Girz Aronson
| Girz Aronson | |
|---|---|
| Nascimento | 18 de janeiro de 1917 |
| Morte | 19 de junho de 2008 São Paulo |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | mercador, empreendedor |
| Causa da morte | linfoma |
Girsz Aronson (Lituânia, 18 de janeiro de 1917 — São Paulo, 19 de junho de 2008) foi um comerciante e empresário brasileiro, conhecido como "Rei do Varejo".[1]
Biografia
Girz Aronson chegou ao Brasil com dois anos de idade e foi com a mãe (Elke Aronson), o pai (Aron Aronson) e os quatro irmãos morar em Curitiba e aos doze anos começou a vender bilhetes de loteria na cidade.[2]Ele se transformou no maior vendedor de bilhetes da capital paranaense.[3]A fama veio quando Aronson vendeu um bilhete premiado e recebeu do apostador parte do dinheiro. A notoriedade lhe valeu o convite de uma empresa de casacos de pele do Rio de Janeiro para ser representante de vendas em São Paulo, em 1944. Se instalou no centro da cidade, mais precisamente na Rua Conselheiro Crispiniano. Foi naquele ano que abriu a empresa G. Aronson.[4]Chegou a vender 170 casacos em um mês, comprou um Dodge, carro cobiçado da época, e expandiu os negócios. A primeira loja do "inimigo número 1 dos preços altos" é de 1962, quando passou a vender eletrodomésticos.[4]
Nos anos 60, criou a Gurilândia, especializada em artigos infantis.[4]
A rede G. Aronson começou a se expandir nos anos 70, após comprar um estoque de fogões Paterno de uma loja falida.[2]O tempo passou e os negócios fluíram, mas em agosto de 1991, Aronson tomou a decisão de recorrer à concordata preventiva, quando seus débitos somavam vinte milhões de dólares. Entretanto, seis meses antes de vencer o período de dois anos, ele pagou o que devia e levantou a concordata.[5]
A G. Aronson chegou a ter 34 lojas (inclusive algumas em shopping centers de São Paulo) e mil funcionários e chegou a faturar 250 milhões de reais por ano.[6]
Em 23 de janeiro de 1998, a empresa pediu concordata na 31ª Vara Cível paulistana, a segunda desde 1991.[7]O seu passivo foi calculado em R$ 65 milhões, sendo R$ 50 milhões com fornecedores e o restante com bancos. A G. Aronson requereu a concordata preventiva quando se comprometeu a pagar suas dívidas integralmente em duas prestações anuais, sendo a primeira em janeiro de 1999, que não foi paga. A justiça deu prazo de 48 horas para a G. Aronson depositar o dinheiro (cerca de R$ 24 milhões), o que também não ocorreu.[5]
O Ministério Público há muito tempo vinha insistindo na decretação da falência da empresa, argumentando que ela estava insolvente, tendo a situação se agravado no curso da concordata com o fechamento de várias lojas.[5]
Sem condições de quitar o débito, Aronson aguardava o dia da decretação da falência da empresa. Em maio de 1999 sobraram apenas 6 lojas. A então Lojas do Gugu assumiu os três pontos de shopping centers, pois Aronson tinha rescindido os contratos e as Lojas do Gugu assumiram o ponto, mas não tinham intenção de comprar a empresa de Girz Aronson devido ao passivo elevado.[3]
Na tarde do dia 1 de junho de 1999, a juíza da 31ª Vara Cível de São Paulo, Lilian Lúcia Pellegrini Venosa, decretou a falência da G. Aronson.[7]
O empresário, dono da rede de eletrodomésticos, que durante 52 anos esteve à frente dos negócios, atribuiu as dificuldades da empresa aos "juros escorchantes" do setor financeiro. Atribuiu também as suas dificuldades à concorrência dos supermercados, que passaram a negociar eletrodomésticos e eletrônicos com preços inferiores ao custo de fábrica, a fim de atrair a freguesia para outros itens de suas lojas.[5] Outra causa foi a explosão da inadimplência e a redução do poder de consumo da população.[7]
Sequestro
No dia 17 de setembro de 1998, quando lia jornais na sede de sua empresa, Girz Aronson foi levado para um cativeiro. Ficou por 14 dias em poder dos sequestradores, onde foi espancado, sofreu hematomas e teve o nariz fraturado. Foi liberado depois do pagamento de um resgate de 117 mil reais, negociado pelo seu filho Gérson Aronson. Inicialmente os criminosos queriam receber um milhão de reais em troca da vida de Aronson, segundo a versão da família. Na noite do dia 30 de setembro de 1998, ocorreu a entrega do dinheiro para os criminosos em um bar em Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo e no dia seguinte, às 3h30 sob chuva, no km 27 da rodovia Castelo Branco, em Barueri, o empresário, então com 81 anos, foi liberado.[8][9][10]
Retorno ao mundo dos negócios e morte
Em setembro de 2000, então com 83 anos, Aronson voltou ao varejo e inaugurou a primeira loja, com 20 m2, na rua Conselheiro Crispiniano (centro de SP), com o nome G. A. Utilidades Domésticas, com a ajuda dos filhos. Em novembro do mesmo ano, abriu a segunda loja, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, com 700 m2. A família chegou a manter quatro lojas abertas em São Paulo.[4]
Em novembro de 2007 o empresário descobriu que sofria de câncer linfático. Ficou internado por três meses no Hospital Oswaldo Cruz, sendo transferido para o Hospital Sírio-Libanês em fevereiro de 2008 onde veio a falecer no dia 19 de junho às 20h50, aos 91 anos, depois de ficar dois dias inconsciente. Segundo nota do hospital, ele morreu em decorrência de insuficiência de múltiplos órgãos. [11]
Girsz Aronson deixou a mulher, Naid Mandra Aronson, quatro filhos (Eliane, Elisabeth, Gerson e Gilberto) e três netos.
Foi sepultado no Cemitério Israelita do Butantã às 9h do dia 20 de junho de 2008.[12] Está sepultado no Setor: L, Quadra: 269, Sepultura: 117.[13]
Referências
- ↑ "Girz Aronson, o 'rei do varejo', morre aos 91 anos", O Estado de S. Paulo, 21/6/2008, pág. B22
- ↑ a b Londrina, Folha de. «Girz Aronson VOLTA EM GRANDE ESTILO». Folha de Londrina. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ a b «G. Aronson admite que rede de lojas está com os dias contados». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 25 de maio de 1999. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ a b c d «Morre fundador da rede de eletrodomésticos G. Aronson». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 21 de junho de 2008. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ a b c d «G. Aronson tem falência decretada - Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: economia». Jornal Diário do Grande ABC. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ Biz, Cidade. «Morre em São Paulo o empresário Girz Aronson, aos 91 anos». Cidade Biz (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ a b c Londrina, Folha de. «Justiça decreta falência da G. Aronson». Folha de Londrina. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ Alves, Crispim (18 de setembro de 1998). «Empresário de 81 anos é sequestrado». Folha de S. Paulo
- ↑ Vergara, Rodrigo (2 de outubro de 1998). «Empresário de SP é libertado após 14 dias». Folha de S. Paulo
- ↑ «Morre em São Paulo o empresário Girz Aronson - Geral». Estadão. Consultado em 25 de março de 2021
- ↑ JCNET (21 de junho de 2008). «'Rei do varejo' morre em SP aos 91 anos». Nacional. Consultado em 25 de março de 2021[ligação inativa]
- ↑ «G1 > Brasil - NOTÍCIAS - Morre em São Paulo o empresário Girz Aronson». g1.globo.com. Consultado em 25 de março de 2021[ligação inativa]
- ↑ «Chevra Kadisha». Consultado em 25 de março de 2021