Henrique Burnay, 1.º Conde de Burnay
| Henrique Burnay | |
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| 1.º Conde de Burnay | |
![]() Retrato de Henrique Burnay (1901), por Ernest Borbes (1852–1914). | |
| Conde de Burnay | |
| Condado | 7 de Agosto de 1886 – 29 de Março de 1909 |
| Sucessor | Henrique Burnay |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 07 de janeiro de 1838 Mártires, Lisboa, |
| Morte | 29 de março de 1909 (71 anos) Mártires, Lisboa, |
| Esposa | Maria Amélia de Carvalho Burnay |
| Pai | Henri Burnay |
| Mãe | Lambertine Agnès Josephine Forgeur |
| Ocupação | Capitalista |
Henrique Burnay, 1.º conde de Burnay ComNSC • CvC • GCSG (Mártires, Lisboa, 7 de Janeiro de 1838 – Mártires, Lisboa, 29 de Março de 1909) foi um capitalista, empresário e político português do século XIX. A sua vida interligou-se com muitas personalidades do mundo da finança e da política, em Portugal e no estrangeiro.
Era conhecido, na imprensa da época, por "O Senhor Milhão", tendo estado no centro de várias polémicas devido ao papel de relevo que desempenhou na vida económica do país. Foi caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro.
Biografia
Henrique Burnay nasceu em Lisboa, na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, no primeiro andar da Rua de São Paulo, n.º 12, no seio de uma acomodada família burguesa, proveniente da Bélgica[1].
Frequentou o Colégio Luso-Britânico, mas cedo preferiu o mundo do trabalho e a vida empresarial[1].
Ainda adolescente, ingressou na casa comercial fundada pelo seu avô, Jean-Baptiste Burnay, da qual se mudaria, a seguir, para a casa Carlos Kruz & Cia.
Em 1865 participou na Exposição Internacional do Palácio de Cristal, no Porto, acompanhado do seu futuro sócio Heitor Guichard, com o qual veio a fundar a empresa Burnay & Guichard.
A seguir estabelecia, em 1875, a Henry Burnay & Cia. sendo com empresa que viria a ter um papel destacado na cena económica portuguesa da época.[2]
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Assim, ao longo dos anos seguintes Henrique Burnay procederia a investimentos de grande vulto, entre os quais sobressaem a polémica intervenção na Companhia dos Tabacos, de que viria a obter o monopólio.
De relevo foi tambem a participação na exploração de várias redes ferroviárias, com a Real Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, e de redes marítimas, para transporte de produtos de importação e exportação.
Consolidando a sua posição de grande capitalista, Interviria ainda em vários outros setores - na exploração dos Grandes Armazéns Hermínios, no Grande Hotel Central, e na Casa Havaneza, em Lisboa; na Companhia de Navegação Tétis, Sindicato Portuense, Empresa Industrial Portuguesa - a qual viria a fornecer, posteriormente, material bélico aos aliados durante a Primeira Guerra Mundial - companhias mineiras e de exportação de produtos coloniais, em África, a Fábrica de Vidros da Marinha Grande, Sociedade Torlades, Lisbon Electric Tramways Ltd., Jornal do Comércio e o Casino, hotéis e termas em Vernet-les-Bains, nos Pirenéus Franceses.
Em 1891, após o ultimato britânico, conseguiu proceder a exportações de Vinho do Porto para Londres.
Em 1882, Bordallo Pinheiro, de quem Henrique Burnay até seria amigo, desenhou uma das suas mais famosas caricaturas com um conde de unhas grandes e a seguinte legenda: "Compra, vende, troca, empresta, põe, dispõe, impõe, repõe, fia, fura e faz..."[3].
Era proprietário do Palácio Burnay, em Alcântara[3].
Atividade política
Henrique Burnay, nas actividades empresariais mantinha uma relação próxima com as elites políticas.[2]
Ao longo da sua carreira, o empresário acabaria por ter intervenções diretas de caráter político.
Na legislatura de 1894, foi eleito deputado pelo círculo de Pombal, facto que deu origem a acesa discussão pública acerca da sua nacionalidade, apresentou as suas posições em discursos proferidos na Câmara dos Deputados.
Em 1900 voltava a ser eleito deputado, desta vez, por Setúbal.
Henrique Burnay seria depois designado para presidir a festejos comemorativos (centenários de Camões, 1890; Pombal, 1882; Santo António, 1895).
Também participou em diversas iniciativas de beneficência - nomeadamente, fundou a Sociedade dos Albergues Nocturnos de Lisboa e a Vila de Santo António, em 1895, com escola e acomodações para os operários.[2]
O Jardim Zoológico de Aclimação de Lisboa situava-se no parque do seu Palácio das Laranjeiras, onde hoje ainda se encontra.
Ao mesmo tempo reunia, no Palácio da Junqueira, uma assinalável colecção de obras de arte.
Condecorações
A 7 de Agosto de 1886 foi-lhe concedido pelo Rei D. Luís I o título de Conde de Burnay.
Recebeu ainda as condecorações de Cavaleiro da Ordem de Cristo, de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Foi condecorado pelo Papa Leão XIII com a Grã-Cruz da Ordem de São Gregório Magno.[4]
Família, casamento e descendência
Henrique Burnay era filho de Henry Burnay, médico, e de Lambertine Agrèes Josephine Forgeur, oriundos da Bélgica.
O seu irmão Eduardo Burnay, nascido em 3 de Julho de 1853 e falecido a 8 de Dezembro de 1924, seria médico e lente na Universidade de Lisboa, bem como membro da Academia das Ciências de Lisboa, exercendo ao mesmo tempo funções em órgãos de diversas empresas e entidades em que Henrique Burnay teve intervenção (presidente de Conselho de Administração da Companhia dos Tabacos e do Conselho Fiscal do Banco de Portugal, vice-governador do Crédito Predial, administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta e do Jornal do Comércio e das Colónias).
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Em 1863 casou com D. Maria Amélia de Carvalho, filha de Francisco Baptista de Carvalho e de Elisa Ferreira. Deste casamento nasceram nove filhos.
Entre os seus descendentes contam-se a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, o chef José Avillez ou o arquiteto, que foi vereador do Urbanismo na Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado[5].
Referências
- ↑ a b «Henry Burnay». Crónicas 1. 9 de abril de 2017. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b c Arquivo Nacional Torre do Tombo - "Henry Burnay"
- ↑ a b «O que é feito dos Burnay, os herdeiros do conde-banqueiro?». www.sabado.pt. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Lima, Nuno Miguel (2009). «Henry Burnay no contexto das fortunas da Lisboa oitocentista» (PDF). Lisboa. Análise Social. XLIV (192): 565-588
- ↑ «O que é feito dos Burnay, os herdeiros do conde-banqueiro?». www.sabado.pt. Consultado em 11 de janeiro de 2026
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