Gilles Bouhours

Gilles Bouhours
O pequeno Gilles Bouhours aos 6 anos, em 1950
Conhecido(a) porVidente mariano
Nascimento
Morte
26 de fevereiro de 1960 (15 anos)

NacionalidadeFrancês

Gilles Bouhours (Bergerac, 27 de novembro de 1944Seilhan, 26 de fevereiro de 1960) foi um jovem vidente mariano francês.[1] Tornou-se conhecido após um encontro privado com o Papa Pio XII em 1 de maio de 1950, onde confiou a ele uma suposta mensagem da Virgem Maria sobre a instituição do dogma da Assunção.[2]

Acredita-se que o pontífice pediu a Deus, durante o Ano Santo de 1950, um sinal que pudesse tranquilizá-lo de que o dogma da Assunção estava de acordo com a vontade divina. Quando Gilles deu a mensagem a Pio XII, o papa considerou-a o sinal esperado. Seis meses após o encontro privado, o papa proclamou o dogma da Assunção publicando a constituição apostólica Munificentissimus Deus.[2]

Biografia

Gilles Bouhours nasceu em 27 de novembro de 1944, em Mayenne, França. Seu pai era o encanador Gabriel Bouhours, já sua mãe Madeleine era dona de casa. Gilles era o terceiro de cinco filhos do casal.

Aos nove meses de idade, Gilles foi diagnosticado com meningoencefalite (meningite com encefalite), uma doença que era frequentemente fatal na época, porque não havia medicamentos nem tratamentos eficazes para combatê-la. Por esta razão, uma amiga da família e freira das Irmãzinhas dos Pobres deu aos pais de Gilles duas imagens de santos com relíquias para colocarem debaixo do seu travesseiro; uma era um santinho com uma relíquia de Santa Teresa do Menino Jesus, e a outra imagem era de um missionário. Três noites se passaram sem nenhuma melhora na saúde de Gilles, mas na quarta noite seus pais o encontraram curado, respirando normalmente e sem febre.[3]

As aparições

Em 1947, Gilles e sua família viviam em Arcachon. Ele tinha dois anos de idade e era semelhante aos seus pares. Em 30 de setembro de 1947, Gilles alegou ter tido uma visão da Virgem Maria, que mais tarde foi seguida por muitas outras. Em uma dessas visões, ele relatou que Nossa Senhora lhe pediu para ir a Espis, ao norte de Moissac, no departamento de Tarn-et-Garonne, na Diocese de Montauban. Na área estavam três crianças — e logo depois um homem de 40 anos — que alegaram ter visto a Virgem Maria em 1946. Esses supostos videntes foram imediatamente investigados pela diocese. Em 12 de dezembro de 1946, o bispo local, Pierre-Marie Théas, havia divulgado sua opinião sobre suas supostas aparições em uma carta particular, considerando-as falsas e, portanto, indignas de fé. Seu julgamento dizia respeito apenas aos supostos videntes de Espis e não a Gilles, que não estava sujeito à investigação na época, apesar de ter se envolvido no caso e se associado aos supostos videntes logo depois.

Seis meses depois, em 4 de maio de 1947, o bispo tornou pública sua decisão oficial, ameaçando suspender a divinis qualquer padre que celebrasse missa em Espis. Durante esse período, Gilles alegou que Maria confirmou que ele deveria cumprir a decisão do bispo, não participando de nenhuma missa em Espis. Gilles só visitou Espis em 13 de outubro daquele ano, portanto, a decisão do bispo não se aplicava de forma alguma às visões do menino.

Quando Théas deixou a diocese, Louis de Courrèges d'Ustou assumiu e, em 1.º de fevereiro de 1950, criou uma nova comissão para avaliar os supostos videntes. Sua conclusão foi que as visões nada mais eram do que autossugestões e alucinações, excluindo qualquer origem sobrenatural. Embora Gilles não tivesse sido contado entre os supostos videntes de Espis afetados pelo decreto do bispo local, ele estava envolvido no caso. Tais acusações impediram Gilles de obter uma audiência privada com o pontífice.[3]

A mensagem ao Papa

Em 13 de dezembro de 1948, Gilles relatou que a Virgem Maria lhe havia confiado um segredo reservado ao Papa.

Após repetidos pedidos de Maria, como Gilles relatou, bem como a insistência do próprio Gilles, uma viagem a Roma foi finalmente organizada, apesar do custo e das dificuldades econômicas de sua família. Apenas Gilles e seu pai participaram da viagem.

Em 12 de dezembro de 1949, Gilles e seu pai puderam encontrar o papa em uma audiência não privada, mas a criança não revelou o segredo, alegando que a Virgem Maria o havia instruído a revelá-lo apenas ao papa. Não podendo transmitir a mensagem ao Papa Pio XII, Gilles ficou decepcionado e ainda quis transmiti-la em particular.

Artigo no Il Giornale d'Italia publicado em 10 de junho de 1950 que fala do encontro entre Gilles e o Papa Pio XII

Uma segunda viagem foi então organizada, mas foi inicialmente bloqueada devido ao recebimento de uma carta negando a possibilidade de Gilles obter uma segunda audiência com o papa, devido às sentenças dos bispos locais contra os quatro supostos videntes de Espis, sentenças que, indevidamente, também foram estendidas ao pequeno Gilles, visto que Gilles não foi nomeado por esses decretos. Após várias vicissitudes, Gilles e seu pai finalmente conseguiram ir a Roma no final de abril, e em 1.º de maio de 1950 o Papa Pio XII recebeu Gilles em uma audiência privada. Uma vez enviada a mensagem a Pio XII, Gilles agora estava livre para transmiti-la também a outras pessoas. A mensagem consistia nisto: "A Bem-Aventurada Virgem Maria não está morta; ela ascendeu ao céu em corpo e alma." A visita não passou despercebida e, em 10 de junho de 1950, o jornalista Gaetano Fabiani, do Il Giornale d'Italia, publicou um artigo que detalhava a mensagem de Gilles, intitulado Un bambino francese di 5 anni ha parlato con Papa ('Um menino francês de 5 anos falou com o Papa').[4]

Após o encontro privado de Gilles com o Papa, outros artigos também apareceram em vários jornais, descrevendo o encontro entre Gilles e o Papa como "O caso do pequeno Gilles". A frase de Gilles era uma expressão bastante simples e breve, mas, ainda assim, foi considerada, segundo diversas fontes bem informadas, como o sinal que o Papa Pio XII havia pedido e esperado de Deus, para confirmar a proclamação do dogma da Assunção de Maria. Tendo obtido o sinal necessário, o pontífice proclamou o dogma da Assunção de Maria 6 meses depois (em 1.º de novembro de 1950).

Após o cumprimento da missão de Gilles, ao transmitir a mensagem ao Papa, de 1950 a 1958, Gilles declarou que ainda era visitado regularmente por Maria. Em 15 de agosto de 1958, segundo Gilles, a Virgem lhe apareceu pela última vez.

O pequeno Gilles morreu em 26 de fevereiro de 1960, aos 15 anos, após uma curta doença de 48 horas. Alguns médicos afirmaram que a morte foi causada por uma crise de uremia, enquanto outros acreditavam que era asma. Nunca houve uma explicação clara da causa de sua morte.[3]

Beatificação

Uma comissão diocesana de inquérito foi solicitada em 2014 pelo arcebispo de Toulouse, Robert Le Gall, tendo em vista uma possível futura beatificação de Gilles Bouhours.[5]

Referências

  1. «Gilles Bouhours (1944-1960)». data.bnf.fr (em inglês). Consultado em 5 de outubro de 2025 
  2. a b «Gilles Bouhours» (em italiano). Santi e Beati. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  3. a b c «Little Gilles Bouhours -The 5 year old who delivered a heavenly message to the Pope» (em inglês). Mystics of the Church. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  4. «Emeroteca - Biblioteca Nazionale Centrale di Roma». digitale.bnc.roma.sbn.it (em italiano). Consultado em 5 de outubro de 2025 
  5. «Son combat pour béatifier Gilles Bouhours». www.ladepeche.fr (em francês). 16 de junho de 2019. Consultado em 5 de outubro de 2025 

Bibliografia

  • Guiot, Alain (2013). Mon petit Jésus de la Terre Paroles de Vierge (em francês). [S.l.]: Resiac. ISBN 978-2852684713 
  • Guiot, Alain (2017). Gilles Bouhours – voyant de la vierge marie: Récit intégral des apparitions (em francês). [S.l.]: Rassemblement a son image. ISBN 978-2364635371 
  • Guiot, Alain (2010). Gilles Bouhours. Les apparitions de la Vierge Marie à Gilles Bouhours (em francês). [S.l.]: Fernand Lanore. ISBN 978-2851575937 
  • Marius, Jean F. E. C. (1970). Le Petit Gilles, Histoire De L'Adolescent Gilles Bouhours,1944–1960 (em francês). [S.l.]: Hovine. ISBN 978-2880220273 

Ligações externas