Halichoeres dimidiatus
| Halichoeres dimidiatus | |
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| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia
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| Filo: | Chordata
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| Classe: | Actinopterygii
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| Ordem: | Perciformes
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| Família: | Labridae
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| Gênero: | Halichoeres
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| Espécies: | H. dimidiatus
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| Nome binomial | |
| Halichoeres dimidiatus (Agassiz, 1831)
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| Sinónimos | |
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Halichoeres dimidiatus, conhecido popularmente como bodião-azul-brasileiro, é uma espécie de peixe recifal da família Labridae.[1] É uma espécie endêmica da costa brasileira, descrita pelo naturalista Louis Agassiz em 1831. O nome dimidiatus (do latim, "dividido ao meio") refere-se à distinta divisão de cores em seu corpo, especialmente na fase inicial.[2]
Descrição morfológica
Halichoeres dimidiatus exibe um acentuado dicromatismo sexual e ontogenético, ou seja, a coloração varia drasticamente entre machos, fêmeas e jovens. A espécie pode atingir um comprimento total de até 30 centímetros.[1]
A fase inicial (fêmeas e juvenis) é caracterizada por um corpo com a metade superior amarela ou dourada e a metade inferior branca. Uma proeminente faixa azul-brilhante percorre o corpo horizontalmente, desde o focinho, passando pelo olho, até a base da nadadeira caudal. Indivíduos juvenis são conhecidos por atuarem como "limpadores", removendo ectoparasitas de outros peixes maiores.[3]
A fase terminal (machos) apresenta uma transformação notável: o corpo torna-se predominantemente azul-esverdeado, com a cabeça e a região dorsal adquirindo uma tonalidade amarela ou laranja-viva. A faixa azul lateral tende a desaparecer ou se tornar menos evidente. Durante a noite ou quando se sentem ameaçados, enterram-se completamente no substrato arenoso.[1]
Distribuição e habitat
Halichoeres dimidiatus é uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo em recifes ao longo da costa atlântica, desde o Parcel de Manuel Luís, no Maranhão, até o estado de Santa Catarina no sul do país.[4][5]
Habita recifes de coral e rochosos, em profundidades que podem variar de 1 a mais de 30 metros. Prefere áreas com fundos mistos de areia, cascalho e rochas, onde encontra abrigo e alimento. A presença de substrato arenoso é essencial para seu comportamento de se enterrar.[1]
Biologia e ecologia
Alimentação
É uma espécie carnívora, com uma dieta baseada em pequenos invertebrados bentônicos. Alimenta-se de crustáceos (como caranguejos, siris e camarões), moluscos (pequenos gastrópodes e bivalves), equinodermos (ouriços-do-mar e ofiuroides) e poliquetas. Utiliza seus dentes caninos para arrancar e esmagar as presas de seus esconderijos nos recifes.[2]
Comportamento e reprodução
Halichoeres dimidiatus é uma espécie diurna e territorial. Como muitos labrídeos, é um hermafrodita protogínico sequencial: os indivíduos nascem como fêmeas e, posteriormente, podem se transformar em machos. Essa transição é geralmente socialmente mediada, ocorrendo quando o macho dominante de um harém desaparece. Os machos defendem territórios que englobam os territórios menores de várias fêmeas, com as quais acasalam.[3] A desova ocorre em pares ou em grupos, liberando ovos e esperma na coluna d'água.
Importância econômica
A espécie não é alvo da pesca comercial para consumo devido ao seu tamanho relativamente pequeno e à sua carne. No entanto, possui valor no mercado de aquariofilia, sendo ocasionalmente capturada para o comércio de peixes ornamentais. Sua beleza e comportamento ativo a tornam desejável para aquaristas marinhos. Ecologicamente, desempenha um papel importante na regulação das populações de invertebrados nos ecossistemas recifais.[1]
Estado de conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica Halichoeres dimidiatus como Pouco Preocupante. A avaliação se baseia em sua distribuição relativamente ampla ao longo da costa brasileira e por ser localmente comum. Embora não enfrente ameaças diretas severas, a degradação de habitats recifais, a poluição costeira e a coleta para o aquarismo podem representar pressões localizadas sobre suas populações.[6]
Referências
- ↑ a b c d e «Halichoeres dimidiatus, Brazilian-blue wrasse». FishBase (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ a b Rocha, Luiz A.; Rosa, Ricardo S. (2001). «New species of Halichoeres from the southwestern Atlantic (Teleostei: Labridae)». Zootaxa. 8: 1-10
- ↑ a b Sazima, Ivan; Moura, Rodrigo L.; Sazima, Cristina (2004). «Cleaning activity of juvenile angelfish, Pomacanthus paru, on captive reef fishes». Neotropical Ichthyology. 2 (2): 87–90
- ↑ Feitosa, Carlos V. (2004). Composição, distribuição e estrutura trófica da comunidade de peixes recifais do Parcel do Manuel Luís, Maranhão (Tese). Universidade Federal do Ceará. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ Batista, Anderson Antônio (2016). ECOMORFOLOGIA E USO DE HABITAT DE PEIXES CRÍPTICOS EM RECIFES ROCHOSOS SUBTROPICAIS DO ATLÂNTICO SUL OCIDENTAL (Tese). Universidade Federal de Santa Catarina. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ Rocha, L.A. (2010). «Halichoeres dimidiatus». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 10 de julho de 2025

