Hebraico tiberiano

O termo hebraico tiberiano designa a pronúncia canônica extinta do hebraico utilizado no Tanaque (a Bíblia hebraica) e os documentos relacionados a ele. Esta forma tradicional de pronúncia codificada na Idade Média foi aplicada na escrita pelos acadêmicos masoréticos da comunidade judaica de Tiberíades, no período entre os anos 750 e 950; esta forma escrita emprega sinais diacríticos que são acrescentados às letras hebraicas: sinais vocálicos e diacríticos consonantais (nequdot) e os chamados 'sinais de acentuação' ou te'amim (dois sistemas relacionados de cantilação), juntamente com os comentários marginais.
Embora os sistemas tiberianos de vocalização e acentuação das escrituras hebraicas representem uma pronúncia regional, localizada em Tiberíades, o hebraico tiberiano foi reconhecido universalmente como superior às outras tradições de leitura por diversas de suas características, como as distinções sutis que ele fez entre as variedades do /r/, e, em especial, por manter a gama completa de vogais baixas do idioma.
Duas outras tradições regionais contemporâneas que deram origem a representações gráficas semelhantes foram designadas, com base na geografia, como Palestina e Babilônia. A chamada "tradição palestina" evoluiu para o hebraico israelense contemporâneo, através de uma fase intermediária no hebraico sefardita (embora sua implementação gráfica tenha sido abandonada); já a "tradição babilônica" foi dominante em certas regiões por muitos séculos, e sua pronúncia (embora não seu sistema gráfico) sobrevive até hoje na forma do hebraico iemenita[carece de fontes]. Estes sistemas concorrentes eram "supralineares", ou seja, os diacríticos eram colocados acima das letras, ao contrário do tiberiano, que os coloca, em sua grande maioria, sob os caracteres.
A princípio, os pontos tiberianos foram definidos para codificar uma tradição específica de leitura do Tanaque. Depois, foram aplicados a outros textos (um dos primeiros foi a Mishná) e usado em muitos outros lugares, por judeus de diferentes tradições orais no que dizia respeito à leitura do hebraico. Assim, o sistema tiberiano de vocalização e entonação tornou-se de uso corrente.
Bibliografia
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- Malone, Joseph L. Tiberian Hebrew phonology (1993). Winona Lake, IN: Eisenbrauns.