Helena do Sul

Maria Helena Vargas da Silveira
Conhecido(a) por
  • ativista pelos direitos humanos de negros e mulheres
  • defensora do ensino público, gratuito e de qualidade
  • pesquisadora sobre a educação anti-racista no ensino básico e superior
Nascimento
Morte
ResidênciaBrasil
Nacionalidadebrasileira
Alma materUniversidade Federal do Rio Grande do Sul
PrêmiosTroféu Zumbi[1]
Troféu Destaque "Sônia Paim" (2005)[2]
Carreira científica
Campo(s)Pedagogia e magistério

Maria Helena Vargas da Silveira (Pelotas, 4 de junho de 1940Brasília, 17 de janeiro de 2009), conhecida como Helena do Sul, foi uma escritora, pedagoga e professora brasileira.[3][4]

Atuou como professora do ensino básico até os anos 1990, quando se tornou funcionária pública federal para realização de pesquisas e desenvolvimento pedagógicos para educação anti-racista. Como escritora, estreou com o romance É Fogo, em 1987, seguido de publicação de outros dez contos, crônicas, poemas e romances, sendo reconhecida como patrona da Feira do Livro de São Lourenço do Sul e membra da Academia Pelotense de Letras. A marca de suas obras é a denúncia do preconceito racial na sociedade brasileira e a integração de simbologias de descendência africana, como a utilização de palavras da língua iorubá em seus textos.[5][6]

Biografia e carreira

1940-1961: Início e magistério

Maria Helena Vargas da Silveira nasceu em Pelotas em 4 de junho de 1940,[7] provavelmente nas adjacências do bairro Simões Lopes, onde passava o trem na cidade.[8] Filha do motorista José Francisco da Silveira, conhecido como Zé Bigode, da costureira Maria Yolanda Vargas da Silveira e neta de Armando Vargas, um dos gráficos, secretários, poetas, cronistas e articulistas do jornal da comunidade negra pelotense A Alvorada, era oriunda de uma família negra humilde da cidade, depositando em seus familiares todos os valores e aprendizados da vida.[9] Estudante da escola pública, se tornou habilitada para ministrar o ensino básico pela Formação de Professores da Escola Normal Assis Brasil em 1959, lecionando no ensino privado e em seguida contratada em um curto período como professora pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul de Leonel Brizola e também brevemente no Grupo Escolar Cruzeiro do Sul, na cidade de Jaguarão.[10][8]

1962-2009: Vida acadêmica, docente e literária

Silveira retornou para Pelotas após ser aprovada e ingressar em 1962 no curso de Pedagogia na Universidade Católica de Pelotas, estudo privado custeado por sua tia "Ci", uma professora e coordenadora de escola primária e integrante da "classe média negra" de Pelotas.[8] Em 1966 conquista a transferência para o curso de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, retornando ao ensino público, em Porto Alegre. Concomitantemente aos estudos pedagógicos, que se encerraram em 1971,[7] se localizou habitacionalmente na comunidade Morro da Cruz e outros bairros de maloca da capital e começou a lecionar em escolas precárias, vivendo de aluguel em barracos e peregrinando entre vilas e periferias conforme sua situação financeira.[8] Em 18 de agosto de 1987, a autora lança seu primeiro livro, É Fogo pelo Grupo Editoral Rainha Ginga em um evento no Partenon Tênis Clube, na capital e entre novembro e dezembro do mesmo ano, continua os lançamentos da obra na Feira do Livro de Pelotas e Porto Alegre. Entre 1989 e 1994 publica as obras Meu Nome Pessoa - Três Momentos de Poesia, O Sol de Fevereiro, Odara - Fantasia e Realidade e Negrada, quando recebe as honrarias de patrona da Feira do Livro de São Lourenço do Sul, em 1 de dezembro de 1995. Após reconhecimento e lançamento de outras obras, toma posse em uma cadeira da Academia Pelotense de Letras em 8 de junho de 2000.[2]

No decorrer da vida docente e acadêmica, se tornou especialista em Supervisão Educacional na Faculdade Porto-Alegrense, virando servidora pública federal em 1999 através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) do Ministério da Educação, assumindo um cargo administrativo da Fundação Cultural Palmares, onde cunhou o epíteto "Helena do Sul". Foi destinada, desde 2003, à assumir a parte técnica da Subcoordenação de Apoio aos Projetos Inovadores de Curso (PICs) da Coordenação-Geral de Diversidade e Inclusão Educacional, apresentando as contribuições na organização do livro e relatório O Programa Diversidade na Universidade e a construção de uma política educacional anti-racista, em 2007, juntamente com Maria Lúcia de Santana Braga, cujo financiamento coube à UNESCO.[11][2] Viveu em Brasília até seu falecimento por aneurisma cerebral, em 17 de janeiro de 2009.[10][7]

Obras

  • 1987 - É Fogo (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 1989 - Meu Nome Pessoa - Três Momentos de Poesia (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 1991 - O Sol de Fevereiro (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 1993 - Odara - Fantasia e Realidade (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 1994 - Negrada (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 1997 - Tipuana (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 2000 - O Encontro (Grupo Editorial Rainha Ginga)
  • 2002 - As filhas das lavadeiras (Grupo Cultural Rainha Ginga)
  • 2005 - Os Corpos e Obá Contemporânea
  • 2007 - Helena do Sul. Rota Existencial (Fundação Cultural Palmares)[12]
  • 2008 - Diga Sim ao Estudante Negro/a

Referências

  1. Salaini, Cristian Jobi (2009). «"O negro no campo artístico":uma possibilidade analítica de espaços de solidariedade étnica em Porto Alegre/RS». In: Silva, Gilberto Ferreira da; Santos, José Antônio dos; Carneiro, Luiz Carlos da Cunha. RS negro: cartografias sobre a produção do conhecimento (PDF). [S.l.]: EDIPUCRS. pp. 148–169. ISBN 978-85-7430-861-6 
  2. a b c «TIMELINE ESCRITORA MARIA HELENA VARGAS DA SILVEIRA (04/09/1940-17/01/2009)». Time Toast. Consultado em 22 de novembro de 2019 
  3. Maria Helena Vargas (M. Helena Vargas da Silveira) Arquivado em 23 de setembro de 2016, no Wayback Machine.. Portal Literafro - UFMG
  4. Nota de pesar. Instituto Palmares, 28 de janeiro de 2009
  5. ÁVILA, Cristiane Bartz de; RIBEIRO, Maria de Fátima Bento. Mito de Nioro e educação patrimonial: entre história e ficção, aspectos da cultura afro-brasileira são estudados. Cadernos do LEPAARQ Vol. XI | n°22 | 2014, p. 353
  6. Sarau BPP destaca autora pelotense Maria Helena da Silveira. E-cult, 26 de outubro de 2012
  7. a b c Quadros, Denis Moura de (janeiro–abril de 2019). «Dororidade em É fogo! (1987), de Maria Helena Vargas da Silveira (1940-2009): A voz de Helena do Sul recolhendo outras vozes». Revell - Revista de Estudos Literários da UEMS. v. 21 (n. 1): 379-399. Consultado em 22 de novembro de 2019 
  8. a b c d Zubaran, Maria Angélica; Simões, Rodrigo Lemos; Tonial, Cristina Gamino Gomes (março de 2019). «Narrativas Autobiográficas da Professora Negra Maria Helena Vargas da Silveira: formação e prática docente no livro "É Fogo!"». Revista de Educação, Ciência e Cultura. v. 24 (n. 1): 187-202. Consultado em 12 de novembro de 2019 
  9. «Maria Helena Vargas». Literafro. 24 de janeiro de 2018. Consultado em 12 de novembro de 2019 
  10. a b Silveira, Maria Helena Vargas da (2002). «AS FILHAS DAS LAVADEIRAS». Labrys. Consultado em 12 de novembro de 2019 
  11. Braga, Maria Lúcia de Santana; Silveira, Maria Helena Vargas da, eds. (2007). O Programa Diversidade na Universidade e a construção de uma política educacional anti-racista (PDF). [S.l.]: Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO. ISBN 978-85-60731-04-6 
  12. Maria Helena Vargas (M. Helena Vargas da Silveira) - Bibliografia Arquivado em 23 de setembro de 2016, no Wayback Machine.. Portal Literafro - UFMG

Ligações externas