Glutinoglossum glutinosum
Glutinoglossum glutinosum
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Glutinoglossum glutinosum (Pers.) Hustad, A.N.Mill., Dentinger & P.F.Cannon (2013) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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Glutinoglossum glutinosum é uma espécie de fungo da família Geoglossaceae (línguas da terra). Amplamente distribuída no Hemisfério Norte, foi registrada no norte da África, Ásia, Europa e América do Norte. Anteriormente, acreditava-se que ocorria na Australásia, mas coleções dessas regiões foram posteriormente reclassificadas como novas espécies. G. glutinosum é uma espécie saprófita que cresce no solo, em áreas com musgos ou gramíneas. Seus ascocarpos, lisos, quase negros e em forma de taco, atingem alturas de 1,5 a 5 cm. O píleo mede até 0,7 cm de comprimento e o estipe é pegajoso. Várias outras espécies de Geoglossaceae negras são semelhantes em aparência externa, e muitas só podem ser diferenciadas com segurança por características microscópicas, como esporos, ascos e paráfises. Descrito pela primeira vez em 1796 como uma espécie de Geoglossum, o fungo passou por várias mudanças de gênero em sua história taxonômica. Foi transferido para o gênero atual, Glutinoglossum [en], em 2013.
Taxonomia
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| Cladograma mostrando relações filogenéticas das espécies de Glutinoglossum com base em um conjunto de quatro genes; de Hustad e Miller 2015.[3] |
O fungo foi descrito oficialmente em 1796 como Geoglossum glutinosum pelo micologista holandês Christiaan Hendrik Persoon, que destacou características como a cor negra, o píleo liso, comprimido e em forma de taco, com sulcos, e o estipe ligeiramente curvado e glutinoso.[4] Em 1908, Elias Judah Durand transferiu-o para Gloeoglossum, um gênero que ele circunscreveu para conter espécies com paráfises (células filamentosas e estéreis intercaladas entre os ascos) presentes como uma camada gelatinosa contínua no estipe; Gloeoglossum foi posteriormente reduzido a sinônimo de Geoglossum.[5] Em 1942, o micologista japonês Sanshi Imai considerou que a espécie pertencia ao gênero Cibalocoryne, um nome de gênero usado anteriormente por Frigyes Ákos Hazslinszky,[6] e, então, publicou o nome Cibalocoryne glutinosa.[1] No entanto, autores posteriores consideraram Cibalocoryne um nome ambíguo, sinonimizando-o com Geoglossum.[6][7][8] Persoon também descreveu a espécie Geoglossum viscosum (1801)[9] e a variedade Geoglossum glutinosum var. lubricum (1822),[10] ambas sinonimizadas com G. glutinosum por Durand em 1908.[11]
Em 2013, Vincent Hustad e colaboradores transferiram a espécie para o gênero recém-criado Glutinoglossum, após análises moleculares indicarem que ela e G. heptaseptatum formavam um clado bem definido na família Geoglossaceae.[12] Em 2015, Hustad e Andrew Miller publicaram uma descrição revisada de G. glutinosum, com uma faixa mais estreita de dimensões de esporos, sugerindo que materiais coletados na Austrália e Nova Zelândia pertenciam a espécies distintas, reclassificadas como G. australasicum e G. exiguum. Essas espécies, junto com G. americanum e G. methvenii, foram adicionadas ao gênero em 2015. Hustad e Miller observaram que a nova faixa de tamanho de esporos de G. glutinosum estava mais alinhada com as medidas de Durand do holótipo de Persoon.[3]
Glutinoglossum glutinosum
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| Himênio liso | |
| Estipe é nua | |
| A relação ecológica é micorrízica | |
O epíteto específico glutinosum deriva da palavra em latim gluten, que significa "cola".[13]
Descrição
"Mas, de todos os fungos de aparência sinistra, nenhum tem uma aparência tão estranha quanto o Geoglossum negro. É justamente chamado de língua da terra, pois brota do solo em forma de língua, negro e glutinoso."
Margaret Mary Plues, 1863[14]
Os ascocarpos em forma de taco, com um píleo preto distinto e um estipe de cor mais clara (marrom-escuro), atingem alturas de 1,5 a 5 cm. O píleo, de até 0,7 cm de altura, varia de fusiforme a elipsoidal estreito ou quase cilíndrico, sendo levemente comprimido nas laterais. O píleo, quase negro e com textura cerosa, apresenta um sulco vertical no centro. O estipe tem uma superfície glutinosa, de cor cinza-marrom escura.[3]
Os esporos são lisos, cilíndricos, por vezes com leve dilatação no centro e ocasionalmente curvados, medindo 59–65 por 4–5 μm. Os esporos de G. glutinosum possuem de dois a sete septos, sendo três o número mais comum em espécimes maduros. Os ascos, de paredes finas, são cilíndricos a estreitamente claviformes, contêm oito esporos e medem tipicamente 200–265 μm de comprimento por 12–16 μm de largura. Os esporos ocupam cerca de dois terços a três quartos da porção superior do asco, deixando uma base hialina (transparente). As paráfises, hialinas na base e marrons nas regiões superiores, têm 4–11 μm de largura,[3] sendo mais longas que os ascos. As células no ápice das paráfises são piriformes ou esféricas, acastanhadas, medindo 8–10 μm de largura.[15] O material pegajoso no estipe é uma matriz gelatinosa composta por uma camada de paráfises.[6]

Embora as espécies de Geoglossaceae negras geralmente não sejam comestíveis,[16] Charles McIlvaine, em sua obra de 1902 One Thousand American Fungi, afirmou que, se cozido, G. glutinosum é "delicioso".[17]
Espécies semelhantes
Geoglossum nigritum é semelhante em aparência a Glutinoglossum glutinosum, mas não possui um estipe viscoso.[18] Espécies de Trichoglossum [en], como a comum T. hirsutum [en], apresentam uma textura aveludada devido a cerdas de paredes espessas chamadas setas.[19] Outras espécies são semelhantes em aparência externa a G. glutinosum e podem ser difíceis de distinguir sem considerar a distribuição e características microscópicas, como o tamanho e a forma dos ascos, esporos e paráfises. G. peckianum e G. uliginosum podem desenvolver um estipe glutinoso; a primeira tem esporos de 90–120 por 6–7 μm com 14 septos, enquanto a segunda possui esporos de 60–80 por 4,5–6 μm com 7 septos.[15] A espécie australasiana G. methvenii é distinguida de G. glutinosum por seus esporos curtos e robustos (geralmente 70–80 por 5–6 μm) e pela presença de pontas de paráfises curvadas ou em forma de gancho. G. australasicum, a espécie mais abundante de Glutinoglossum na Australásia, tem ascos medindo 205–270 por 17–20 μm, enquanto os de G. exiguum medem 165–260 por 13,5–17 μm. Esta última espécie tende a ter ascocarpos menores, com até 3,5 cm de altura.[3]
Habitat e distribuição

Os ascocarpos de Glutinoglossum glutinosum, uma espécie saprófita, crescem espalhados no solo, em leitos de musgos ou áreas gramadas. Na América do Norte, as coleções estão tipicamente associadas a madeiras de lei, enquanto na Europa são frequentemente encontradas em pastagens e depressões de dunas.[3] No Reino Unido, o fungo é usado como indicador de pastagens de qualidade média.[20] Na Índia, foi encontrado no solo de florestas de carvalho e entre musgos em encostas rochosas a uma altitude de 2.000 m.[8]
Espécie amplamente distribuída, G. glutinosum foi registrada no norte da África (Macaronésia[21]), Ásia (Butão,[22] China, Índia,[22] Japão,[23] Filipinas[24]) e Europa.[6] Na Suíça, é considerada vulnerável.[25] Na Bulgária, onde é classificada como criticamente ameaçada, enfrenta ameaças como "alterações de habitat devido a atividades agrícolas (culturas, pecuária), poluição atmosférica e do solo, seca e aquecimento global".[26] Em uma Lista Vermelha Regional preliminar de macrofungos holandeses, foi considerada ameaçada, sendo notado que antes de 1970 era "razoavelmente comum", mas após esse ano tornou-se "razoavelmente raro".[27] Na América do Norte, a distribuição inclui Canadá,[28] Estados Unidos[12] e México.[29]
Embora anteriormente se pensasse que G. glutinosum ocorria na Austrália e Nova Zelândia,[12][30] análises genéticas posteriores de coleções dessas regiões revelaram que pertenciam às espécies recém-descritas G. australasicum ou G. exiguum.[3]
Ver também
- Chrysothrix chlorina
- Coccomyces dentatus
- Enchylium conglomeratum
- Hydropunctaria amphibia
- Placidium arboreum
- Peltigera castanea
- Solorina crocea
Referências
- ↑ a b Imai S. (1942). «Contributiones ad studia monographica Geoglossacearum». Botanical Magazine Tokyo (em latim). 56 (671): 523–7. doi:10.15281/jplantres1887.56.523
- ↑ «Synonymy: Glutinoglossum glutinosum (Pers.) Hustad, A.N. Mill, Dentinger & P.F. Cannon, Persoonia, Mol. Phyl. Evol. Fungi 31: 104 (2013)». Index Fungorum. CAB International. Consultado em 17 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h Hustad VP, Miller AN (2015). «Studies in the genus Glutinoglossum». Mycologia. 107 (3): 647–657. PMID 25725001. doi:10.3852/14-328
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