Peixe-ventosa-de-bigode

Peixe-ventosa-de-bigode
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Gobiesociformes
Família: Gobiesocidae
Subfamília: Gobiesocinae
Gênero: Gobiesox
Espécie: G. barbatulus
Nome binomial
Gobiesox barbatulus
(Starks, 1913)

O peixe-ventosa-de-bigode[2][3] (nome científico: Gobiesox barbatulus), também chamado pregador,[4] é um peixe gobiesociforme da família dos gobioesocídeos (Gobiesocidae) ou peixes-ventosas, endêmico de zonas costeiras da América Central e América do Sul, no Oceano Atlântico.

Etimologia

O nome genérico Gobiesox é formado a partir do latim gobius, que significa "góbio" (um pequeno peixe de água doce), e Esox, antigo nome usado para o "lúcio".[5]

Taxonomia

O peixe-ventosa-de-bigode foi descrito pela primeira vez por Edwin Chapin Starks em 1913. Faz parte da família dos gobioesocídeos (Gobiesocidae) e da subfamília dos gobiesocíneos (Gobiesocinae). É uma das espécies que compõem o gênero Gobiesox.[6]

Descrição

O peixe-ventosa-de-bigode tem forma de girino, apresenta cabeça larga e deprimida, com papilas bem desenvolvidas semelhantes a barbilhos. Há papilas no centro do lábio superior, mas nenhuma acima deste, enquanto barbilhos são evidentes abaixo e à frente dos olhos. As narinas frontais possuem uma grande aba franjada. O lábio superior é largo, sendo muito mais amplo na região frontal do que nas laterais. A maxila superior apresenta uma região anterior com dentes cônicos profundos, além de caninos ou dentes cônicos nas laterais. A maxila inferior exibe duas fileiras de dentes, sendo a externa maior, com um a três incisivos arredondados e pontiagudos na frente, seguidos por uma fileira de caninos curvos ao longo das laterais. A coloração do corpo e da cabeça é caracterizada por diversas listras curtas e escuras, com aproximadamente 12 linhas irradiando de cima, atrás e abaixo dos olhos. As nadadeiras dorsal, anal e caudal são escuras, especialmente nas proximidades das bordas, com margens externas claras. O comprimento máximo registrado é de 5,4 centímetros.[7]

O peixe-ventosa-de-bigode possui uma única nadadeira dorsal localizada posteriormente, sem espinhos e com 10 a 12 raios moles. A nadadeira anal, com 8 a 9 raios, é semelhante em forma e posição à dorsal, estando situada logo abaixo dela. As nadadeiras peitorais possuem de 22 a 27 raios e incluem uma grande almofada carnuda com borda posterior livre na base, cuja extremidade superior alcança o nível da inserção da membrana branquial superior. A ventosa é grande, com papilas dispostas anteriormente (formando uma faixa larga com 7 a 10 fileiras de profundidade), ao centro (duas manchas bem espaçadas com 3 a 5 fileiras longitudinais de papilas cada) e posteriormente. O ânus geralmente se localiza a meio caminho entre a origem da ventosa e o início da nadadeira anal, mas pode variar, ficando mais próximo de uma dessas estruturas. A pele é desprovida de escamas, e a linha lateral está presente apenas na forma de poros na cabeça.[7]

Distribuição

O peixe-ventosa-de-bigode ocorre no Atlântico Ocidental, na costa de Belize, Venezuela e Guianas (Guiana, Suriname e Guiana Francesa) até o Brasil.[1] No Brasil, a espécie foi registrada nos litorais do Pará, Maranhão, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte (no Recife da Risca do Zumbi), Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Sua ocorrência abrange os biomas da Amazônia e Mata Atlântica.[8] Seu habitat típico inclui áreas de manguezais rochosos e zonas intermareais, em águas salobras, até um metro abaixo do nível do mar.[7]

Ecologia

O peixe-ventosa-de-bigode apresenta atividade alimentar predominantemente noturna, permanecendo durante o dia estacionário e aderido à parte inferior de pedras. Sua alimentação é baseada em estratégias de espreita e consumo de material particulado.[8] Sua dieta inclui uma variedade de organismos bentônicos móveis, refletindo seu hábito carnívoro de forrageamento no substrato. Entre os principais itens alimentares estão gastrópodes e bivalves bentônicos móveis, vermes bentônicos móveis, peixes ósseos e crustáceos bentônicos móveis, como camarões e caranguejos. Além desses componentes, também são consumidos detritos orgânicos presentes no ambiente.[7]

A época reprodutiva do peixe-ventosa-de-bigode ocorre entre o final da primavera e o início do verão, período em que a espécie deposita cerca de dois mil ovos adesivos, com aproximadamente um milímetro de diâmetro cada, organizados numa única camada na parte inferior de pedras. A espécie apresenta mais de uma desova por estação reprodutiva, podendo conter ovos em diferentes estágios de desenvolvimento simultaneamente. Como forma de cuidado parental, realiza ventilação, limpeza e guarda dos ovos.[8][1]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o peixe-ventosa-de-bigode como uma espécie pouco preocupante (LC), pois está amplamente distribuído e abundante localmente, ocorrendo em poças de maré rochosas. Pode ser afetado pelo desenvolvimento costeiro e poluição, mas essas ameaças não colocam risco à sua conservação.[1] Em 2018, foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[2][9] Existem poucas informações disponíveis sobre o tamanho populacional do peixe-ventosa-de-bigode. Em estudo realizado em duas praias de Santa Catarina, a Praia Vermelha e São Roque, Barreiros et al. (2004) relataram que a espécie foi uma das mais abundantes, com registros de 107 e 19 indivíduos, respectivamente. A tendência populacional é desconhecida, assim como a possível contribuição de populações estrangeiras para a manutenção das populações brasileiras.[8]

Em sua área de distribuição, o peixe-ventosa-de-bigode está presente em algumas áreas de conservação: o Parque Nacional de Jericoacoara (PARNA Jericoacoara), o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PARNA Saint-Hilaire/Lange), a Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo (Resex Arraial do Cabo), a Reserva Extrativista Mãe Grande de Curuçá (Resex Mãe Grande de Curuçá), a Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (APA Marinha do Litoral Norte), a Área de Proteção Ambiental de Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças (APA Upaon-Açu-Miritiba-Alto Preguiças), a Área de Proteção Ambiental de Guaratuba (APA de Guaratuba) e a Área de Proteção Ambiental Baía das Tartarugas (APA Baía das Tartarugas).[8]


Referências

  1. a b c d Williams, J. T.; Craig, M. T. (2015). «Lappetlip Clingfish, Gobiesox barbatulus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2015: e.T186004A1802626. doi:10.2305/IUCN.UK.2015-2.RLTS.T186004A1802626.enAcessível livremente. Consultado em 19 de junho de 2025 
  2. a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  3. Freire, Kátia Meirelles Felizola; Filho, Alfredo Carvalho (2009). «Richness of common names of Brazilian reef fishes» (PDF). PANAMJAS: Pan-American Journal of Aquatic Sciencs. 4 (2): 96-145 
  4. Grande Dicionário Houaiss, verbete peixe-ventosa
  5. «Gobiesox barbatulus Starks, 1913». FishBase. Consultado em 19 de junho de 2025 
  6. Froeser, R.; Pauly, D. «Gobiesox barbatulus Starks, 1913». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 19 de junho de 2025 
  7. a b c d «Gobiesox barbatulus, Lappetlip Clingfish». Sistema de informação online Shorefishes of the Greater Caribbean. Consultado em 19 de junho de 2025. Cópia arquivada em 30 de março de 2025 
  8. a b c d e Macieira, Raphael Mariano; Di Dario, Fabio; Vianna, Marcelo; Mincarone, Michael Maia; Piresmarceniuk, Alexandre; Scalco, Allan Cesar Silva; Bauer, Arthur de Barros; Pimentel, Caio Ribeiro; Araujo, Ciro Colodetti Vilar de; Sampaio, Cláudio Luis Santos; Schneider, Fabiola; Rolim, Fernanda Andreoli; Silva, Francisco Marcante Santana da; Ferreira, Gabriel Costa Cardozo; Soares, Guilherme Scheidt de Souza; Reis Filho, José Amorim; Gasparini, João Luiz Rosetti; Vieira Sobrinho, João Paes; Cottens, Kelly Ferreira; Benevides, Larissa de Jesus; Mendes, Liana de Figueiredo; Sega, Luana Arruda; Melo, Marcelo Roberto Souto de; Costa, Marcus Rodrigues da; Loeb, Marina Vianna; Rotundo, Matheus Marcos; Freitas, Matheus Oliveira; Jankowsky, Mayra; Pastana, Murilo Nogueira de Lima; Leite Junior, Nilamon de Oliveira; Salge, Paula Guimarães; Pereira, Pedro Henrique Cipresso; Gonçalves, Rafael Kuster; Santos, Roberta Aguiar dos; Lessa, Rosangela Paula Teixeira; Rezende, Sergio de Magalhães; Santos, Sérgio Ricardo Brito; Mendes, Thiago Costa; Fiuza, Thiago Matheus Jantsch; Ferreira, Valdimere; Siqueira, Vinicius Scofield (2023). «Gobiesox barbatulus Starks, 1913». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.28702.2. Consultado em 26 de maio de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  9. «Gobiesox barbatulus Starks, 1913». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 19 de junho de 2025. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2020