Gruppo 70

Gruppo 70 é como ficou conhecido uma plêiade de intelectuais e artistas italianos. Seu batismo advém do congresso "Arte e Comunicação", concebido pelas mentes de Lamberto Pignotti, Eugenio Miccini, Sergio Salvi e Silvio Ramat.

Introdução

O Gruppo 70 constituiu-se em maio de 1963, em Florença, como uma agremiação de escritores, críticos, artistas plásticos e músicos dedicados à investigação das relações entre a arte e os novos meios de comunicação de massa. Sua formação é indissociável do congresso Arte e Comunicazione, promovido por Lamberto Pignotti, Eugenio Miccini, Sergio Salvi e Silvio Ramat. O grupo emergiu num contexto de intensas transformações culturais e tecnológicas, refletindo sobre o estatuto da linguagem artística na era da comunicação de massa.[1][2]

Desenvolvimento

O Gruppo 70 articulou-se inicialmente em torno das atividades da revista Quartiere (1958–1960), editada por Gino Gerola, Sergio Salvi, Giuseppe Zagarrio, Lamberto Pignotti e Eugenio Miccini. A publicação propunha a revisão crítica da literatura à luz das mudanças sociais e tecno-científicas então emergentes, configurando um projeto de superação das formas tradicionais da expressão artística.[3]

A esse núcleo somaram-se, entre 1963 e 1965, nomes como Giuseppe Chiari, Lucia Marcucci, Ketty La Rocca e Luciano Ori. Paralelamente, o grupo estabeleceu vínculos com o movimento pictórico da Nuova Figurazione e com a escola de Nuova Musica É importante, também, mencionar Antonio Bueno, Vinicio Berti, Gualtiero Nativi, Sylvano Bussotti.

O conceito de poesia tecnológica, introduzido por Pignotti em 1962 em artigos na revista Questo e Altro (L’industria che non si vede e Poesia tecnologica), desempenhou papel crucial. Fundamentado nas teorias de Max Bense, Pignotti advogava uma poética que incorporasse os códigos e temáticas da comunicação de massa, reconhecendo a influência crescente da indústria cultural na formação dos repertórios simbólicos contemporâneos.[4][5]

A conferência Arte e Comunicazione (1963), cujas atas foram publicadas no suplemento Dopotutto da revista Letteratura, e posteriormente reunidas no volume La poesia in immagine / l’immagine in poesia, consolidou os princípios do grupo. O evento contou com a participação de futuros integrantes do Gruppo 63, como Umberto Eco, Balestrini, Pagliarani e Sanguineti , Pagliarani e Sbem como de destacados críticos como Luciano Anceschi e Gillo Dorfles. Em sua intervenção, Pignotti afirmou que, na década de 1960, as técnicas da vanguarda foram absorvidas e estandardizadas pela indústria publicitária, transformando a arte em mercadoria. Para resistir a esse processo, propôs a adoção de procedimentos como a "colagem" linguística e a integração entre texto e imagem, a fim de operar uma crítica interna aos meios de comunicação.[6][7]

Relevância e Legado

O Gruppo 70 representa uma etapa fundamental na história das vanguardas italianas do pós-guerra. Sua insistência na necessidade de repensar a arte à luz das novas condições mediáticas e sociais antecipa debates cruciais para a compreensão das práticas contemporâneas. A articulação entre texto, imagem e tecnologia, proposta pelo grupo, permanece como legado relevante para as gerações subsequentes.[8][9][10]

Referências

  1. Spignoli, Teresa. Gruppo 70. In La Culture del Dissenso. Università degli Studi di Firenze. Consultado em 26 de abril de 2025.
  2. Torselli, Vilma. Gruppo 70. In artonweb. Consultado em 26 de abril de 2025.
  3. Torselli, Claudio. Arte e comunicazione negli anni Sessanta. Firenze: Le Lettere, 2025.
  4. Pignotti, Lamberto. "L’industria che non si vede." Questo e Altro, 1962.
  5. Pignotti, Lamberto. "Poesia tecnologica." Questo e Altro, 1962.
  6. Spignoli, T., Corsi, M., Fastelli, F., Papini, M. C. La poesia in immagine / l’immagine in poesia. Gruppo 70. Firenze 1963–2013. Pasian di Prato: Campanotto, 2014.
  7. Eco, Umberto. Il Gruppo 63, quarant'anni dopo. Prolusione tenuta a Bologna per il Quarantennale del Gruppo 63, 8.5..2003. Consultado em 26 de abril de 2025.
  8. Saccà, L. La parola come immagine e come segno. Firenze: storia di una rivoluzione colta (1960-1980). Pisa: Pacini Editore, 2000
  9. Fastelli, Federico. Avanguardia o sopravvivenza: il_Gruppo 70 e la dischiusura del campo letterario. Firenze: Firenze University Press, 2014. Consultado em 26 de abril de 2025.
  10. Magni, Stefano. Militancy and Revolution in the Art of Gruppo 70’s “Visual Poetry”. Diacritica. Consultado em 26 de abril de 2025.