ; e ex-embaixador do Chile nas Nações Unidas, no Brasil e na Organização dos Estados Americanos.
Biografia
Heraldo Muñoz nasceu em 22 de julho de 1948 em Santiago. Após se formar no Liceo de Aplicación, um colégio público só para meninos, ingressou na Universidade do Chile, onde estudou inglês. Depois do primeiro ano, saiu para cursar ciência política na Universidade do Estado de Nova York, através de uma bolsa de estudos do Instituto de Educação Internacional.
Após obter seu bacharelado na UENY, ele concluiu um diploma em relações internacionais pela Universidade Católica do Chile, seguido por um mestrado e um doutorado em relações internacionais pela Escola Josef Korbel de Estudos Internacionais da Universidade de Denver. Foi bolsista de doutorado na Brookings Institution, em Washington, D.C.. Ele acabou recebendo bolsas de pesquisa da Resources for the Future, da Fundação Ford, da Fundação Tinker, do Twentieth Century Fund e da Fundação MacArthur.
Após a conclusão de seu doutorado, Muñoz voltou ao Chile e retornou ao trabalho como acadêmico no Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, onde havia começado como professor em 1974.[1] Ele lecionou, pesquisou e publicou extensivamente na área de relações internacionais nesse período; e também fundou e dirigiu o Programa de Políticas Externas da América Latina (PROSPEL), um instituto de pesquisa de política externa que publicou relatórios anuais sobre as políticas externas dos governos latino-americanos (1984-1990).
Em 1987, Muñoz foi cofundador do Partido pela Democracia (PPD) do Chile e participou do Comitê Executivo da campanha do "Não", que depôs Augusto Pinochet no plebiscito de 1988. Anteriormente, foi membro do Partido Socialista do Chile, onde atuou como secretário de relações exteriores e membro de seu comitê central, como também concorreu ao cargo de subsecretário-geral em uma lista liderada por Ricardo Lagos.
Carreira diplomática
Após o retorno da democracia ao Chile, Muñoz foi nomeado Embaixador Representante Permanente do Chile junto à Organização dos Estados Americanos pelo Presidente Patricio Aylwin (1990-1994); durante sua missão, integrou o Comitê Executivo da Parceria Ambiental Global com o Senador americano Al Gore. Durante o governo de Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Muñoz serviu como Embaixador no Brasil (1994-1998); durante essa missão, participou das negociações para o fim das hostilidades entre Peru e Equador. No ínicio de 2000, o ex-presidente Ricardo Lagos nomeou Muñoz como Vice-Ministro das Relações Exteriores e, em janeiro de 2002, como Ministro Secretário-Geral do Governo. Em 2003, Lagos o nomeou Embaixador Representante Permanente do Chile junto às Nações Unidas.
Nações Unidas
Quando Muñoz se tornou embaixador na ONU, o Chile era membro não permanente do Conselho de Segurança (2003-2004); portanto, Muñoz atuou como Presidente do Conselho de Segurança (janeiro de 2004), um cargo que é rotativo mensalmente. Enquanto esteve no Conselho, Muñoz também presidiu o Comitê de Sanções contra a Al-Qaeda e o Talibã, organizando visitas para países como Afeganistão, Camboja, Indonésia e Irã, em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança, para supervisionar a implementação de embargos de armas, congelamento de ativos e proibições de viagem contra esses grupos.[2]
Em fevereiro de 2009, o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon nomeou-o chefe de uma Comissão de Inquérito da ONU para investigar o assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, em resposta a uma petição feita pelo presidente do Paquistão Asif Ali Zardari.[3] O relatório das conclusões da Comissão, entregue em abril de 2010, resultou na reabertura do caso nos tribunais do Paquistão e nos subsequentes mandados de prisão de vários indivíduos de alto nível.[4]
Outros cargos ocupados por Muñoz como embaixador na ONU foram: presidente da Comissão de Consolidação da Paz ; facilitador das consultas de reforma do Conselho de Segurança (2007-2008); Vice-presidente da 61ª Sessão da Assembleia Geral (2006-2007); e membro das consultas de reforma da Comissão de Direitos Humanos.[5]
Ministério das Relações Exteriores
A presidente Michelle Bachelet o designou Ministro das Relações Exteriores do Chile em 2014. Como tal, ele liderou o Chile em sua resposta a um caso apresentado pela Bolívia na Corte Internacional de Justiça, com o objetivo de forçar o Chile a negociar um acesso soberano ao Oceano Pacífico para a Bolívia[6] (ver Bolívia v. Chile). O Chile venceu o caso por uma esmagadora maioria da Corte. Da mesma forma, durante o mandato de Muñoz, o Ministério das Relações Exteriores elaborou um Plano Nacional de Ação para os Direitos Humanos e os Negócios, que foi apresentado à presidente Bachelet em 2017.[7] Também naquele ano, a oposição política venezuelana ao governo de Nicolás Maduro solicitou que Muñoz os representasse, juntamente com o Ministro das Relações Exteriores do México, Luis Videgaray Caso, em negociações realizadas na República Dominicana, para estabelecer as condições para as próximas eleições presidenciais: esses esforços acabaram sendo malsucedidos devido à intransigência das autoridades venezuelanas e a divergências dentro da oposição.[8] Além disso, a convite do então Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, Muñoz juntou-se a uma campanha internacional para proteger o oceano. Como resultado desse envolvimento, o Chile transformou 1,4 milhão de quilômetros quadrados de suas águas em áreas marinhas protegidas, tornando-se um líder mundial na proteção dos oceanos. Muñoz também conseguiu – após muitas tentativas frustradas de governos anteriores – a aprovação pelo Congresso do projeto de lei para a modernização do Ministério das Relações Exteriores; o projeto foi promulgado pela Presidente Bachelet em 7 de março de 2018.
Publicações
- Uma Guerra Solitária: A Crônica Diplomática da Guerra do Iraque e suas Lições, Fulcrum Publishing, 2008 (traduzido para o espanhol).
- A Sombra do Ditador: A Vida Sob Augusto Pinochet, Basic Books, 2008 (foi traduzido para o espanhol e o português). A Newsweek disse sobre o livro: Muñoz escreveu "uma nova memória pessoal perspicaz e comovente dos anos Pinochet". O Washington Post o chamou de "um novo livro meticuloso e vívido... Muñoz oferece um relato pessoal convincente da vida em um estado policial e um forte lembrete de quão longe o Chile chegou"; e o jornal também incluiu A Sombra do Ditador entre os melhores livros de 2008. Em 2009, a Universidade Duke concedeu-lhe o prêmio WOLA-Duke de melhor livro de não ficção sobre os temas de direitos humanos, democracia e justiça social. [9]
- Getting Away with Murder: Benazir Bhutto's Assassination and the Politics of Pakistan, WW Norton & Company, 2013, é um livro baseado na investigação da ONU mencionada anteriormente, presidida por Muñoz.
Referências
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ Muñoz, Heraldo; G, Walter Sánchez (Janeiro de 1975). «La Détente y el sistema internacional». Estudios Internacionales. 8 (32): 103–122
- ↑ «Presidenta Michelle Bachelet recibe Plan de Acción Nacional de Derechos Humanos y Empresa». Ministerio de Economía, Fomento y Turismo (em espanhol). 21 de agosto de 2017. Consultado em 30 de agosto de 2022
- ↑ Cooperativa.cl. «Permanencia de México y Chile en diálogo venezolano está en duda». Cooperativa.cl (em Spanish). Consultado em 19 de dezembro de 2022
- ↑ «Heraldo Muñoz's the Dictator's Shadow Wins Second WOLA-Duke Book Award». 2 de novembro de 2009
