Governo de Defesa Nacional (França)
| Governo de Defesa Nacional | |
|---|---|
Terceira República Francesa | |
| 1870-1871 | |
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| Início | 04 de setembro de 1870 |
| Fim | 19 de fevereiro de 1871 |
| Duração | 5 meses e 15 dias |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo de coalizão |
| Presidente de Governo | Jules Trochu |
| Coligação | Republicanos moderados, Centro-esquerda, Esquerda, Extrema-esquerda, Orleanistas e Centro-direita |
O Governo de Defesa Nacional foi o governo provisório formado por Jules Trochu em 04 de setembro de 1870 e dissolvido em 19 de fevereiro de 1871. Foi o governo fundador da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Palikao (Segundo Império Francês) e sucedido pelo Gabinete Dufaure I.
Contexto

Quando a notícia da queda do Imperador Napoleão III chegou a Paris em 3 de setembro de 1870, um grupo de republicanos liderados por Léon Gambetta, fiéis ao seu desejo de tomar o poder apenas democraticamente, através das urnas, queriam formar um governo de defesa nacional, tentando evitar uma revolução que desacreditasse o novo regime desde o início. No entanto, a situação mudou abruptamente no dia seguinte, quando uma multidão invadiu o Palácio Bourbon.[1] Duas procissões dirigiram-se ao Hôtel de Ville, sede da prefeitura de Paris, onde Gambetta proclamou a República diante de uma multidão entusiasmada:
Cidadãos, dado que todo o tempo necessário foi dado à representação nacional para pronunciar a destituição; dado que somos e constituímos o poder regular resultante do sufrágio universal e livre, declaramos que Luís Napoleão Bonaparte e sua dinastia cessaram para sempre de reinar sobre a França.[1]
Agindo dessa forma, os republicanos moderados se anteciparam a líderes de extrema-esquerda, que poderiam ter se aproveitado das circunstâncias para estabelecer um governo insurrecional e derrubar a ordem social. Para descartar a perspectiva de um governo revolucionário, Léon Gambetta apoiou a ideia de Jules Ferry de entregar o poder aos deputados de Paris, cuja recente eleição garantiria legitimidade aos olhos do povo. O general Jules Trochu concordou em se juntar ao governo como ministro da Guerra, com a condição de liderá-lo, dada a dramática situação militar após a Guerra Franco-Prussiana. Ele também exigiu que o governo garantisse a defesa da religião, da propriedade e da família em sua plataforma partidária.[1]
Formou-se, assim, um "Governo de Defesa Nacional". Seus membros reuniram-se pela primeira vez no dia 4 de setembro, às 22h30, sob a presidência de Trochu. Todas as tendências políticas do centro e da esquerda estão representadas neste governo, com exceção dos bonapartistas: o Conselho de Ministros reunia homens que iam da extrema-esquerda ao orleanismo, passando pelos republicanos moderados e pelos republicanos intransigentes, como Gambetta.[2]
Após um período de desgaste durante a ocupação prussiana e o fracasso de uma manifestação em Paris, Trochu e Gambetta renunciaram ao poder. A nova Assembleia Nacional Francesa, dominada por monarquistas e republicanos moderados, elegeu Adolphe Thiers como “Chefe do Poder Executivo”, pondo fim ao Governo de Defesa Nacional.[1]
Composição
- Presidente do Governo: Jules Trochu
- Vice-presidente do Governo: Jules Favre
- Ministro do Interior: Léon Gambetta (1870-1871); Emmanuel Arago (1871)
- Ministro da Guerra: Adolphe Le Flô
- Ministro das Obras Públicas: Pierre-Frédéric Dorian
- Ministro da Justiça: Adolphe Crémieux (1870); Emmanuel Arago (1870-1871); Adolphe Crémieux (1871)
- Ministro da Marinha e das Colônias: Martin Fourichon
- Ministro da Instrução Pública, Cultos e Belas Artes: Jules Simon (1870-1871); Eugène Pelletan (1871); Pierre-Frédéric Dorian (1871)
- Ministro da Agricultura e do Comércio: Pierre Magnin
- Ministro das Finanças: Ernest Picard
- Ministro Sem Pasta: Alexandre Glais-Bizoin
- Ministro Sem Pasta: Louis-Antoine Garnier-Pagés
- Ministro Sem Pasta: Eugène Pelletan (1870-1871)
- Ministro Sem Pasta: Henri Rochefort
- Secretário de Governo: Jules Ferry
Referências
- ↑ a b c d Anceau, Éric (2 de dezembro de 2020). «Pierre Cornut-Gentille. Le 4 septembre 1870. L'invention de la République. Paris, Perrin, 2017, 222 p.». Histoire, économie & société (em francês) (4): 116-129; 151-154; 237. ISSN 0752-5702. doi:10.3917/hes.204.0129b. Consultado em 20 de junho de 2025
- ↑ Duclert, Vincent; Rousso, Henry (13 de outubro de 2021). «1870-1914. La République imaginée» (em francês): 1104. doi:10.3917/gall.ducle.2021.01. Consultado em 20 de junho de 2025
Bibliografia
- BONHOMME, Éric. La République improvisée: l'exercice du pouvoir sous la Défense nationale, 4 septembre 1870-8 février 1871. Saint-Pierre-du-Mont: Eurédit, 2000.
