Harlem Nights
Harlem Nights
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| No Brasil | Os Donos da Noite |
| Em Portugal | Os Reis da Noite |
1989 • cor • 115 min | |
| Gênero | comédia dramática, policial |
| Direção | Eddie Murphy |
| Produção | Mark Lipsky Robert D. Wachs |
| Roteiro | Eddie Murphy |
| História | Eddie Murphy |
| Elenco | Eddie Murphy Richard Pryor Redd Foxx Danny Aiello Michael Lerner Della Reese |
| Música | Herbie Hancock |
| Cinematografia | Woody Omens |
| Companhia produtora | Eddie Murphy Productions |
| Distribuição | Paramount Pictures |
| Lançamento | 17 de novembro de 1989 (Estados Unidos e Canadá) |
| Idioma | inglês |
| Orçamento | US$ 30 milhões |
| Receita | US$ 95 milhões |
Harlem Nights (bra: Os Donos da Noite[1]; prt: Os Reis da Noite[2]) é um filme de comédia dramática e policial americano de 1989, dirigido, escrito e estrelado por Eddie Murphy, que o protagoniza ao lado de Richard Pryor. O filme ainda conta com Redd Foxx, Danny Aiello, Michael Lerner, Della Reese, Arsenio Hall e o irmão de Murphy, Charlie Murphy no elenco.[3]
O filme segue a história de "Sugar" Ray e Vernest "Quick" Brown, uma dupla que administra uma boate no final da década de 1930 no Harlem, enquanto lutam contra gângsteres e policiais corruptos. Foi lançado pela Paramount Pictures em 17 de novembro de 1989.
Este filme é até hoje a única experiência de Murphy como cineasta. Ele sempre quis se arriscar como diretor e estrelar um filme de época, bem como trabalhar com Pryor, a quem considerava sua maior influência na comédia stand-up.[4] Por seu trabalho, Murphy foi indicado a "Pior Diretor" no Framboesa de Ouro, tendo ganhado o de "Pior Roteiro". O filme também chegou a ser indicado ao Oscar de melhor figurino.
Apesar de ter tido uma estreia forte, o filme foi uma decepção nas bilheterias. Entretanto, é cultuado por ter em seu elenco três gerações de comediantes negros americanos (Foxx, Pryor e Eddie Murphy).[5] Harlem Nights marcou a última aparição de Foxx no cinema, antes de sua morte em 1991.
Enredo
Na Nova Iorque de 1918, Sugar Ray, o dono de um cassino, é quase morto por um cliente irritado. No entanto, ele é salvo por um garoto de sete anos que atira contra o homem. Ao saber que os pais do garoto morreram, Sugar decide criá-lo como seu filho. O menino, Vernest Brown, recebe o apelido de Quick.
Vinte anos depois, na década de 1930, Sugar e Quick - pai e filho - são proprietários do clube noturno mais popular do Harlem, com jogos de azar, dança e um bordel nos fundos comandado pela madame Vera. Ameaçados pelo gângster branco Calhoune, que quer controlar a região, a dupla acaba armando várias confusões para manter o negócio da família aberto.[5]
Elenco
- Eddie Murphy ... Vernest "Quick" Brown
- Desi Arnez Hines II ... Quick (criança)
- Richard Pryor ... "Sugar" Ray
- Redd Foxx ... Bennie Wilson
- Danny Aiello ... Phil Cantone
- Michael Lerner ... Bugsy Calhoune
- Della Reese ... Vera
- Berlinda Tolbert ... Annie
- Stan Shaw ... Jack Jenkins
- Jasmine Guy ... Dominique La Rue
- Vic Polizos ... Richie Vento
- Lela Rochon ... Sunshine
- David Marciano ... Tony
- Arsenio Hall ... Reggie
- Thomas Mikal Ford ... Tommy Smalls
- Miguel A. Núñez Jr. ... capanga de Smalls
- Charlie Murphy ... Jimmy
- Robin Harris ... Romeo
- Ray Murphy ... Willie
- Michael Buffer ... locutor da luta
- Reynaldo Rey ... jogador
- Don Familton ... árbitro
- Ji-Tu Cumbuka ... Daryl
Produção
"Está se tornando mais agradável do que eu esperava. [Murphy é] sábio o suficiente para ouvir as pessoas. Eu o vi sendo muito paciente com seus atores. Não é brincadeira para ele. Ele é muito sério. Você anda por aqui e olha para as pessoas, você já viu tantos negros em um set de filmagem? Eu não."
Richard Pryor em entrevista para a Rolling Stone na época do filme.[6]
O papel de Dominique La Rue, interpretado por Jasmine Guy, foi originalmente interpretado pela atriz Michael Michele. Michele foi demitida durante a produção porque, de acordo com Murphy, ela "não estava dando certo". Michele processou Murphy, dizendo que na realidade ela foi demitida por rejeitar os avanços românticos de Murphy. Murphy negou a acusação, dizendo que nunca teve uma conversa particular com ela. O processo foi resolvido fora do tribunal por uma quantia não revelada.[7]
Assim como Pryor, Reddie Foxx também elogiou o trabalho de Murphy como cineasta, dizendo "Ele está no topo do mundo e está fazendo um trabalho incrível. Ele realmente sabe como lidar com as pessoas com sensibilidade. Ele chega ao seu lado e dá instruções particulares — ele nunca envergonha ninguém."[8]
Sobre a recepção do filme, Murphy disse: "Não foi uma experiência agradável. Eu só queria dirigir - só para ver se eu consigia fazer isso. E eu descobri que não consigo, e não vou mais fazer isso. E o mais importante é que eu não gostei de fazer isso. O problema com Harlem Nights não foi a direção tanto quanto foi o roteiro. Foi simplesmente escrito de forma errada, e isso porque eu juntei tudo muito rápido. E então foi decepcionante porque Richard não era do jeito que eu pensei que Richard seria. Eu pensei que seria uma coisa colaborativa onde eu poderia trabalhar com meu ídolo, e então seria como, "Isso é ótimo." Mas Richard vinha ao set, dizia sua fala e ia embora, não era algo colaborativo".[9]
Mais tarde, ele disse: "Aquele filme foi um borrão. Era Richard [Pryor], Robin Harris — todos comediantes. Lembro-me de Richard e Redd Foxx rindo fora de cena durante todo o filme. A coisa mais engraçada era fora das câmeras, estávamos todos chorando. Redd era um cara muito engraçado, ele fazia o set gritar o tempo todo. Mas depois foi tipo, "Uau, isso dá muito trabalho". Eu era muito jovem quando fiz isso. Eu tinha um pé na balada e outro no set, muitas coisas acontecendo. É incrível que tenha dado certo." Ele também disse que não sabia que Pryor estava doente na época. "Ele estava com esclerose múltipla na época, mas ninguém sabia que estava acontecendo. E eu era como um cachorrinho para ele, porque ele era meu ídolo. "Ei! Vamos fazer esse filme!" Eu nunca consegui entender o que estava acontecendo até depois. Então essa parte foi meio triste".[10]
Recepção
Resposta da crítica
Harlem Nights teve recepção geralmente desfavorável por parte da crítica especializada. Em base de 14 avaliações profissionais, alcançou uma pontuação de 16% no Metacritic. Por votos dos usuários do site, atinge uma nota de 7.7, usada para avaliar a recepção do público.[11]
Michael Wilmington observou no Los Angeles Times que o "design de produção carece de brilho. O filme também carece do Harlem fora dos arredores espalhafatosos do submundo do crime, da pobreza, da imundície, da dor, da humanidade, do humor e do perigo que alimentam essas fantasias mafiosas".[12]
Tanto Gene Siskel quanto Roger Ebert, citando-o como o pior filme de 1989, com Siskel afirmando que era racista, sexista e mal dirigido, e Ebert concordando com ele, acrescentando também que eles achavam que Murphy estava dirigindo um filme para se autodenominar diretor.[13]
Sobre a recepção negativa, Eddie Murphy disse: "Havia validade em muitas coisas que as pessoas estavam dizendo sobre Harlem Nights, mas depois eles foram ainda mais maldosos porque era eu. Acho que eles o viam como alguém com um ego descontrolado fazendo todas essas coisas... Não era nada disso. Era como "deixe-me ver se consigo fazer isso", e eu consegui. E eu fiquei tipo "Não gosto disso. Nunca mais vou fazer isso".[14]
Controvérsias sobre tiroteio nos cinemas
Em 17 de novembro de 1989, dois homens foram baleados no estacionamento do lado de fora de um cinema no subúrbio de Detroit, em Southfield, Michigan.[15] De acordo com testemunhas citadas no Detroit Free Press, o tiroteio aconteceu na noite de estreia, durante um tiroteio na abertura do filme. Uma mulher de 22 anos, que entrou em pânico e correu para o trânsito, estava em estado crítico dois dias depois no hospital; seu nome não foi mencionado pelas autoridades. Menos de uma hora após o tiroteio, a polícia chegou ao cinema e encontrou um homem de Detroit de 24 anos que havia atirado em um policial. O atirador ficou ferido quando o policial atirou nele de volta no estacionamento. O incidente fez com que a rede de cinemas parasse as exibições de Harlem Nights três vezes durante a mesma sessão.[16]}}
Mais tarde naquela noite, os brigões foram expulsos de um cinema em Sacramento que exibia Harlem Nights. A briga continuou em um estacionamento e terminou com tiros. Dois homens de 24 anos ficaram gravemente feridos. Uma hora depois, Marcel Thompson, de 17 anos, foi mortalmente baleado em uma briga semelhante em um cinema em Richmond (Califórnia). Quando a polícia interrompeu a projeção do filme para encontrar suspeitos, um tumulto de uma hora eclodiu. Em Boston, o prefeito Raymond Flynn viu tantas brigas ocorrendo em uma multidão saindo de Harlem Nights que a princípio ameaçou fechar o cinema, mas decidiu reforçar a segurança policial no local. Flynn culpou o filme pelo tumulto, afirmando que ele "glorifica a violência". No entanto, Raymond Howard, tenente do departamento de polícia de Richmond, defendeu o filme, dizendo: "Não há nada de errado com o filme. Mas isso me diz algo sobre a natureza das crianças que vão assistir a esses conteúdos".[17]
Se houver uma briga no McDonald's , o que isso tem a ver com o McDonald's? ... Se houver uma briga no Giants, você vai culpar os Giants? Claro que não. Não é sobre o filme do Eddie Murphy.[17]
— Bob Wachs, empresário de Eddie Murphy, sobre os incidentes no cinema, 4 de dezembro de 1989.
Referências
- ↑ Os Donos da Noite no AdoroCinema
- ↑ Público. «Os Reis da Noite». RTP. Consultado em 21 de maio de 2024
- ↑ Harlem Nights no IMDb
- ↑ Reid, Shaheem (12 de dezembro de 2005). «Chris Rock, Bernie Mac, Eddie Murphy Call Pryor The Real King Of Comedy». MTV News. Consultado em 5 de janeiro de 2015
- ↑ a b Rotten Tomatoes: "Harlem Nights (1989)"
- ↑ Zehme, Bill (24 de agosto de 1989). «Eddie Murphy: the Rolling Stone interview». Rolling Stone. p. 5o
- ↑ Zehme, Bill (24 de agosto de 1989). «Eddie Murphy: Call Him Money». Rolling Stone. Consultado em 30 de maio de 2016. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2017
- ↑ «Eddie Murphy and Spike Lee in Conversation: Our 1990 Cover Story». 19 de novembro de 2020. Consultado em 26 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de maio de 2021
- ↑ «Eddie Murphy and Spike Lee in Conversation: Our 1990 Cover Story». 19 de novembro de 2020. Consultado em 26 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de abril de 2021
- ↑ «Eddie Murphy on Making His First Indie Movie, Celebrating Pluto Nash, and Returning to Stand-up». 15 de dezembro de 2016. Consultado em 15 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 15 de fevereiro de 2019
- ↑ «Harlem Nights» (em inglês). Metacritic. Consultado em 16 de agosto de 2014
- ↑ «MOVIE REVIEW : Eddie Murphy's 'Harlem Nights': Slick, Slack». The Los Angeles Times. Consultado em 21 de novembro de 2010. Cópia arquivada em 6 de março de 2016
- ↑ «siskelebert.org». Siskel and Ebert Movie Reviews. Consultado em 19 de agosto de 2023
- ↑ «Nancy Collins Interviews Eddie Murphy». YouTube. 25 de janeiro de 2021
- ↑ «Southfield movie theater canceled all ...». Orlando Sentinel. 20 de novembro de 1989. Consultado em 29 de julho de 2015. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2015
- ↑ «Shooting, violence mar 'Harlem Nights'». Ludington Daily News. 20 de novembro de 1989. Consultado em 7 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 15 de setembro de 2012
- ↑ a b «Violence Darkens the Bright Opening of Eddie Murphy's Plush, Flush Harlem Nights». People. Consultado em 24 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 14 de julho de 2014
Ligações externas
- Harlem Nights no IMDb
- «Harlem Nights» (em inglês) no Metacritic
- Harlem Nights (em inglês). no Box Office Mojo.
- «Harlem Nights» (em inglês) no Rotten Tomatoes
| Prêmios | ||
|---|---|---|
| Precedido por Caddyshack II |
Stinker Award for Worst Picture Prêmio Stinker de Pior Filme de 1989 |
Sucedido por The Bonfire of the Vanities |
