Helvécio Gomes de Oliveira
Helvécio Gomes de Oliveira
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|---|---|
| Arcebispo da Igreja Católica | |
| Arcebispo de Mariana | |
| Atividade eclesiástica | |
| Congregação | Salesianos |
| Diocese | Arquidiocese de Mariana |
| Nomeação | 10 de novembro de 1922 |
| Predecessor | Silvério Gomes Pimenta |
| Sucessor | Oscar de Oliveira |
| Mandato | 1922 - 1960 |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | 9 de junho de 1901 |
| Nomeação episcopal | 15 de fevereiro de 1918 |
| Ordenação episcopal | 15 de agosto de 1918 por Angelo Giacinto Scapardini, O.P. |
| Nomeado arcebispo | 2 de dezembro de 1921 |
| Brasão arquiepiscopal | ![]() |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 19 de fevereiro de 1876 |
| Morte | Mariana 25 de abril de 1960 (84 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Progenitores | Mãe: Maria Mattos de Oliveira Pai: José Gomes de Oliveira |
| Funções exercidas | -Bispo de Corumbá (1918) -Bispo de São Luís do Maranhão (1918-1922) -Arcebispo coadjutor de Mariana (1922) |
| Sepultado | Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção |
| dados em catholic-hierarchy.org Arcebispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Dom Helvécio Gomes de Oliveira S.D.B. (Anchieta, 19 de fevereiro de 1876 - Mariana, 25 de abril de 1960) foi um padre salesiano e bispo católico brasileiro. Foi bispo diocesano de Corumbá e de São Luís do Maranhão e arcebispo de Mariana.[1]
Biografia e atuação ministerial
Nasceu na área rural de Anchieta, Espírito Santo, em 19 de fevereiro de 1876[2]. Era filho de José Gomes de Oliveira, tenente-coronel ex-combatente da Guerra do Paraguai e de Maria Mattos de Oliveira, e irmão de Emanuel Gomes de Oliveira.
Iniciou os estudos primários em sua terra natal e, aos oito anos, após a morte do pai, foi levado a Poços de Caldas sob os cuidados de seu padrinho, o Cônego Quintiliano. Em 1888, ingressou no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, onde se destacou por seu excelente desempenho e exemplar conduta. Ao concluir o curso secundário, foi enviado à Europa por Dom Luís Lasagna, bispo de Trípoli e inspetor dos Salesianos, para aperfeiçoar seus estudos na Casa-Mãe da Pia Sociedade de São João Bosco, oportunidade que acolheu com grande entusiasmo por poder servir à obra salesiana. Antes da viagem, preparou-se no Colégio São Joaquim de Lorena (SP), onde iniciou o noviciado e os estudos de Filosofia.[2]
Em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve o bacharelado em Filosofia. De volta ao Brasil, foi enviado para as missões no Mato Grosso, onde, devido à sua competência e dedicação, tornou-se, apenas um ano após a ordenação, diretor do Liceu do Mato Grosso, renomado colégio salesiano. No cargo, inspirou-se nos princípios pedagógicos de Dom Bosco, priorizando a formação integral da juventude.[2]
Em 1900, fundou em Cuiabá um observatório meteorológico, que prestou relevantes serviços científicos, contribuindo por muitos anos para os estudos climáticos em São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires.[2]
Episcopado
Bispo de Corumbá
Ao final de 1917, seu nome foi indicado para o episcopado, mas, movido por humildade e pelo desejo de permanecer na missão educativa, recusou a nomeação. Contudo, sua recusa não foi aceita pela Santa Sé, e em 15 de fevereiro de 1918, o Papa Bento XV confirmou sua eleição como bispo de Corumbá. Mesmo assim, insistiu em declinar do cargo, apesar dos apelos de amigos e autoridades do Mato Grosso.[2]
Bispo do Maranhão
Pouco depois, foi novamente chamado pelo Papa, desta vez para ser bispo do Maranhão, e já não pôde adiar a missão que lhe era confiada. Sua sagração episcopal ocorreu em Niterói, em uma solene cerimônia que reuniu numerosas autoridades civis, eclesiásticas e representantes da sociedade.[2]
Oito dias após chegar ao Maranhão, fez sua entrada solene na Catedral de São Luís, sendo recebido com grande entusiasmo pelo povo, em celebração descrita pela imprensa local como um acontecimento de proporções extraordinárias.[2]
Durante os quatro anos de seu episcopado, destacou-se pelo zelo pastoral, sorriso constante e notável capacidade de trabalho, conquistando a estima e o respeito de todos que com ele conviveram e daqueles a quem guiou espiritualmente.[2]
Destacou-se como o principal responsável pela restauração da Catedral de São Luís, concluída em 1922, ano em que também enfrentou uma grave crise política no Maranhão, marcada por um levante militar que depôs o presidente do Estado, Dr. Raul da Cunha Machado. Com serenidade e autoridade moral, atuou como mediador, comunicando-se com o governo federal e contribuindo decisivamente para o restabelecimento da ordem e reconciliação na capital.[2]
Seu prestígio junto à Santa Sé levou o Papa Bento XV, em 1921, a elevar a diocese do Maranhão à categoria de Arcebispado, decisão ratificada em 1922 pelo Papa Pio XI, que também nomeou Dom Helvécio bispo auxiliar e sucessor da Arquidiocese de Mariana.[2]
Partiu de São Luís em 12 de setembro de 1922, deixando profunda saudade entre o povo maranhense, que reconhecia em sua pessoa um pastor sábio e conciliador, cuja gestão uniu fé, prudência e espírito de serviço.[2]
Como não pôde assumir o cargo de bispo auxiliar enquanto Dom Silvério ainda vivia, foi necessária a emissão de uma nova bula papal para formalizar sua sucessão. Isso ocorreu em 10 de novembro de 1922, menos de três meses após o falecimento do primeiro arcebispo de Mariana.[2]
Arcebispo de Mariana
A entrada solene de Dom Helvécio na Sé de Mariana aconteceu em 26 de novembro de 1922, em meio a grandes celebrações. Vindo do Rio de Janeiro, viajou em trem especialmente reservado, sendo calorosamente saudado nas estações por onde passava. Ao chegar a Mariana, foi recebido com entusiasmo popular, percorrendo a Rua Direita sob aplausos e pétalas de flores lançadas pelas famílias das sacadas.[2]
No início de seu episcopado, iniciou uma visita pastoral geral que se estendeu por mais de cinco anos, percorrendo as 160 paróquias então existentes na Arquidiocese, já desmembrada em diversas dioceses. Demonstrando visão pastoral e administrativa, Dom Helvécio trabalhou pela criação de novas circunscrições eclesiásticas, como as dioceses de Juiz de Fora (1924) e Leopoldina (1942), consolidando a presença da Igreja em Minas Gerais.[2]
Em 1925, por ocasião do Ano Jubilar, Dom Helvécio viajou a Roma, onde foi recebido em audiência pelo Papa Pio XI e visitou também o Santuário de Lourdes. Durante essa viagem, recebeu o título honorário da Universidade de Letras e Ciências de Nápoles, em reconhecimento à sua cultura e trajetória intelectual.[2]
No ano seguinte, o Papa Pio XI o distinguiu com os títulos de Conde Romano e Assistente ao Sólio Pontifício, honrarias raramente concedidas e reservadas a personalidades de grande mérito e serviço à Igreja.[2]
Em Mariana, fundou o Museu de Arte Sacra, reunindo um valioso acervo que mais tarde doou ao Museu da Inconfidência de Ouro Preto, colaborando para a preservação do patrimônio histórico e religioso de Minas Gerais.[2]
Durante a Revolução de 1930, com o conflito se intensificando em São João del-Rei, Dom Helvécio demonstrou coragem exemplar ao se dirigir pessoalmente ao local dos combates. Com serenidade e autoridade moral, conseguiu convencer os militares a depor as armas, evitando um derramamento de sangue e reafirmando seu papel como pastor e pacificador.[2]
Nesta Arquidiocese demonstrou todo o seu zelo pastoral, entre outros aspectos, na preocupação com a educação da juventude, criando diversos colégios. No início de seu episcopado, criou em Mariana, a Obra dos Pequenos Acólitos, afetuosamente chamada por ele de “meu pequeno clero”, formada por jovens de famílias humildes com vocação sacerdotal. Sua principal realização nesse campo, porém, foi a construção do novo prédio do Seminário Maior São José, para abrigar os seminaristas do curso de Teologia e Filosofia, inaugurado em 15 de agosto de 1934, marco que inaugurou uma nova etapa na história e na formação do clero da Arquidiocese de Mariana.[2]
A partir de 1937, aos 61 anos, Dom Helvécio começou a enfrentar sérios problemas de saúde, sendo obrigado a afastar-se de Mariana por cinco meses para realizar uma cirurgia de retirada de um tumor benigno no Rio de Janeiro. A notícia causou profunda comoção em toda a Arquidiocese, levando o povo mineiro a unir-se em orações, promessas e novenas por sua recuperação. Seu retorno a Mariana foi recebido com grande alegria e homenagens de fiéis, autoridades civis e eclesiásticas de todo o país.[2]
Com o avanço da idade, as internações e cirurgias tornaram-se frequentes, mas nem mesmo a fragilidade física diminuiu seu zelo pastoral e dedicação à missão episcopal, tornando-se exemplo de fé e perseverança.[2]
A partir de 1947, contou com a valiosa colaboração de Dom Daniel Tavares Baeta Neves, seu bispo auxiliar, que o substituía em momentos de enfermidade ou em compromissos fora da Arquidiocese. Em 1959, foi nomeado Dom Oscar de Oliveira, antigo amigo e protegido de Dom Helvécio, como bispo coadjutor com direito à sucessão, garantindo a continuidade de sua obra à frente da Arquidiocese de Mariana.[2]
Enfermidade e falecimento
Em 1º de abril de 1960, às vésperas da Semana Santa, Dom Helvécio chegou a Coronel Fabriciano, vindo de sua terra natal, Anchieta (ES). Era grande benfeitor da região, lutara pela criação do Parque Nacional do Rio Doce, fundara escolas e intercedera junto às autoridades pela melhoria das cidades locais. Sua visita foi recebida com entusiasmo, sem que se imaginasse que seria sua última visita pastoral.[2]
Visivelmente debilitado, falava pouco e demonstrava grande fraqueza. No Domingo de Ramos (10 de abril), celebrou missa na Fazenda Bom Jesus, mas seu estado de saúde piorou rapidamente. Ao saber da situação, Dom Oscar de Oliveira, seu bispo coadjutor e amigo, foi até Fabriciano para acompanhá-lo nos últimos dias. Chegou no Sábado Santo, quando já encontrou o arcebispo sem plena consciência.[2]
No Domingo de Páscoa, Dom Helvécio recebeu a extrema-unção e permaneceu em sofrimento por mais oito dias. Faleceu em 25 de abril de 1960, cercado por amigos e autoridades. Viveu e morreu em pobreza e simplicidade, tendo doado seus bens às Irmãs Carmelitas para a construção de um educandário em Anchieta.[2]
Na madrugada do dia 26, uma multidão acompanhou a missa de corpo presente na Igreja Matriz de Fabriciano. No dia seguinte, o corpo foi levado a Mariana, onde o amado arcebispo foi sepultado com todas as honras na cripta da Sé de Mariana, em meio à comoção do clero e do povo mineiro.[2]
Referências
Ligações externas
- «Gcatholic» (em inglês)
- «Catholic Hierarchy» (em inglês)
| Precedido por Cyrillo de Paula Freitas |
Bispo de Corumbá 1918 Eleito |
Sucedido por José Maurício da Rocha |
| Precedido por Francisco de Paula e Silva, C.M. |
Bispo de São Luís do Maranhão 1918 - 1921 |
Sucedido por Elevação a arquidiocese |
| Precedido por Elevação a arquidiocese |
Arcebispo de São Luís do Maranhão 1921 - 1922 |
Sucedido por Otaviano Pereira de Albuquerque |
| Precedido por Silvério Gomes Pimenta |
Arcebispo de Mariana 1922 — 1960 |
Sucedido por Oscar de Oliveira |
