Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT+
| Fundação |
21 de maio de 1993 (32 anos) |
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| Tipo |
Organização não-governamental |
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| Propósito |
Direitos LGBT+ |
| Sede social | |
| País |
| Fundador |
Augusto Andrade e Luiz Carlos Freitas |
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| Website |
O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT+ é uma organização não governamental, com sede no Rio de Janeiro, dedicada à defesa dos direitos humanos e à promoção da cidadania da população LGBTQIAPN+. Foi fundado em 21 de maio de 1993 por Augusto Andrade e Luiz Carlos Barros de Freitas, e é uma das entidades mais antigas do movimento LGBT+ em atividade no Brasil após a redemocratização .
Desde 2010, o Grupo Arco-Íris organiza um acervo dedicado à história dos movimentos LGBT no Brasil e, em 2018, criou um centro de memória que deu origem ao projeto do Museu Movimento LGBTI+ Rio, inaugurado em 2023, quando o Grupo Arco-Íris completou 30 anos em atividade.[1] No mesmo ano, grupo foi certificado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) como ponto de memória social, reconhecimento concedido a iniciativas que promovem a preservação do patrimônio cultural e da memória coletiva.[2][3]
História
O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ surgiu em 1993, no Rio de Janeiro, inspirado pela experiência de Augusto Andrade e Luiz Carlos Barros de Freitas durante uma viagem aos Estados Unidos. Ao visitarem o distrito de Castro, em São Francisco, presenciaram manifestações públicas de afeto e liberdade de expressão da comunidade LGBT+, fundando assim o Grupo Arco-Íris. A primeira reunião do grupo ocorreu no bairro da Tijuca, com foco na promoção da autoaceitação e no enfrentamento da homofobia estrutural.
O grupo esteve à frente da organização de todas as edições da Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro e ampliou sua atuação para diversas frentes, como educação, políticas públicas e articulação com instituições governamentais e outras organizações da sociedade civil.[4] A "Campanha Não Homofobia!", promovida pelo Grupo Arco-Íris, foi a principal peça de divulgação da 13ª Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, realizada em 2008.[4]
Desde sua fundação, o Grupo Arco-Íris se destacou por articular ações culturais, educativas e políticas voltadas à população LGBT+,[4] com ênfase em juventudes, prevenção às ISTs e valorização da memória LGBT+. Também atuou fortemente em campanhas de enfrentamento à violência e ao preconceito.[5]
Paradas e reconhecimento
O Grupo Arco-Íris é responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBT+ do Rio de Janeiro desde a sua primeira edição, intitulada "Marcha pela Cidadania Plena de Gays e Lésbicas", realizada em 1995 como ação política de afirmação e etapa final da 17a. Conferência da ILGA – International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association. É expressivamente considerada pela comunidade LGBT como a primeira parada LGBT realizada no Brasil.[6] O evento consolidou-se como uma das maiores manifestações do gênero no país, reunindo milhares de pessoas anualmente, e continua a ser organizada pelo grupo.[7]
No estado do Rio de Janeiro, o Grupo Arco-Íris é reconhecido como instituição de utilidade pública desde o ano 2000.[8]
Em 2023, durante a comemoração pelos 30 anos de fundação do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT+, o deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) apresentou proposta de concessão da Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do estado do Rio de Janeiro, ao grupo.[9] Entretanto, a iniciativa foi arquivada após um embate no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com oposição de parlamentares conservadores, especialmente o deputado Alan Lopes (PL), que vinculou sem apresentar provas imagens da Marcha das Vadias de 2013 ao Grupo Arco-Íris.[7]
Diante do arquivamento, Minc organizou junto ao grupo uma cerimônia alternativa que ocorreu em 16 de novembro de 2023 no plenário da Alerj, onde o Grupo Arco-Íris foi homenageado com um troféu e apresentações culturais, incluindo um coral e performances de drag queens.[10]
Ver também
- Direitos LGBT no Brasil
- Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT)
Referências
- ↑ Kaio, Phelipe (21 de março de 2025). «Cláudio Nascimento e o Grupo Arco-íris: o ativismo que fortaleceu a luta contra LGBTfobia no Brasil». Mídia NINJA. Consultado em 4 de junho de 2025
- ↑ «Grupo Arco-Íris recebe certificado por promover memória social LGBTI+». www.folhape.com.br. Consultado em 4 de junho de 2025. Cópia arquivada em 4 de junho de 2025
- ↑ «Grupo Arco-Íris completa 30 anos de luta pelos direitos LGBTIQIA+». Agência Brasil. 1 de dezembro de 2023. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑ a b c Cotta, Diego de Souza (2009). Estratégias de visibilidade do movimento LGBT: Campanha não homofobia! um estudo de caso (Monografia). Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- ↑ Merola, Ediane de Barros (29 de junho de 2023). «Secretaria de Trabalho e Renda e Grupo Arco-Íris lançam Posto Avançado de Empregabilidade para pessoas LGBTQIA+». Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - prefeitura.rio. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑ «Parada LGBTI do Rio, a mais antiga do país, chega aos 40 anos». Exame. 22 de setembro de 2019. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑ a b Furtado, Otavio (14 de março de 2023). «Medalha Tiradentes para ONG LGBT gera bate-boca no plenário da Alerj». VEJA RIO. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑ «LEI Nº 3 376 DE 29 DE MARÇO DE 2000.» (publicado em 29 de março de 2000). 2000. Consultado em 4 de junho de 2025
- ↑ «ALERJ - Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro». www3.alerj.rj.gov.br. Consultado em 5 de junho de 2025
- ↑ Fábio, Zanini (17 de novembro de 2023). «Painel: Após Assembleia do Rio negar medalha a grupo LGBTQIA+, deputado leva drags ao plenário». Folha de S.Paulo. Consultado em 5 de junho de 2025. Cópia arquivada em 6 de junho de 2024