Giolittismo (política italiana)

O artista italiano Achille Beltrame denuncia o giolittismo no Teatro da Ópera de Roma (1915).

Giolittismo é um conceito político cunhado na Itália da virada do século XIX para o XX, caracterizando um modo de fazer política baseado nas relações pessoais, na fraude eleitoral e na violência política. O termo deriva de Giovanni Giolitti, primeiro-ministro italiano e um dos principais adeptos dessas práticas no período.[1]

Envolvido no “Escândalo da Banca Romana” (1893), Giolitti se afastou da política italiana por uma década, retornando ao posto de presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) em 1903, quando colocou em prática uma política ambígua: no norte do país, mais industrializado e democrático, o mandatário apoiava o sufrágio universal masculino e os direitos trabalhistas; no sul, mais rural e clientelista, ele reforçava o poder dos proprietários de terras e da Igreja Católica.[2]

O giolittismo é, acima de tudo, a supremacia do chefe político sobre as lealdades partidárias, os programas de governo e as ideologias políticas. Os partidos políticos se colocam a serviço das lealdades locais e dos interesses pessoais e os líderes frequentemente se utilizam da corrupção e da violência para se manter no poder e calar os adversários. A prática, dentro do contexto do “transformismo” italiano,[3] ajudou a desacreditar o parlamentarismo e as instituições públicas da Itália Liberal (1861-1922), pavimentando o caminho rumo ao fascismo.[4]

Referências

  1. «Giolittismo | Italian politics | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 8 de março de 2025 
  2. DAntuono, Giulia (7 de outubro de 2012). «Il doppio volto di Giolitti». Calvinoblog (em italiano). Consultado em 8 de março de 2025 
  3. «Do Giolittismo à Guerra Mundial». Publicações. p. 91. Consultado em 8 de março de 2025 
  4. «Giovanni Giolitti». educacao.uol.com.br. Consultado em 8 de março de 2025