Christian Goldbach

Christian Goldbach
Conhecido(a) porconjetura de Goldbach, teorema Goldbach–Euler
Nascimento
18 de março de 1690

Morte
20 de novembro de 1764 (74 anos)

NacionalidadeAlemão
CidadaniaReino da Prússia
Empregador(a)Academia Russa de Ciências
Assinatura

Christian Goldbach (Königsberg, Brandemburgo-Prússia, 18 de março de 1690 — Moscou, 20 de novembro de 1764) foi um matemático prussiano envolvido em importantes pesquisas, principalmente na teoria dos números; também estudou Direito e teve interesse e participação na Corte Imperial Russa.[1][2]

Após viajar pela Europa durante sua juventude, estabeleceu-se na Rússia em 1725 como professor na recém-fundada Academia de Ciências de São Petersburgo.[3] Goldbach passou a dirigir a academia conjuntamente em 1737.[4] No entanto, deixou suas funções acadêmicas em 1742 e passou a trabalhar no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, onde permaneceu até sua morte, em 1764.[4]

É lembrado hoje pela Conjectura de Goldbach e pelo Teorema Goldbach–Euler.[1] Manteve uma estreita amizade com o renomado matemático Leonhard Euler, servindo de inspiração para os trabalhos matemáticos de Euler.[2]

Biografia

Primeiros anos

Nascido em Königsberg, capital do Ducado da Prússia e parte de Brandemburgo-Prússia, Goldbach era filho de um pastor.[2] Estudou na Universidade Real Albertina.[2] Após concluir seus estudos, realizou longas viagens educativas entre 1710 e 1724 pela Europa, visitando outros estados alemães, a Inglaterra, os Países Baixos, a Itália e a França. Nessas viagens, conheceu diversos matemáticos famosos, como Gottfried Leibniz, Leonhard Euler e Nicolau I Bernoulli. Esses encontros despertaram em Goldbach o interesse pela matemática.[5] Frequentou brevemente a Universidade de Oxford em 1713 e, durante sua estadia, estudou matemática com John Wallis e Isaac Newton.[3]

As viagens também ampliaram seu interesse por outras áreas, como filologia, arqueologia, metafísica, balística e medicina.[5] Entre 1717 e 1724, publicou seus primeiros artigos, que, embora modestos, demonstraram sua habilidade matemática. De volta a Königsberg, tornou-se próximo de Georg Bernhard Bilfinger e Jakob Hermann.[2]

Academia de Ciências de São Petersburgo

Prédio da Academia de Ciências de São Petersburgo, chamado Kunstkammer, datado de 1728.

Em 1725, Goldbach seguiu Bilfinger e Hermann para a recém-inaugurada Academia de Ciências de São Petersburgo.[4] Christian Wolff havia convidado e escrito recomendações para todos os alemães que viajaram à São Petersburgo para a academia, exceto Goldbach.[3] Goldbach escreveu ao presidente designado da academia solicitando um cargo, apresentando suas publicações anteriores e seus conhecimentos em medicina e direito como qualificações.[3][4]

Ele foi então contratado com um contrato de cinco anos como professor de matemática e historiador da academia.[3][4] Como historiador, registrou todas as reuniões da academia desde sua inauguração em 1725 até janeiro de 1728.[4] Durante seu período na academia, trabalhou com matemáticos famosos como Leonhard Euler, Daniel Bernoulli, Johann Bernoulli e Jean le Rond d’Alembert. Goldbach também teve papel importante na decisão de Euler de seguir academicamente a matemática em vez da medicina, consolidando a matemática como a principal área de pesquisa da academia na década de 1730.[3]

Atuação no governo russo

Em 1728, quando Pedro II tornou-se czar da Rússia, Goldbach tornou-se tutor de Pedro II e de sua prima Ana.[4] Em 1729, Pedro II transferiu a corte russa de São Petersburgo para Moscou, e Goldbach o acompanhou.[2][4] No mesmo ano, iniciou uma correspondência com Euler, na qual surgem algumas das contribuições matemáticas mais importantes de Goldbach.[2] Com a morte de Pedro II, em 1730, Goldbach deixou de lecionar, mas continuou a auxiliar a imperatriz Ana.[4] Em 1732, retornou à Academia de Ciências de São Petersburgo e manteve-se no governo russo quando Ana trouxe a corte de volta para São Petersburgo.[2][4] Ao retornar à academia, Goldbach foi nomeado secretário correspondente.[3] Com seu retorno, seu amigo Euler também retomou o ensino e a pesquisa na academia.[3] Em 1737, Goldbach e J.D. Schumacher assumiram a administração da academia.[4] Goldbach também desempenhou funções na corte russa sob a imperatriz Ana.[2][4] Conseguiu manter sua influência na corte após a morte de Ana e durante o reinado da imperatriz Isabel.[2] Em 1742, ingressou no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, afastando-se novamente da academia.[4] Goldbach recebeu terras e aumento salarial em reconhecimento ao seu bom trabalho e ascensão no governo russo.[2] Em 1760, criou novas diretrizes para a educação das crianças reais, que permaneceram em vigor por 100 anos.[2][4] Faleceu em Moscou em 20 de novembro de 1764, aos 74 anos.

Christian Goldbach era multilíngue – escrevia um diário em alemão e latim, suas cartas eram em alemão, latim, francês e italiano, e, em documentos oficiais, utilizava russo, alemão e latim.[6]

Contribuições

Carta de Goldbach para Euler, 1742

Goldbach é conhecido pelas suas correspondências com Leibniz, Euler e Bernoulli, especialmente em sua carta de 1742 para Euler sobre sua Conjectura de Goldbach. Ele também estudou e provou alguns teoremas sobre potências perfeitas, como o teorema Goldbach-Euler, e fez diversas contribuições notáveis em análise. Ele também provou um resultado sobre números de Fermat que é chamado de teorema de Goldbach.

Impacto em Euler

São as correspondências de Goldbach e Euler que contêm algumas das mais importantes contribuições de Goldbach para a matemática, especialmente em teoria dos números.[2] A amizade de Goldbach e Euler sobreviveu à mudança de Goldbach para Moscou em 1728 e a comunicação seguiu.[3] Suas correspondências abrangem 196 cartas ao longo de 35 anos escritas em Latim, alemão e francês.[5] Essas cartas abrangem uma grande variedade de tópicos, incluindo variados tópicos matemáticos.[2] Goldbach foi a principal influência no interesse e trabalho de Euler em teoria dos números.[3] A maior parte das cartas discutem a pesquisa de Euler em teoria dos números e em cálculo diferencial.[3] Até o final da década de 1750, as correspondências de Euler sobre sua pesquisa em teoria dos números foi quase que exclusiva com Goldbach.[3]

Retrato de Leonhard Euler, um dos maiores matemáticos de todos os tempos.

O trabalho matemático anterior e ideias de Goldbach em cartas para Euler influenciaram diretamente parte do trabalho de Euler. Em 1729, Euler resolveu dois problemas pertencentes a sequências que tinham impedido Goldbach.[3] Posteriormente, Euler explicou as soluções para Goldbach.[3] Além disso, em 1729 Goldbach encontrou uma aproximação precisa do Problema de Basileia, o que impulsionou o interesse de Euler e sua solução inovadora concorrente.[3] Goldbach, através de suas cartas, manteve Euler focado em teoria dos números na década de 1730 para discutir a conjectura de Fermat com ele.[3] Euler subsequentemente ofereceu uma prova da conjectura, creditando Goldbach a ter introduzido ele ao subcampo.[3] Euler procedeu a escrever 560 textos, publicados postumamente em quatro volumes da Opera Omnia, com a influência de Goldbach guiando alguns dos textos.[3] A conjectura de Goldbach e seus textos com Euler destacam sua compreensão na área de teoria dos números.

Obras

  • (1729) De transformatione serierum
  • (1732) De terminis generalibus serierum

Referências

  1. a b Rosen, Kenneth H. (2005). Elementary number theory and its applications 5. ed. Boston: Pearson/Addison Wesley 
  2. a b c d e f g h i j k l m n «Christian Goldbach - Biography». Maths History (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2025 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Calinger, Ronald (2016). Leonhard Euler: mathematical genius in the Enlightenment. Princeton: Princeton University Press 
  4. a b c d e f g h i j k l m n «Christian Goldbach | Number Theory, Prussian Academy & Conjectures | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2025 
  5. a b c Haas, Robert (fevereiro de 2014). «Goldbach, Hurwitz, and the Infinitude of Primes: Weaving a Proof across the Centuries*». The Mathematical Intelligencer (em inglês) (1): 54–60. ISSN 0343-6993. doi:10.1007/s00283-013-9402-8. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  6. Ûškevič, Adolʹf Pavlovič; Kopelevitch, Ioudit Khaimovna; Purkert, Annerose; Purkert, Walter (1994). Christian Goldbach, 1690-1764. Col: Vita mathematica. Basel: Birkhäuser 


Ligações externas