Graforréia Xilarmônica
| Graforréia Xilarmônica | |
|---|---|
![]() Graforréia Xilarmônica no bar Ocidente de Porto Alegre, em 17 de novembro de 2013, na gravação de seu DVD. | |
| Informações gerais | |
| Origem | Porto Alegre, Rio Grande do Sul |
| País | Brasil |
| Gênero(s) | |
| Período em atividade | 1985–atualmente (com interrupções) |
| Gravadora(s) |
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| Afiliação(ões) | |
| Integrantes | Frank Jorge Carlo Pianta Alexandre Birck Marcelo Birck |
| Página oficial | tramavirtual |
Graforréia Xilarmônica[nota 1] é uma banda brasileira de rock alternativo formada em 1985 em Porto Alegre, inspirada na Jovem Guarda e nos grupos de rock estrangeiros dos anos 1960. A banda criou um som bem-humorado e despreocupado, com alguns toques de música nativista do Rio Grande do Sul. É considerada uma das principais bandas cult do Brasil.
História
A Graforréia foi fundada em 1985 por Frank Jorge (baixo e voz), Marcelo Birck (guitarra e voz) e Alexandre Birck (bateria). Frank e Marcelo eram amigos de infância e já haviam atuado juntos na banda Prisão de Ventre. Algum tempo depois, Marcelo saiu da banda e ela continuou com Carlo Pianta (ex-DeFalla) na guitarra e voz. Marcelo permaneceu ligado ao grupo como compositor e participante bissexto de shows.[1]
O nome da banda foi escolhido de maneira aleatória pelos integrantes: certa vez reuniram-se e decidiram fazer a escolha do nome através de um dicionário. Cada um deveria abri-lo em uma página qualquer e escolher a palavra mais estranha dentre as que estivessem na página. Após algumas sugestões, foi escolhido o nome Graforréia Xilarmônica.[2] O primeiro show "oficial" aconteceu em 1987 em Capão Novo. No mesmo ano estrearam em Porto Alegre em show no Auditório Tasso Corrêa, do Instituto de Artes da UFRGS, e gravaram sua primeira canção, "Colégio Interno", que foi incluída na trilha sonora do filme O Mentiroso, dirigido por Werner Schünemann.[3]
Nos primeiros anos a atividade foi muito irregular. A despeito de logo se formar um fã clube, faziam poucos shows, a formação se alterava frequentemente e não havia um projeto definido de carreira. Parte disso se devia a atividades paralelas dos integrantes, que consumiam tempo e energia.[2] Começaram a ficar mais conhecidos em 1988, quando lançaram uma fita demo, Com Amor, Muito Carinho.[1] Em 1992 fizeram os primeiros shows fora do estado, em Curitiba; fizeram o show inaugural do bar Garagem Hermética de Porto Alegre; tiveram duas canções, "Buda Baby" e "Eu", incluídas na coletânea A Vez do Brasil, e em 1993 participaram da coletânea A Música de Porto Alegre: Rock, lançada pela Secretaria Municipal de Cultura. Neste período a canção "Eu" teve grande divulgação nas rádios locais, e a banda passou a tocar covers de outras bandas junto com composições próprias.[3] Em 1994 a banda recebeu o prestigiado Prêmio Açorianos de Música na categoria Melhor Grupo Musical.[4]


A inesperada popularização da banda acabou levando a um contrato com o selo Banguela Records para a gravação em 1995 do primeiro CD, Coisa de Louco II, tendo como técnico de estúdio Thomas Dreher. Um videoclipe da canção "Você Foi Embora" teve boa repercussão na MTV Brasil. Nesse disco encontram-se alguns dos maiores sucessos do conjunto, como "Bagaceiro Chinelão" e "Amigo Punk".[1] Porém, o lançamento do CD coincidiu com o início da desativação do Banguela Records, o que obrigou os músicos se encarregarem da comercialização do álbum de forma independente, prejudicando sua distribuição e divulgação,[5] mas fizeram uma turnê por várias cidades do estado, com excelente receptividade.[3] Em 1997 lançaram a segunda fita demo, The Best of Graforréia,[3] e iniciaram as gravações para um segundo CD, intitulado Chapinhas de Ouro, lançado em 1998, com destaque para as canções "Colégio Interno" e "Eu".[1] Seu público aumentava, mas a divulgação das fitas e discos ocorria de maneira informal, e os shows continuam em um ritmo irregular.[2] Em 1999, após o lançamento do álbum Chapinhas de Ouro, a banda foi indicada ao Prêmio Açorianos de Música na categoria de Melhor Grupo Musical.[6]
Em janeiro de 2000 a banda declarou em um show no Bar Ocidente em Porto Alegre que aquela seria a sua última apresentação. Segundo Frank Jorge, "ela deveria ser conhecida, mas morreu na casca", lamentando o término da banda. Mas Diego Medina disse que esse desconhecimento era relativo: "A Graforréia Xilarmônica foi a grande inspiradora do novo rock de Porto Alegre", mas concordou que ela deixou saudades: "Quando ela acabou, deixou muita gente órfã".[1] Por outro lado, o fim da banda estimulou a formação de uma aura de banda cult, aumentando exponencialmente seu fã-clube.[2]
Mas a paralisação das atividades não foi total. Em 2001 foram convidados para uma apresentação no Festival Upload no SESC Pompeia em São Paulo;[3] entre 2001 e 2003 fizeram um show no fim de cada ano em Porto Alegre,[2] e em 2004 fizeram uma aparição especial na programação de inauguração do Teatro Odisseia no Rio de Janeiro.[7] Em 2005 foi gravado um CD ao vivo, lançado em 2006 em Porto Alegre.[3] Neste período fizeram apresentações no Rio de Janeiro (Festival Ruído), Cuiabá (Festival Calango), São Paulo, Curitiba e Novo Hamburgo, entre outros locais.[3][8] Em 2007 foram incluídos na lista das dez bandas mais destacadas do ano pelo jornalista José Flávio Junior, da revista Bravo![9]
Depois ocorreu um novo recesso, interrompido em 2011 para o festival Morrostock.[1][10] Numa apresentação em 2012 no bar Opinião, foi gravado material para um DVD, que marcou o retorno da Graforréia e seus 25 anos de história.[11] No mesmo ano fizeram uma apresentação no festival Lollapalooza de São Paulo,[12] e uma turnê passando por Chapecó, Curitiba, Caxias do Sul, Nova Prata, Pelotas e outras cidades.[13] No ano seguinte se apresentaram no Bar Ocidente.[14]
Seguiu-se outro longo recesso. Em 2023 o CD Coisa de Louco II foi incluído no livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho: Influências e vertentes, de Cristiano Bastos e Rafael Tony,[5] e em 2024 a banda foi reativada, participando do festival KTRock, apresentando-se no Auditório Araújo Viana de Porto Alegre junto com quatro outros "nomes cultuados do rock gaúcho".[15] Em 2025 a banda comemorou seus 40 anos, sendo saudada pela Zero Hora como "um marco do rock gaúcho",[16] e pelo Jornal do Comércio como "nome emblemático do rock gaúcho", realizando um show em novembro no Opinião,[17] e confirmando sua participação na 27ª edição do festival Porto Verão Alegre, programado para 2026.[18]
Estilo musical e impacto


A banda incorpora influências da música Jovem Guarda, da New Wave, de Arrigo Barnabé, da música Brega, do rock dos anos 1960, de regionalismos gauchescos e da música erudita de vanguarda, mesclados a uma veia irônica e irreverente. Segundo Frank Jorge, "não éramos publicitários querendo fazer uma banda engraçadinha. E tínhamos uma maneira própria de buscar a brasilidade".[1]
O rock gaúcho, centrado em Porto Alegre, sempre enfrentou dificuldades para se firmar nacionalmente, produzido em um centro regional importante, mas periférico em relação aos grandes mercados do Rio e São Paulo, e muitas vezes foi objeto de preconceitos. No caso da Graforréia, com suas características peculiares, identificadas como uma tendência ao humor, à paródia, ao nonsense, ao uso de piadas e regionalismos de difícil compreensão por forasteiros, e uma ligação com a chamada "estética da chinelagem", a situação se torna ainda mais complexa, sendo fatores relevantes para que nunca chegasse a alcançar um público realmente vasto nem pudesse entrar no mainstream, do qual ela se diferencia nitidamente.[19][20]
Apesar desses impedimentos, a banda veio a se destacar no rock nacional pela sua originalidade, e no âmbito estadual são um grupo solidamente consagrado. Para André Forastieri, escrevendo na Folha de S.Paulo, entre as bandas do estado a Graforréia tem as melhores letras,[21] onde são citadas referências de cinema, literatura, histórias em quadrinhos, desenhos animados e regionalismos diversos.[22] O pesquisador Silvio Silveira da Silva reconheceu seu destaque no cenário sulino, sua "influência marcante" no panorama do rock nacional, e seu "conceito musical arrojado", analisando sua estética peculiar como uma expressão do antropofagismo, aludindo ao emblemático movimento da vanguarda modernista brasileira, que incorporava múltiplas influências pretendendo sintetizá-las numa voz original.[23]


Segundo Silvio Essinger, do CliqueMusic, eles estabeleceram um estilo influente: "Se hoje as bandas gaúchas tendem para um som com inspiração na Jovem Guarda e no rock dos anos 60, mas com letras que refletem uma visão irônica da vida (uma visão bem gaúcha, diga-se de passagem), isso se deve à banda fundada em 1987 por Frank Jorge e Marcelo Birck. [...] A Graforréia é um dos melhores exemplos do que é ser uma banda de rock cult no Brasil".[1] Bruno Maia, do Overmundo, também reforça esse conceito: "O trio gaúcho é um dos grupos mais cultuados do rock brasileiro sem que se saiba ao certo a razão disso. Não, eles nunca foram super-astros de vender milhões. Sim, eles já lançaram disco com apoio de grande gravadora, mas que ninguém comprou. Não, eles não fazem milhões de shows por ano, como um Carbona da vida. Sim, eles têm quase vinte anos de carreira. Definitivamente, é um fenômeno esquisito. A única certeza sobre esses gaúchos é que a música deles é muito mais interessante do que a média do rock nacional. Ponto".[2] O ex-diretor do Banguela Records, Carlos Eduardo Miranda, deixou outro testemunho significativo: "A Graforréia pra mim era um ponto de honra. Porque eu considerava eles uma banda que vislumbrava muito do futuro, eu sempre gostei muito deles. Quando tive oportunidade, chamei eles pro selo, os Titãs gostaram, viram que era uma banda muito especial. Era uma banda que eu sabia que não ia ter um estouro imediato, até porque as bandas do sul são muito desarticuladas por natureza, mas era um grupo que, com o tempo, seria reconhecido, viraria cult. E não errei nisso. É uma banda que foi importante pra carreira do Los Hermanos, do Pato Fu, inspirou muita gente".[24] Em 2015 a banda foi um dos destaques do documentário em longa metragem Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94, que resgatou a história do selo.[25]
Algumas das canções da banda tornaram-se verdadeiros "clássicos" do rock gaúcho, como "Empregada", "Colégio interno", "Eu", "Nunca Diga" e "Amigo Punk".[13][26] "Amigo Punk", composta em 1987 e lançada no álbum Coisa de Louco II (1995), foi indicada como melhor música ou canção no Prêmio Açorianos de Música de 1999,[27] foi considerada um "hino afetivo da capital",[28] e regravada por Wander Wildner no álbum La Canción Inesperada.[29] A banda mineira Pato Fu regravou as músicas "Nunca Diga" (em Televisão de Cachorro), e "Eu" (em Ruído Rosa),[1] que foi usada como música de trabalho, e cujo videoclipe recebeu o prêmio Vídeo Music Brasil da MTV, na categoria Melhor Videoclipe Pop.[3]
Discografia

Álbuns de estúdio
- Coisa de Louco II (Banguela Records) (1995)
- Chapinhas de Ouro (Zoon Records) (1998)
Álbuns ao vivo
- Graforréia Xilarmônica: Ao Vivo (Senhor F Discos / Estúdio Dreher Discos) (2006)
Demos
- Com Amor, Muito Carinho (Vórtex) (1988)
- The Best of Graforréia Xilarmônica (Toca do Disco) (1994)
- Álbum Homem Branco (1998)
Singles
- "Fazendeiros Ricos e Pobres Adultos"/"O Sapato e A Meia" (2008)
- "Chacundum Brega"/"Tantas Tendências" (2012)
Participações em coletâneas
- A Vez do Brasil (Eldorado) (1993)
- A Música de Porto Alegre: Rock (Secretaria Municipal de Porto Alegre) (1993)
- Ipanema FM: As 15 Mais (1998)
- De: Emílio & Mauro - Para: Um Destruidor de Corações (Senhor F Discos) (2008)
Integrantes
- Frank Jorge - vocal, baixo
- Carlo Pianta - guitarra, vocal
- Marcelo Birck - guitarra, vocal
- Alexandre Birck - bateria
Ex-integrantes
- Eduardo Christ - guitarra, vocal
- Tasso Ferreira - guitarra
Prêmios e indicações
| Ano | Categoria | Indicação | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1994[4] | Grupo Musical | Graforréia Xilarmônica | Venceu |
| 1998[30] | Grupo Musical | Graforréia Xilarmônica | Indicado |
| 1999[27] | Música ou Canção | Amigo Punk | Indicado |
Ver também
Notas
Referências
- ↑ a b c d e f g h i Essinger, Silvio. "Graforréia Xilarmônica: os desconhecidos pioneiros". Clique Music, 02/04/2001
- ↑ a b c d e f Maia, Bruno. "Graforréia Xilarmônica: um caso a ser estudado". Overmundo, 06/04/2006
- ↑ a b c d e f g h "Graforréia Xilarmônica, a cronologia de uma carreira supersônica". Senhor F
- ↑ a b Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Vencedores do Prêmio Açorianos de Música - 1994». Consultado em 16 de abril de 2018
- ↑ a b Bastos, Cristiano & Tony, Rafael. 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho: influências e vertentes. Nova Carne Livros, 2023, pp. 106-107
- ↑ "Indicados ao Prêmio Açorianos de Música - 1998". Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 11/11/2022
- ↑ Feijó, Leo. "Cultura Alternativa: empreendimento viável?" In: Kamel, José Augusto Nogueira (org.). Engenharia do Entretenimento II: Rio o ano todo. Editora E-papers, 2007, p. 41
- ↑ "A Graforréia volta para casa". O Polvo, 01/09/2007
- ↑ "Melhores 2007: Escolha da Crítica – Música". O Grito!, 21/12/2007
- ↑ "Morrostock 2011: Graforréia Xilarmônica confirmada para encerrar o festival". Rock Gaúcho, 31/07/2011
- ↑ "Graforréia Xilarmônica volta ao Opinião como um quarteto". Rock Gaúcho, 02/04/2012
- ↑ Guedes, Bruno. "Lollapalooza anuncia atrações. Confira as bandas". Cult Magazine, 02/10/2012
- ↑ a b Guilhermano, Lívia. "Graforréia Xilarmônica comemora 25 anos". Jornal do Comércio, 02/05/2012
- ↑ Brigatti, Gustavo. "Graforréia Xilarmônica comemora 25 anos com show, domingo, no Bar Ocidente". Zero Hora, 14/11/2013
- ↑ "Segunda edição do KTRock acontece no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre". Correio do Povo, 14/09/2024
- ↑ "Amigo Punk une rock e tradição gaúcha; assista". Zero Hora, 07/02/2025
- ↑ "Graforréia Xilarmônica revisita álbum clássico Coisa de Louco II em show no Opinião". Jornal do Comércio, 25/11/2025
- ↑ Copelli, Laura. "Porto Verão Alegre anuncia programação completa e inicia venda de ingressos; confira". Rede Atlântida, 16/12/2025
- ↑ Estivalet, Felipe. "Hibridações na canção Amigo Punk, da Graforréia Xilarmônica". In: Revista Sonora, Instituto de Artes, Unicamp, 2016; 6 (11)
- ↑ Matias, Alexandre. "Rock gaúcho se mantém apenas no RS". Folha de S.Paulo, 24/08/2001
- ↑ Forastieri, André. "Quem não for que não reclame depois". Folha de S.Paulo, 11/04/1994
- ↑ "Graforréia Xilarmônica: banda cult do rock gaúcho revê 26 anos de estrada". Instituto Pinheiro, 17/07/2014
- ↑ Silva1, Silvio Silveira da. "Amigo Punk: exercício antropofágico?". In: Agon - Revista de Filosofia, 2023; 9 (155)
- ↑ Fagundes, Ariel. "Entrevista: Vida e morte do Banguela Records, por Carlos Eduardo Miranda". Noize, 08/07/2015
- ↑ "Documentário sobre as bandas de rock da década de 90 ganha data de estreia". UOL, 19/05/2015
- ↑ "Graforréia toca seus clássicos no Opinião". O Polvo, 02/05/2012
- ↑ a b "Indicados ao Prêmio Açorianos de Música - 1999". Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 21/04/2023
- ↑ Bublitz, Juliana. "É uma mistura do cosmopolitismo gaúcho com a saudade do pago, diz Frank Jorge sobre Amigo Punk". Zero Hora, 87/02/2025
- ↑ Azevedo, Erika. "Um pouco Wando, um pouco wild', Wander Wildner lança CD em shows no Rio". O Globo, 24/07/2008
- ↑ Prefeitura Municipal de Porto Alegre. «Indicados ao Prêmio Açorianos de Música - 1998». Consultado em 17 de abril de 2018
