Greve dos controladores de tráfego aéreo de 1981
A greve dos controladores de tráfego aéreo de 1981 (Estados Unidos, 3 de agosto de 1981 — 5 de agosto de 1981) foi um movimento organizado pela PATCO — Professional Air Traffic Controllers Organization (em português, Sindicato dos Profissionais de Controle de Tráfego Aéreo), sindicato que buscou a obtenção de melhorias nas condições de trabalho vigentes para a categoria, entre as quais revisão salarial, redução da jornada trabalho de 40 para 32 horas semanais, além de aposentadoria após vinte anos de serviço[1]. Ainda que rapidamente reprimida pela administração do então Presidente Ronald Reagan, a mobilização passaria para a história do sindicato, como símbolo de resistência dos movimentos dos trabalhadores estadunidenses[1].
Mobilização

Em 3 de agosto de 1981, cerca de 13.000 de um total de 17.000 controladores de tráfego aéreo dos Estados Unidos, todos funcionários públicos contratados pela Administração Federal de Aviação – FAA, entraram em greve, depois que um processo de cerca de 7 meses de negociação para a formalização de um novo contrato coletivo de trabalho para a categoria acabou sendo rompido[1]. Mídia e opinião pública logo se posicionaram contra a greve, que não apenas paralisou os transportes comerciais, como também causou prejuízos para o público em geral[1].
Apenas quatro horas após o início da greve[2], Reagan determinou que os controladores de tráfego aéreo voltassem ao trabalho em, no máximo, 48 horas, argumentando que o movimento da categoria colocava em risco a segurança nacional[3][4].
Paralelo aos acontecimentos, a FAA colocou em prática planos de contingência, buscando diminuir os efeitos da greve da PATCO. O secretário de transportes Drew Lewis organizou[2] cerca de 3.000 supervisores, 2.000 controladores de voo que não haviam aderido à greve e 900 controladores de voo militares para substituir os grevistas na atividade de controle do tráfego aéreo dos aeroportos[5]. A agência estadunidense priorizou voos regulares nos principais aeroportos, procurando manter 50% dos voos disponíveis durante os horários de pico. Embora os grevistas tenham feito com que um total de 7.000 voos fossem cancelados[5], o tráfego limitado e o aumento dos esforços de monitoramento conseguiram, em pouco tempo, fazer com que cerca de 80% dos voos regulares das companhias aéreas se encontrassem operacionais. Os membros da PATCO esperavam o controle de tráfego aéreo não pudesse funcionar com a devida segurança sem eles, e não anteviram que a FAA fosse tentar operar sem 85% de sua experiente força de trabalho[2].
Mesmo com o ultimato presidencial e a declaração de ilegalidade do movimento grevista, quando o prazo para retorno ao trabalho chegou ao fim, em 5 de agosto de 1981, às 11 horas da manhã[2], apenas 10% do efetivo acabou voltando ao trabalho. Isso levou Reagan a, com base na lei Taft-Hartley, de 1947, que criminaliza a greve em serviços públicos essenciais, a exonerar 11.359 grevistas, banindo-os permanentemente do serviço público[2] e ocasionando a maior derrota sindical dos últimos 60 anos, nos Estados Unidos[3][4].
Consequências
Em 22 de outubro de 1981, a Federal Labor Relations Authority descertificou a PATCO, fazendo deste o primeiro sindicato federal a passar por esta condição. Em junho de 1987, a NATCA, entidade sucessora à PATCO, tornou-se oficialmente a única entidade autorizada a realizar negociações trabalhistas em nome de controladores de tráfego aéreo junto à FAA[2]. Em 1991, apesar da não obrigatoriedade de filiação, cerca de 70% dos controladores de voo em atividade eram membros da entidade[5].
As interrupções no ecossistema da aviação após a greve fizeram com que a FAA percebesse que precisava criar um planejamento de longo prazo para um processo de modernização. Em janeiro de 1982, a agência divulgou publicamente o primeiro National Airspace System (NAS) Plan, seu Plano Anual do Sistema Nacional de Espaço Aéreo, um projeto abrangente, com duração de 20 anos, visando o desenvolvimento e implantação de um sistema de controle de tráfego e navegação aérea de última geração, para acomodar o crescimento projetado em viagens aéreas[6].
A greve de 1981 provocou uma escassez duradoura e considerável de controladores de tráfego aéreo, problema que se estendeu até a administração de George H. W. Bush. Em 12 de agosto de 1993, o então presidente Bill Clinton revogou a proibição de Reagan de recontratar grevistas da PATCO como controladores de tráfego aéreo e, em 2006, cerca de 850 foram recontratados pela FAA[5].
Referências
- ↑ a b c d Stein, Leila de Menezes; Pera, Géssica Trevizan (2008). «Greve e complexidade: dilemas do movimento dos controladores de vôo no Brasil (2006-2007)». REDD – Revista Espaço de Diálogo e Desconexão (1). ISSN 1984-1736. doi:10.32760/1984-1736/REDD/2008.v1i1.1077. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ a b c d e f «American air-traffic controllers strike for benefits and pay, 1981 | Global Nonviolent Action Database». nvdatabase.swarthmore.edu. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ a b «Folha de S.Paulo - Em 1981, Reagan enfrentou greve de controladores - 03/04/2007». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ a b «Nos EUA, greve de controladores foi derrotada por Reagan». O Globo. 31 de março de 2007. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ a b c d «The 1981 PATCO strike». The University of Texas at Arlington. 2 de setembro de 2021. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ «A Brief History of the FAA». Federal Aviation Administration. 15 de novembro de 2021. Consultado em 14 de fevereiro de 2025