Guarda Real dos Archeiros
| Guarda Real dos Archeiros | |
|---|---|
![]() Um archeiro da Guarda Real, pintado por Alfredo Roque Gameiro, 1888 | |
| País | Portugal |
| Corporação | Casa Real Portuguesa |
| Missão | Segurança imediata dos Monarcas Portugueses |
| Criação | Século XVI |
| Extinção | 1910 |
A Guarda Real dos Archeiros constituiu o corpo de segurança imediata dos Monarcas Portugueses, desde o século XVI até ao final da Monarquia em 1910. Os seus membros estavam armados com alabardas. Até ao reinado de D. Pedro II, chamou-se Guarda Real dos Alabardeiros, sendo também referida simplesmente como Guarda Real.
A Guarda Real dos Archeiros encarregava-se da segurança dos Monarcas e da Família Real no interior das suas residências. Tinha também uma função cerimonial, montando guardas em escadarias, galerias, pátios, corredores e jardins dos palácios. A segurança exterior das residências reais e a escolta durante as deslocações era assegurada por unidades do Exército Português, sendo alguns regimentos de elite selecionados para esta função.
História
Antes da existência da Guarda Real dos Archeiros, o rei D. João II criou dois corpos para sua guarda pessoal. O primeiro era a Guarda de Câmara, com cerca de 20 homens, que guardava o Rei nos seus aposentos, acompanhando-o sempre de perto. O segundo era a Guarda de Ginetes, um corpo de cavalaria ligeira (ginetes) encarregue de escoltar o Rei nas suas deslocações fora do Paço Real. D. Manuel I manteve as guardas de Câmara e de Ginetes, a primeira constituída por 24 cavaleiros que dormiam no Paço junto à câmara do Rei e a segunda composta de 200 cavaleiros, armados de lanças e adargas, que o acompanhavam quando se deslocava. A Guarda de Ginetes foi aparentemente descontinuada no tempo do rei D. João III, sabendo-se que este monarca passeava por locais públicos com pouca ou nenhuma segurança.[1]
A Guarda Real dos Alabardeiros foi criada durante a regência da rainha D. Catarina de Áustria, em nome de seu neto o rei D. Sebastião, em substituição da Guarda de Câmara, como uma companhia de alabardeiros a pé, sendo todos os seus membros portugueses e tendo como seu primeiro capitão Francisco de Sá de Meneses, conde de Matosinhos.
Em 1580, Filipe II de Espanha assumiu a Coroa de Portugal, estabelecendo a União Ibérica e nomeando o arquiduque Alberto da Áustria como vice-Rei de Portugal, com residência em Lisboa. O arquiduque Alberto manteve a Guarda Real dos Archeiros, mas acrescentou-lhe uma segunda companhia, constituída por alabardeiros alemães. A Guarda — com as companhias Portuguesa e Alemã — foi mantida pelos seguintes vice-Reis, sendo usada essencialmente na proteção destes, uma vez que os próprios Reis não residiam em Portugal.
No século XVI, outras guardas semelhantes foram criadas em Portugal, respetivamente pela Universidade de Coimbra e pelos duques de Bragança. A primeira — ainda hoje existente — era responsável pela polícia da universidade e da cidade de Coimbra, sendo a segunda responsável pela guarda ducal.
No 1º de dezembro de 1640, a independência de Portugal foi restaurada, tornando-se, o duque de Bragança, Rei de Portugal como D. João IV. D. João IV manteve a Guarda Real dos Alabardeiros com as companhias Portuguesa e Alemã, mas acrescentando-lhe a nova Companhia do Príncipe, formada a partir da sua anterior guarda ducal de alabardeiros.[2][3]
A partir dos reinados de D. Pedro II e D. José I, a guarda passa a ser referida como Guarda Real dos Archeiros.[1]
A Guarda Real dos Archeiros era essencialmente uma guarda palaciana e cerimonial. Como, desde a extinção da Guarda de Ginetes, não existia uma guarda de corpo que assegurasse a segurança exterior do Paço Real e a escolta aos Monarcas quando se deslocassem, essa função passou a ser assegurada por algumas unidades do Exército e da Armada especialmente selecionadas de entre os regimentos de elite. Em 1790, um alvará da rainha D. Maria I previa a criação de uma guarda de corpo a cavalo, mas a mesma nunca foi efetivamente criada. Em 1842, viria a ser criado o Regimento de Granadeiros da Rainha para guarda militar da rainha D. Maria II, mas o mesmo acabaria por ser transformado num regimento de infantaria regular e perder estas funções em 1855.[1]
A Guarda Real acompanhou a transferência da Família Real para o Brasil em 1807. Quando em 1822, foi declarada a independência do Brasil, o Imperador D. Pedro I criou a Guarda Imperial dos Arqueiros, inspirada na Guarda portuguesa.[4]
Por Decreto de 28 de agosto de 1833, as três companhias da Guarda Real dos Archeiros foram fundidas numa única só, constituída apenas por portugueses. A Guarda existiu até ao final da Monarquia em 5 de outubro de 1910.[5]
Galeria
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Guarda Real dos Archeiros à entrada do Mosteiro dos Jerónimos, inícios do século XX. -
O marquês do Faial, comandante da Guarda Real dos Archeiros, a cavalo no funeral do rei D. Carlos I e do príncipe D. Luís Filipe, 1908 -
Archeiros à entrada do Palácio das Cortes, aguardando a chegada do rei D. Manuel II para a sessão de abertura do parlamento, 1908. -
Archeiros nas escadarias da Sé de Lisboa, 1909 -
Figurinos de capitães e soldados das guardas de archeiros portuguesa e brasileira, Uniformes do Exército Brasileiro de Gustavo Barroso. -
Libré usado pelos membros da Guarda Real dos Archeiros, Museu Nacional dos Coches.
Ver também
Referências
- ↑ a b c RODRIGUES, Manuel António Ribeiro, "O Exército e a Guarda da Câmara de D. João II", III Simpósio de História Marítima, Lisboa: Academia de Marinha, 2000
- ↑ PORTUGAL, Governo do Reino, "Decreto de 10 de dezembro de 1640 - Augmento da Guarda Real"
- ↑ PORTUGAL, Rei D. João VI, "Estatutos de 5 de fevereiro de 1646 - Estatutos Gerais para a Guarda Real Portuguesa e Alemã"
- ↑ RODRIGUES, J. W., "Fardas do Reino Unido e do Império", Anuário do Museu Imperial de 1950, Petrópolis: Museu Imperial
- ↑ PORTUGAL, Secretaria de Estado do Reino, "Decreto de 28 de agosto de 1833 - Dá nova organisação á Guarda Real dos Archeiros"
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