Haroldo Nepomuceno

Haroldo Nepomuceno
Informações pessoais
Nome completo Haroldo Silva Nepomuceno
Data de nascimento 20 de fevereiro de 1946 (79 anos)
Local de nascimento Belém, Pará, Brasil
Altura 1,80m
Informações profissionais
Posição lateral-direito
Clubes de juventude
1964 Tuna Luso
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1964–1968
1968
1969–1970
1969
1971
1971–1972
1973
1974–1975
1975–1976
Tuna Luso
Santos (emp.)
Santos
XV de Piracicaba (emp.)
Olaria
Vasco
CRB
Saad
Moto Club

Haroldo Silva Nepomuceno (Belém,[1][2] 20 de fevereiro de 1946) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como lateral-direito.[3][4]

Membro do Santos de Pelé,[5] onde foi reserva de Carlos Alberto Torres,[3] integra o grupo de santistas paraenses formados na Tuna Luso,[4] a exemplo de Pinhegas,[6][7] de Manoel Maria (de quem foi colega em ambas as equipes),[3] Giovanni,[7] Arinélson,[8] Magnum [9] e Paulo Henrique Ganso.[7]

Carreira

Tuna Luso

Seu pai, conhecido pelo sobrenome Nepomuceno, havia sido futebolista em Belém no clube Júlio César.[3] Haroldo, por sua vez, iniciou a carreira no juvenil da Tuna Luso,[1][7] onde foi vice-campeão estadual em 1964.[3] Seus dois gols conhecidos pelo clube se deram exatamente em clássicos: em derrota amistosa de 2-1 em duelo com o Paysandu em 14 de março de 1965, e em vitória de 4-1 em confronto com o Remo pelo estadual de 1967, em 5 de novembro.[10]

A Tuna não conseguiu títulos estaduais ao longo da década de 1960, mas a imprensa reconhecia que o flanco formado com Haroldo junto ao ponta-direita Manoel Maria era o melhor do Pará.[3] Além de vice-campeonatos, o elenco tunante teve como ponto alto uma excursão vitoriosa ao Amazonas entre agosto e setembro de 1967. Nenhuma outra excursão paraense havia retornado invicta do Estado vizinho com tantos jogos lá realizados. Foram oito jogos e precisamente Manoel Maria foi o artilheiro da viagem, com seis gols: 6-1 no Fast, com quatro gols cruzmaltinos no primeiro tempo em espaço de sete minutos, 3-0 sobre o Rio Negro, 1-1 com o Olímpico, 3-3 com o São Raimundo, novo 1-1 com o Olímpico, 2-0 no São Raimundo, 1-0 em curioso clássico com o Remo (que também se encontrava em Manaus) e 1-0 no Nacional.[11]

Manoel terminou negociado com o Santos em março de 1968,[12] com Haroldo seguindo-o ainda naquele ano,[4] negociado no segundo semestre de 1968 por empréstimo após ter sido sondado também pelo Vasco da Gama.[13][14][15][16]

Santos

O negócio entre Tuna e Santos foi pactuado em 80 mil cruzeiros novos, com Haroldo sendo contemplado com 10 mil cruzeiros novos em luvas e salários em 800, considerados uma boa quantia à época.[3] Haroldo rumou à Vila Belmiro para ser reserva do astro Carlos Alberto Torres,[1][2][3] registrando ao todo vinte partidas,[4] algumas delas como lateral-esquerdo.[3]

Integrou ainda em 1968 o elenco campeão do Brasileirão daquele ano,[5] bem como no Torneio Internacional de Santiago.[4] Sua partida mais recordada foi vitória de 9-2 sobre o Bahia na campanha brasileira de 1968.[3] Para além das vinte partidas reconhecidas,[4] Haroldo também tomou parte em jogos-treino, que incluíram a única exibição de César Luis Menotti (futuro treinador da Argentina vencedora da Copa do Mundo FIFA de 1978) como jogador alvinegro, contra o Cianorte, em 10 de novembro daquele mesmo ano.[17]

Porém, pela condição habitual de reserva, ao longo do tempo tornou-se comum confundir-se Haroldo com Haroldo Sombra,[4] zagueiro santista entre 1963 e 1967.[18] No primeiro semestre de 1969, Haroldo foi emprestado ao XV de Piracicaba.[19] Ficou no Santos até 1970,[20] vencendo ali a Taça Cidade de São Paulo.[4]

Outros clubes

Descontente com o estabelecimento de regime disciplinar que julgava excessivo em 1970, Haroldo, aconselhando a aproveitar uma brecha contratual após lapso da diretoria santista em não exercer direito de preferência, obteve passe livre e negociou com Jair da Rosa Pinto,[3] então treinador de um momento forte do Olaria. Haroldo fez parte de um dos melhores times da história deste clube, que terminou o Campeonato Estadual daquele ano na terceira posição.[21] Depois do destaque neste campeonato, foi contratado pelo Vasco,[21] por 150 mil cruzeiros, recebendo 80 mil de luvas e 5 mil em salários.[3]

Atuou pelo Vasco entre 1971 e 1972, chegando a ser colega de Tostão. Inicialmente bem relacionado com o então técnico vascaíno Paulo Amaral, não agradava tanto o sucessor Mário Travaglini. A perda de prestígio e atrasos salariais levaram o paraense a ser emprestado sucessivamente até o fim do contrato,[3] negociado em 1973 com o CRB e em 1974 com o Saad.[22] Recebendo remuneração menor, mas pontualmente, destacou-se nesses dois clubes,[3] tendo figurado no campeonato paulista de 1975 em vitória do Saad sobre o próprio Santos dentro do Pacaembu.[23]

Ainda em 1975, Haroldo aceitou proposta para transferir-se ao Moto Club, onde optou em 1976 por parar de jogar e regressar ao Pará, fixando residência em Ananindeua, na Grande Belém.[3]

Títulos

Santos

CRB

Referências

  1. a b c «A Tribuna (SP) - 1960 a 1969 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  2. a b «Cidade de Santos (SP) - 1967 a 1987 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o DA COSTA, Ferreira (2013). Haroldo - Jogou no Santos, do "Rei" Pelé. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 155-157
  4. a b c d e f g h i j k OLIVEIRA, Evaldo Rodrigues (2021). HAROLDO SILVA (1968-1970). Almanaque dos Craques - Santos F.C.. São Paulo: Editora Onze Cultural, p. 130
  5. a b c «Feliz pela unificação, Pelé 'reinventa' hino do Santos». Lance!. 28 de dezembro de 2015. Consultado em 3 de fevereiro de 2026 
  6. OLIVEIRA, Evaldo Rodrigues (2021). PINHEGAS (1948-1951). Almanaque dos Craques - Santos F.C.. São Paulo: Editora Onze Cultural, pp. 229-230
  7. a b c d Convidado (5 de abril de 2020). «Há 35 anos, a Tuna Luso levava a primeira taça nacional ao Norte: as glórias da Águia». Trivela. Consultado em 16 de maio de 2025 
  8. «Nos 400 anos de Belém, um timaço só com grandes jogadores paraenses que serviram a Seleção». Trivela. 12 de janeiro de 2016. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  9. CRUZ, Pedro; PÊNA, Gustavo; SAUMA, Jorge (25 de junho de 2018). «Ex-Santos e pupilo de Luxemburgo, meia larga o futebol e vira conselheiro espiritual». Globo Esporte. Consultado em 27 de janeiro de 2026 
  10. «Tuna Luso». Futebol80. Consultado em 7 de março de 2025 
  11. DA COSTA, Ferreira (2013). Em 1967, a Tuna foi a Manaus, fez oito jogos e voltou invicta. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 130-132
  12. DA COSTA, Ferreira (2013). 1968 - Remo mantém Amoroso, o "pé de coelho", e levanta o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 153-155
  13. «Diario da Noite (RJ) - 1960 a 1969 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  14. «Cidade de Santos (SP) - 1967 a 1987 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  15. «Cidade de Santos (SP) - 1967 a 1987 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  16. «A Tribuna (SP) - 1960 a 1969 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  17. «César Luis Menotti, o técnico da Copa 1978 que a seleção teve graças ao Juventus-SP». Futebol PortenhoA. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  18. OLIVEIRA, Evaldo Rodrigues (2021). HAROLDO SOMBRA (1963-1967). Almanaque dos Craques - Santos F.C.. São Paulo: Editora Onze Cultural, p. 131
  19. «Jornal dos Sports (RJ) - 1960 a 1969 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  20. «Cidade de Santos (SP) - 1967 a 1987 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de maio de 2025 
  21. a b «Olaria Atlético Clube - Rio de Janeiro (RJ): "Era de Ouro do Alvianil da Rua Bariri, em 1971"». História do Futebol. 20 de outubro de 2021. Consultado em 16 de maio de 2025 
  22. Abril, Editora (28 de fevereiro de 1975). Placar Magazine. [S.l.]: Editora Abril. Consultado em 16 de maio de 2025 
  23. «15/03/1975 – Santos 2 x 3 Saad – Campeonato Paulista». Acervo Santista. Consultado em 26 de novembro de 2025