Helicops trivittatus

Helicops trivittatus
Taxocaixa sem imagem
Classificação científica
Reino:
Animalia
Filo:
Chordata
Classe:
Reptilia
Ordem:
Squamata
Subordem:
Serpentes
Família:
Dipsadidae
Gênero:
Helicops
Espécies:
H. trivittatus
Nome binomial
Helicops trivittatus
(Gray, 1849)
Sinónimos
  • Myron trivittatus Gray, 1849

Helicops trivittatus é uma espécie de serpente da família Dipsadidae.[1] É uma serpente de hábitos semiaquáticos, endêmica do Brasil e encontrada em ecossistemas associados à Bacia Amazônica e áreas de transição com o Cerrado.[2]

Descrição

Helicops trivittatus é uma serpente de porte médio, com um comprimento total que geralmente não ultrapassa 80 centímetros. Seu corpo é robusto e adaptado à vida aquática, com os olhos e narinas posicionados dorsalmente na cabeça, o que permite que o animal respire e observe o ambiente com o corpo submerso.[3]

A coloração dorsal varia do castanho-claro ao pardo-escuro, com cinco finas listras longitudinais de cor amarela ou creme. O nome trivittatus (três fitas) é uma referência a essas listras, embora cinco seja o número mais comum. O ventre é claro, geralmente branco ou amarelado, com duas fileiras de manchas escuras em formato de semicírculo.[2] As escamas dorsais são fortemente quilhadas, o que lhe confere uma textura áspera.

Distribuição e habitat

A espécie é endêmica do Brasil, com uma distribuição concentrada na porção leste e sudeste da Bacia Amazônica e em áreas de transição com o Cerrado. Sua ocorrência abrange as bacias dos rios Xingu, Tocantins e Araguaia, nos estados do Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás e Maranhão.[1] No Maranhão, há registros confirmados de sua presença, especialmente em áreas de influência da bacia do Tocantins.[4]

Seu habitat preferencial são ambientes de água parada (lênticos), como igarapés de fluxo lento, poças permanentes e temporárias, lagos e áreas alagadas de florestas.[1]

Biologia e ecologia

Comportamento e dieta

Helicops trivittatus é uma serpente de hábitos noturnos e semiaquáticos, passando a maior parte do tempo na água ou em suas margens. É uma predadora ativa, cuja dieta consiste quase exclusivamente de peixes.[5] Possui dentição opistóglifa, com dentes maiores e inoculadores de peçonha na parte posterior da boca, adaptados para subjugar presas escorregadias como os peixes. Sua peçonha é de baixa toxicidade para humanos, causando geralmente apenas reações locais leves, como inchaço e dor.[6]

Reprodução

A espécie é vivípara, ou seja, os embriões se desenvolvem dentro do corpo da mãe, que dá à luz filhotes já formados. As ninhadas são compostas por sete a nove filhotes, que nascem com aproximadamente 15 centímetros de comprimento. A viviparidade é uma adaptação vantajosa para serpentes aquáticas, pois elimina a necessidade de encontrar um local seco e seguro para a postura de ovos.[3]

Estado de conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) classificam Helicops trivittatus como Pouco Preocupante (LC).[7] A classificação se deve à sua ampla distribuição geográfica e por não haver ameaças graves e generalizadas identificadas para a espécie. No entanto, a degradação de habitats aquáticos, como o desmatamento de matas ciliares e a poluição de rios, pode representar ameaças em escala local.[1]

Referências

  1. a b c d «Ficha de Helicops trivittatus (Gray, 1849)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade - SALVE. Consultado em 10 de julho de 2025 
  2. a b Rossman, Douglas A. (2010). «Variação morfométrica da cobra-d'água Helicops trivittatus (Gray, 1849) (Reptilia: Serpentes: Xenodontidae) do leste da Amazônia». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - Ciências Naturais. 5 (3): 271-278. Consultado em 10 de julho de 2025 
  3. a b Cunha, O.R.; Nascimento, F.P. (1993). Ofídios da Amazônia: as cobras da região leste do Pará. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi 
  4. Silva, Antonio Moraes da (2021). Revisão das espécies de dorso verde estriado do gênero Helicops Wagler, 1828 (Serpentes: Xenodontinae) (Tese). Universidade Federal de Pernambuco. Consultado em 10 de julho de 2025 
  5. Santos, B.A.; Montag, L.F.A. (2011). «Diet and trophic organization of a snake assemblage in a protected area in the northern Brazilian Amazon». Zoologia (Curitiba). 28 (4): 435-442. doi:10.1590/S1984-46702011000400004 
  6. «Helicops trivittatus». Serpentes Brasileiras. Consultado em 10 de julho de 2025 
  7. Silveira, A.L.; et al. (2019). «Helicops trivittatus». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 10 de julho de 2025