Henry Rawlinson
| Henry Rawlinson | |
|---|---|
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| Nascimento | 5 de abril de 1810 Chadlington |
| Morte | 5 de março de 1895 (84 anos) Londres |
| Sepultamento | Cemitério de Brookwood |
| Cidadania | Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda |
| Progenitores |
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| Cônjuge | Louisa Caroline Harcourt Seymour |
| Filho(a)(s) | Henry Rawlinson, 1st Baron Rawlinson, Sir Alfred Rawlinson, 3rd Baronet |
| Irmão(ã)(s) | George Rawlinson |
| Alma mater |
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| Ocupação | linguista, arqueólogo, antropólogo, político, oficial do exército, diplomata, assiriólogo, escritor, filólogo |
| Distinções |
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| Empregador(a) | Ministério das Relações Exteriores, Companhia Britânica das Índias Orientais |
| Título | baronete |
| Causa da morte | gripe |
Henry Creswicke Rawlinson (Chadlington, Oxfordshire, Inglaterra, 5 de abril de 1810 – Londres, 5 de março de 1895) foi um oficial do Exército da Companhia Britânica das Índias Orientais, político e orientalista, por vezes descrito como o Pai da Assiriologia. Seu filho, também Henry, viria a se tornar um comandante sênior no Exército Britânico durante a Primeira Guerra Mundial.
Início de vida e serviço no exército
Rawlinson nasceu em 5 de abril de 1810, no local hoje conhecido como Chadlington, Oxfordshire, Inglaterra.[1] Ele foi o segundo filho de Abram Tyack Rawlinson e irmão mais velho do historiador George Rawlinson. Em 1827, tendo se tornado proficiente em farsi, foi enviado à Pérsia em companhia de outros oficiais britânicos para treinar e reorganizar as tropas do Xá. Divergências entre a corte persa e o governo britânico, também envolvendo a Rússia, resultaram na saída dos oficiais britânicos.
Rawlinson começou a estudar inscrições em persa, principalmente aquelas em escrita cuneiforme, que haviam sido apenas parcialmente decifradas por Grotefend e Saint-Martin. Durante dois anos a partir de 1836, ele esteve em Kermanshah, no oeste do Irã, perto da grande inscrição de Behistun, escrita em Persa Antigo, elamita e babilônico (forma posterior de acadiano) por Dario I entre 522 e 486 a.C. Em uma escada precária, Rawlinson foi o primeiro ocidental a transcrever a porção em Persa Antigo do texto. Com seu conhecimento de persa antigo, ele passou a decifrar as seções em elamita e babilônico.[2]
Carreira política
Rawlinson foi nomeado agente político em Kandahar em 1840, servindo por três anos. Em 1844, por seu serviço ao Império Britânico durante a Guerra Anglo-Afegã, recebeu o título de Companion da Order of the Bath.[3]
Um encontro casual com o governador-geral resultou em sua nomeação como agente político na Arábia otomana. Estabelecendo-se em Bagdá, dedicou-se aos estudos cuneiformes e, em 1847, conseguiu enviar à Europa uma transcrição completa e fiel da inscrição de Behistun, que ele também decifrou e interpretou com sucesso. Tendo reunido um vasto material de natureza arqueológica e geográfica no curso de várias explorações — incluindo visitas, juntamente com Sir Austen Henry Layard, às ruínas de Nínive — retornou à Inglaterra em licença em 1849.[4]
Ele foi eleito Fellow of the Royal Society em fevereiro de 1850, elogiado como “Descobridor da chave das inscrições persas, babilônicas e assírias em caracteres cuneiformes. Autor de vários artigos sobre a filologia, antiguidades e geografia da Mesopotâmia e Ásia Central. Eminente como erudito”.[5]
Permanecendo em casa por dois anos, em 1851 publicou seu estudo sobre a inscrição de Behistun e foi promovido a tenente-coronel. O Museu Britânico recebeu sua valiosa coleção de antiguidades babilônicas, sabeias e sassânidas, concedendo-lhe fundos consideráveis para dar continuidade às escavações assírias e babilônicas de Layard. Em 1851, voltou a Bagdá, onde suas descobertas arqueológicas contribuíram muito para a conclusão da decifração e interpretação do cuneiforme.[5] A maior contribuição de Rawlinson foi a descoberta de que cada sinal cuneiforme tinha leituras múltiplas, dependendo do contexto.[6] Rawlinson trabalhou com o mais jovem George Smith no Museu Britânico.
Um acidente a cavalo em 1855 acelerou sua decisão de voltar à Inglaterra, e naquele ano ele renunciou ao cargo na Companhia das Índias Orientais.[5] Antes de partir, Rawlinson envolveu-se na desastrosa missão francesa de enviar mais de 200 caixas de antiguidades para a Europa, quase todas perdidas em Al-Qurnah.[7][8]
Ao retornar à Inglaterra, recebeu a distinção de Cavaleiro comandante da Ordem do Banhoh e foi designado “crown director” da Companhia Britânica das Índias Orientais.[5]
Os quarenta anos seguintes de sua vida foram cheios de atividade (política, diplomática e científica), passados principalmente em Londres. De fevereiro a setembro de 1858, ele foi membro do Parlamento por Reigate, e foi nomeado membro do primeiro Conselho da Índia. Saiu novamente em 1859, quando foi enviado à Pérsia como enviado plenipotenciário, mas retornou após um ano, insatisfeito com a função. Ele foi parlamentar por Frome de 1865 a 1868, e voltou a servir no Conselho da Índia de 1868 até sua morte.[5]
Atitudes em relação à Rússia
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Rawlinson foi uma das figuras mais importantes a defender que a Grã-Bretanha deveria conter as ambições da Rússia na Ásia Central. Era ferrenho defensor da Política Avançada no Afeganistão e advogava manter Kandahar. Ele argumentava que o Império do Czar invadiria e absorveria o canato de Kokand, o emirado de Bucara e o canato de Quiva (o que de fato ocorreu, estando essas regiões hoje integradas ao Usbequistão). Avisava que a Rússia invadiria a Pérsia (Irã) e o Afeganistão como trampolins para a Índia Britânica.[6]
Anos finais
Ele foi curador do Museu Britânico de 1876 até sua morte. Recebeu o título de Cavaleiro Grã-Cruz da Ordem do Banho em 1889 e foi criado baronete em 1891; presidiu a Royal Geographical Society de 1874 a 1875 e a Royal Asiatic Society de 1869 a 1871 e de 1878 a 1881; recebeu títulos honorários em Oxford, Cambridge e Edimburgo.[5]
Casou-se com Louisa Caroline Harcourt Seymour, filha de Jane (nascida Hopkinson) e Henry Seymour, em 2 de setembro de 1862, com quem teve dois filhos: Henry e Alfred. Ficou viúvo em 31 de outubro de 1889 e faleceu em Londres, de gripe, cinco anos depois. Está sepultado no Cemitério de Brookwood em Surrey.
Obras publicadas

As obras publicadas de Rawlinson incluem quatro volumes de inscrições cuneiformes, publicados sob sua direção entre 1870 e 1884 pelos curadores do Museu Britânico; The Persian Cuneiform Inscription at Behistun (1846–1851) e Outline of the History of Assyria (1852), ambos republicados a partir dos periódicos da Sociedade Asiática; A Commentary on the Cuneiform Inscriptions of Babylon and Assyria (1850); Notes on the Early History of Babylonia (1854); e England and Russia in the East (1875). Ele também fez diversas contribuições menores para publicações de sociedades acadêmicas. Redigiu artigos sobre Bagdá, o Eufrates e o Curdistão para a nona edição da Encyclopædia Britannica, além de outros textos sobre o Oriente; e auxiliou na edição de uma tradução de The Histories de Heródoto, feita por seu irmão, o cônego George Rawlinson.[5]
Obras
- Rawlinson, H. C. (1848). «The Persian Cuneiform Inscription at Behistun, Decyphered and Translated; With a Memoir on Persian Cuneiform Inscriptions in General, and on That of Behistun in Particular». Journal of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. 10: i–349. ISSN 0035-869X. JSTOR 25581217
Referências
- ↑ Goldsmid, Frederic J. (1895). «Major-General Sir Henry Creswicke Rawlinson, Bart., G. C. B., etc.». The Geographical Journal. 5 (5): 490–497. JSTOR 1773861
- ↑ Harari, Y.N. (2015). «15. The Marriage of Science and Empire». Sapiens: A Brief History of Humankind. [S.l.]: HarperCollins. ISBN 978-0-06-231610-3
- ↑ Chisholm 1911, p. 928.
- ↑ Chisholm 1911, pp. 928–929.
- ↑ a b c d e f g Chisholm 1911, p. 929.
- ↑ a b Meyer, Karl Ernest; Brysac, Shareen Blair (1999). Tournament of Shadows: The Great Game and the Race for Empire in Central Asia. New York: Counterpoint. p. 154. ISBN 978-1-58243-028-7
- ↑ Namio Egami, "The Report of The Japan Mission For The Survey of Under-Water Antiquities At Qurnah: The First Season," (1971–72), 1-45, também ver nota 6 e 7, https://www.jstage.jst.go.jp/article/orient1960/8/0/8_0_1/_pdf.
- ↑ Larsen, M.T. (1996). The Conquest of Assyria: Excavations in an Antique Land (1st ed.). Routledge. doi:10.4324/9781315862859
Fontes
- Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
- Predefinição:Hansard-contribs
- Adkins, Lesley (2003). Empires of the Plain: Henry Rawlinson and the Lost Languages of Babylon. [S.l.]: HarperCollins. ISBN 978-0-00-712899-0
- Rawlinson, George (1898). A Memoir of Major-General Sir Henry Creswicke Rawlinson. London: Longmans, Green and Co – via Internet Archive
| Parlamento do Reino Unido | ||
|---|---|---|
| Precedido por William Hackblock |
Membro do Parlamento por Reigate fevereiro de 1858 – outubro de 1858 |
Sucedido por William Monson |
| Precedido por Lord Edward Thynne |
Membro do Parlamento por Frome 1865 – 1868 |
Sucedido por Thomas Hughes |
| Baronatos do Reino Unido | ||
| Novo título | 'Baronete (de North Walsham)' 1891–1895 |
Sucedido por: {{{depois}}} |
Ligações externas
Media relacionados com Henry Rawlinson no Wikimedia Commons
Leitura adicional
- Adkins, Lesley (2003). Empires of the Plain: Henry Rawlinson and the Lost Languages of Babylon. [S.l.]: Thomas Dunns Books. pp. 440+. ISBN 9781466838383
- Rawlinson, Henry (1841). The Persian Cuneiform Inscription at Behistun, Deciphered... Col: Journal of the Royal Asiatic Society. 10. [S.l.]: Journal of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland. pp. 400+ – via Internet Archive
