Deuses e Generais

Gods and Generals
Deuses e Generais (prt/bra)
 Estados Unidos
2003 •  cor •  214 min 
Género filmes de drama
filmes de guerra
Direção Ronald F. Maxwell
Roteiro Ronald F. Maxwell
Baseado em Gods and Generals de Jeff Shaara
Elenco Jeff Daniels
Stephen Lang
Robert Duvall
Música John Frizzell
Randy Edelman
Cinematografia Kees Van Oostrum
Edição Corky Ehlers
Idioma língua inglesa
Orçamento US$ 56 milhões
Receita US$ 12,8 milhões[1]

Deuses e Generais[2][3] (em inglês: Gods and Generals) é um filme estadunidense de 2003, dirigido por Ronald F. Maxwell. O roteiro foi baseado no livro homônimo de Jeffrey Shaara e é considerado uma prequela do filme de 1993 Gettysburg (que por sua vez foi baseado no livro The Killer Angels de autoria do pai de Shaara, Michael), do mesmo diretor. A ação é concentrada em fatos biográficos de três vultos históricos norte-americanos: General Stonewall Jackson, Tenente-Coronel Joshua Chamberlain e General Robert E. Lee, acontecidos durante a Guerra Civil dos Estados Unidos.

Com duração original de mais de cinco horas, o filme foi cortado em uma hora e meia para seu lançamento nos cinemas em 2003, com a versão integral "Extended Director's Cut" sendo lançada oito anos depois, em 2011.[4] O filme foi um fracasso de crítica e de bilheteria. Embora os críticos de cinema tenham elogiado as atuações e os detalhes historicamente precisos, como os figurinos, eles criticaram sua duração, ritmo e roteiro.[5][6][7] O consenso entre os críticos foi de que o filme tinha um forte viés em favor da Confederação.[5] O Southern Poverty Law Center, bem como inúmeros escritores, apontaram que o filme endossava o mito da "Causa Perdida".[8]

Tanto Shaara quanto Maxwell manifestaram descontentamento com a versão teatral do filme e seus baixos retornos financeiros forçaram Ted Turner a cancelar a adaptação planejada por Maxwell do último romance de Shaara sobre a Guerra Civil, The Last Full Measure.[4][9][10]

Elenco

Sinopse

A história se inicia em 1861, quando o general Robert E. Lee recusa o comando das tropas da União e posteriormente assume o do Exército da Virgínia, organizado para a defesa do estado contra a invasão das tropas legalistas. Um dos principais comandantes de Lee é o professor do Instituto Militar em Lexington Thomas Jackson, um brilhante estrategista e religioso devoto. Jackson é chamado de Stonewall (muralha de pedra) após sua firmeza mostrada no primeiro grande enfrentamento contra a União, a Primeira Batalha de Bull Run. A seguir, acontece a grande Batalha de Fredericksburg, quando a população civil da cidade é obrigada a fugir de suas casas até que as tropas confederadas conseguissem retomar a cidade. A terceira grande luta mostrada é a Batalha de Chancellorsville, quando o general Jackson é ferido por disparos das próprias tropas. Do lado da União, o professor Thomas Chamberlain se alista no exército e lidera seus homens na Batalha de Fredericksburg quando são massacrados pelo exercito confederado, bem defendido atrás de obstáculos de pedras.

Produção

  • Ted Turner fez uma participação especial como o coronel Waller T. Patton, tio do general George S. Patton, ferido mortalmente em Gettysburg.
  • O filme teve locações no Vale do Shenandoah e oeste de Maryland. Lugares históricos incluem Instituto Militar da Virgínia e Universidade Washington & Lee, conhecida como Faculdade Washington durante a Guerra Civil.
  • Russell Crowe foi a primeira escolha para interpretar Stonewall Jackson mas com sua indisponibilidade, Stephen Lang trocou o papel de George Pickett pelo do general. Billy Campbell foi chamado para o papel de Pickett.[11]
  • Em 2011 foi lançado o Blu-ray com a versão do diretor. Com duração de 280 minutos, as novas cenas incluem a subtrama com o ator John Wilkes Booth que se tornaria o assassino de Abraham Lincoln.
  • Cenas da Batalha de Antietam foram removidas do filme (a brigada de Chamberlain ficou na retaguarda).

Trilha sonora

Foi composta por John Frizzell, com pequena colaboração de Randy Edelman que fora o autor da ouvida em Gettysburg. Destaca-se uma composição nova especial para o filme escrita e cantada por Bob Dylan, Cross the Green Mountain. A faixa foi mais tarde incluída no álbum The Bootleg Series Vol. 8: Tell Tale Signs.

Recepção

O agregador de resenhas Rotten Tomatoes deu ao film um índice de aprovação de 8%, baseado em 121 críticas, com uma nota média de 3,60 (de 10). O consenso da crítica dizia: "Repleto de personagens bidimensionais e uma arrogância presunçosa, Deuses e Generais é uma experiência longa e tediosa. Alguns podem até se ofender com a inclinação pró-Confederados."[5] Já no site Metacritic deu uma média ponderada de 30 (de 100) baseado em 29 resenhas, indicando avaliações "geralmente desfavoráveis".[12]

O crítico de cinema Roger Ebert deu ao longa uma estrela e meia de quatro. Descreveu-o como "um filme sobre a Guerra Civil que Trent Lott talvez gostasse" e disse: "Se a Segunda Guerra Mundial fosse retratada desta forma, haveria um grande problema". Também criticou o filme pela música e pelas "citações superficiais".[13]

O diretor Ron Maxwell atribuiu o fracasso do filme à decisão de editá-lo para um único lançamento nos cinemas, dizendo: "Como tivemos que cortar muita coisa, confesso que a narrativa ficou desconexa de uma forma que simplesmente não conseguimos consertar completamente."[4]

Alguns comentaristas políticos conservadores defenderam a narrativa do filme. Phyllis Schlafly o chamou de "um filme épico que apresenta a história verdadeira em vez de ficção ou revisionismo politicamente correto" e o promoveu como uma contranarrativa às aulas de história nas escolas públicas".[14]

O autor Jeff Shaara originalmente tinha dito que havia gostado do filme,[15] mas ele disse mais tarde que ficou desapontado por não ser mais fiel ao livro. Ele afirmou: "É enormemente diferente, radicalmente diferente do livro. Há personagens no filme que não existem no livro, e muitos outros personagens do livro que nunca chegaram ao filme. É uma história completamente diferente, e devo dizer que recebi mensagens de milhares de pessoas pelo meu site, recebo e-mails todos os dias e tento ser o mais acessível possível, e a grande maioria das pessoas que me escreveram disse: 'Como você pôde deixar que eles massacrassem seu livro desse jeito?' Não tenho resposta para isso porque não tinha controle nem poder para mudar o que foi ao ar."[9]

Historicidade

Deuses e Generais é amplamente visto como um defensor da ideologia da Causa Perdida por criar uma narrativa mais favorável à Confederação.[6][7] Escrevendo para The Journal of American History, o historiador Steven E. Woodworth zombou do filme, classificando-o como uma versão moderna da mitologia da Causa Perdida.[6] Woodworth chamou o filme de "o mais pró-Confederado desde O Nascimento de uma Nação, uma verdadeira celebração celuloide da escravidão e da traição". Ele resumiu suas razões para desgostar do filme dizendo:

"Deuses e Generais leva às telas os principais temas da mitologia da Causa Perdida que historiadores profissionais vêm combatendo há meio século. No mundo de Deuses e Generais, a escravidão não tem nada a ver com a causa Confederada. Em vez disso, os confederados estão lutando nobremente por, e não contra, a liberdade, como os espectadores são lembrados repetidas vezes por um personagem sulista branco após outro."[6]

Woodworth criticou a retratação dos escravizados como "geralmente felizes" com sua condição. Ele também critica a relativa falta de atenção dada às motivações dos soldados da União que lutaram na guerra. Ele condena o filme por alegadamente implicar, de acordo com a mitologia da Causa Perdida, que o Sul era mais "sinceramente cristão". Woodworth conclui que o filme, por meio de "omissões seletivas", apresenta "uma visão distorcida da Guerra Civil".[6]

O historiador William B. Feis criticou de forma semelhante a decisão do diretor "de defender as interpretações mais simplistas – e higienizadas – encontradas na mitologia do pós-guerra da 'Causa Perdida'".[7] Escrevendo para o Southern Poverty Law Center, George Ewert escreveu que o filme "faz parte de um movimento crescente que busca reescrever a história do Sul dos Estados Unidos, minimizando a escravidão e o sistema econômico que ela sustentava". Ewert também observou que grupos de supremacia branca, como a Liga do Sul, elogiaram o filme.[8]

Referências

  1. «Gods and Generals». Box Office Mojo. Consultado em 28 de maio de 2016 
  2. Cineplayers (Brasil)
  3. DVDPT (Portugal)
  4. a b c Wertz, Jay (27 de dezembro de 2011). «Ron Maxwell Interview - 'Gods and Generals' Extended Directors Cut». Historynet. Weider Media Group. Consultado em 29 de outubro de 2012 
  5. a b c «GODS AND GENERALS (2003)». Rotten Tomatoes. Consultado em 4 de agosto de 2016 
  6. a b c d e Woodworth, Steven E. «Film Review: Gods and Generals». Teaching History. Consultado em 9 de junho de 2017 
  7. a b c Feis, William B. «"Movie Review: Gods and Generals"». The Society for Military History 
  8. a b Ewert, George (15 de agosto de 2003). «Neo-Confederates attempt to whitewash Southern history». Southern Poverty Law Center (em inglês). Consultado em 4 de outubro de 2022 
  9. a b Caggiano, Greg (25 de janeiro de 2011). «Interview with Best-Selling Author Jeff Shaara». Reel to Real. Consultado em 7 de julho de 2015 
  10. «Movie Info | Jeff Shaara». jeffshaara.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2021 
  11. http://ehistory.osu.edu/world/articles/ArticleView.cfm?AID=57
  12. «Gods and Generals». metacritic.com. Consultado em 4 de agosto de 2016 
  13. Ebert, Roger (21 de fevereiro de 2003). «Gods and Generals». RogerEbert.com. Consultado em 9 de junho de 2017 
  14. «Fads and Follies in Public Schools -- March 2003 Phyllis Schlafly Report». eagleforum.org. Consultado em 3 de fevereiro de 2021 
  15. «In Depth with Jeff Shaara». In Depth with Jeff Shaara. C-Span. Consultado em 7 de julho de 2015 

Ligações externas