Hair (oficial de Papa)
| Hair | |
|---|---|
| Etnia | Armênio |
| Ocupação | Hair |
| Religião | Catolicismo |
Hair (em armênio: Հայր; romaniz.: Hayr) foi um oficial eunuco do século IV, ativo durante a regência da rainha Farranzém (r. 368–370) e no tempo do rei Papa (r. 370–374). Hair não era seu nome, mas o título de grão-camareiro da Armênia.[1] Teve algum papel no Cerco de Artogerassa (368–370) conduzido pelas tropas do Império Sassânida e foi executado por isso.
Contexto
Em meados do século IV, o Reino da Armênia era governada pelo rei pró-romano Ársaces II (r. 350–368). No entanto, com a morte do imperador Juliano (r. 361–363) na Batalha de Samarra em 363, as forças romanas se retiraram da Armênia, expondo-a ao Império Sassânida. Isso forçou Ársaces, assim como muitos nobres armênios, a partir à corte persa em Ctesifonte para jurar lealdade ao xainxá Sapor II (r. 309–379). Porém, a recusa de Ársaces em aceitar as exigências de Sapor resultou em sua prisão no Castelo do Esquecimento, enquanto Vasaces foi torturado até a morte.[2] Com a eliminação de Ársaces (que decidiu se suicidar), Sapor enviou tropas à Armênia.[3][4]
Vida
A viúva de Ársaces, a rainha Farranzém, organizou a resistência e enviou uma delegação sob o comando do asparapetes Musel I aos romanos para pedir ajuda em nome de seu herdeiro Papa, mas eles estavam relutantes em se envolver na guerra e apoiar a Armênia, que já estava devastada pelas forças iranianas.[5] Hair aparece no Cerco de Artogerassa (368–370) conduzido pelos generais do Império Sassânida, quando entrou secretamente no forte e insultou Farranzém ao chamá-la de prostituta e os arsácidas, ao alegar que estavam esperando julgamento e desgraça e perderiam suas terras. Antes de sair, disse: "O que ocorreu com ti foi justo, e é assim que vai ocorrer".[6] No reinado de Papa (r. 370–374), Hair circulou por seu principado em Taraunitis. À época, Musel I estava em Olana e recebeu ordens para matá-lo com severidade pelos insultos a Farranzém. Musel convocou-o, sob pretexto de que iria exaltá-lo. Ao chegar, foi capturado pelas tropas de Musel, que amarram suas mãos abaixo dos joelhos. Como era inverno e o Eufrates estava congelado, Musel ordenou que fosse colocado no rio, onde pereceu. No dia seguinte foram olhar seu corpo e notaram que seu cérebro havia escorrido por seu nariz. Cílaces foi nomeado em seu lugar.[7]
Referências
- ↑ Toumanoff 1963, p. 169.
- ↑ Grousset 1973, p. 138-143.
- ↑ Daryaee 2014, p. 19.
- ↑ Chaumont 1986, p. 418–438.
- ↑ Grousset 1973, p. 143-147.
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 173-176 (IV.lv).
- ↑ Fausto, o Bizantino 1989, p. 188-189 (V.3).
Bibliografia
- Chaumont, M. L. (1986). «Armenia and Iran ii. The pre-islamic Period». Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia
- Daryaee, Touraj (2014). Sasanian Persia: The Rise and Fall of an Empire. Londres: I.B.Tauris. ISBN 978-0857716668
- Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard
- Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press