Geração Silenciosa

Geração Silenciosa é um termo usado para se referir à população nascida entre 1925 e 1942, nomeadamente durante a Grande Depressão (1929-1939) e Segunda Guerra Mundial (1939-1945).[1] Na idade adulta presenciaram a Guerra da Coreia, o nascimento do rock nos anos 50 e movimentos de direitos civis nos anos 60. Apesar de inicialmente aplicado ao povo da América do Norte, passou a abranger também aqueles nascidos na Europa Ocidental e Australásia.

Terminologia

A revista Time usou pela primeira vez o termo "Geração Silenciosa" em um artigo de 5 de novembro de 1951 intitulado "The Younger Generation", embora o termo pareça anteceder a publicação:[2]

O fato mais surpreendente sobre a geração mais jovem é o seu silêncio. Com raras exceções, os jovens não estão nem perto do púlpito. Em comparação com a Juventude Flamejante de seus pais e mães, a geração mais jovem de hoje é uma chama pequena e silenciosa. Eles não emitem manifestos, não fazem discursos nem carregam cartazes. Eles foram chamados de "Geração Silenciosa".

O artigo da Time usou anos de nascimento de 1923 a 1933 para a geração, mas o termo acabou migrando para os anos posteriores atualmente em uso.[3] Uma razão proposta posteriormente para esse silêncio percebido é que, como jovens adultos durante a Era McCarthy, muitos membros da Geração Silenciosa sentiram que não era prudente se manifestar.[4]

O termo "Geração Silenciosa" também é usado para descrever um grupo etário semelhante no Reino Unido, mas às vezes foi descrito como uma referência à disciplina infantil rigorosa que ensinava as crianças a serem "vistas, mas não ouvidas".[5][6] No Canadá, o termo tem sido usado com o mesmo significado que nos Estados Unidos.[7] A coorte também é conhecida como "Geração Tradicionalista".[8]

Datas e definições de faixas etárias

O Pew Research Center usa os anos de nascimento de 1928 a 1945 para essa coorte. De acordo com essa definição, as pessoas da Geração Silenciosa têm entre 80 e 98 anos.[9][10]

O Intergenerational Centre da Resolution Foundation usou os anos de 1926 a 1945, enquanto a Encyclopedia of Strategic Leadership and Management usa o intervalo de 1925 a 1945. Essa geração atingiu a maioridade já em 1946 e tão tarde quanto 1963, mas a maioria dos Silenciosos atingiu a maioridade na década de 1950, no rescaldo do movimento dos direitos civis, que foi seguido pelos boomers mais velhos na década de 1960.[11][12] Os autores William Strauss e Neil Howe usam os anos de 1925 a 1942.[13][14] Pessoas nascidas nos anos finais da Segunda Guerra Mundial que eram jovens demais para ter qualquer lembrança direta do conflito são às vezes consideradas culturalmente, se não demograficamente, baby boomers.[15][16][17]

Pessoas famosas

Brasil

Investigando o contexto brasileiro, as pesquisadoras Milhome e Rowe, da Universidade Federal da Bahia, identificaram os nascidos entre 1930 e 1943, que na infância e adolescência vivenciaram os efeitos da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, os efeitos da Deposição de Vargas e a crise social que resultou na ditadura militar brasileira entre fins da adolescência e entrada na idade adulta, como parte da geração Pré Ditadura.[18]

Brasileiros famosos da Geração Pré-Ditadura

Ver também

Referências

  1. "The Younger Generation". Time Magazine (1951)
  2. «People: THE YOUNGER GENERATION». Time. 5 de novembro de 1951. Consultado em 3 de março de 2020. Cópia arquivada em 15 de abril de 2022 
  3. Menand, Louis (11 de outubro de 2021). «It's Time to Stop Talking About 'Generations'». The New Yorker. Consultado em 11 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2022 
  4. Handbook to Life in America, Volume 8 Rodney P. Carlisle Infobase Publishing, 2009, p. 22
  5. «From the silent generation to 'snowflakes': why you need friends of all ages». the Guardian (em inglês). 18 de outubro de 2019. Consultado em 17 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2019 
  6. «Millennials, baby boomers or Gen Z: Which one are you and what does it mean?». BBC Bitesize (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2019 
  7. Dangerfield, Katie (23 de julho de 2017). «From baby boomers to millennials: Which generation speaks to you?». Global News (em inglês). Consultado em 18 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 4 de abril de 2022 
  8. Fineman, Stephen (2011). Organising Age. Oxford: Oxford University Press. p. 45. ISBN 978-0-19957-804-7 
  9. «Generations and Age». Pew Research. 1 de março de 2018. Cópia arquivada em 31 de março de 2018 
  10. «Definitions – Pew Research Center». www.pewresearch.org. Consultado em 25 de setembro de 2016. Arquivado do original em 16 de fevereiro de 2017 
  11. Rahman, Fahmida; Tomlinson, Daniel (fevereiro de 2018). «Cross Countries: International comparisons of intergenerational trends» (PDF). Intergenerational Commission. Resolution Foundation. Consultado em 26 de maio de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 17 de abril de 2018 
  12. Bowman, Sandra G.; Mulvenon, Sean W. (2017). «Effective Government of Generational Dynamics in the Workplace». In: Wang, Victor C. X. Encyclopedia of Strategic Leadership and Management. Hershey, PA: IGI Global. p. 835. ISBN 978-1-52251-050-5. Consultado em 3 de novembro de 2022. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2023 
  13. Howe, Neil (13 de julho de 2014). «The Silent Generation, 'The Lucky Few' (Part 3 of 7)». Forbes. Consultado em 21 outubro 2014. Cópia arquivada em 23 de setembro de 2014 
  14. Strauss, William (2009). The Fourth Turning. [S.l.]: Three Rivers Press. ASIN B001RKFU4I 
  15. Howe, Neil (20 de agosto de 2014). «The Boom Generation, "What a Long Strange Trip" (Part 4 of 7)». Forbes (em inglês). Consultado em 19 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 4 de abril de 2022 
  16. Strauss, William; Howe, Neil (1992). Generations the history of America's future, 1584 to 2069 (em inglês). [S.l.]: Quill. ISBN 978-0-688-11912-6. OCLC 1072494545 
  17. Owram, Doug (31 de dezembro de 1997). Born at the Right Time. [S.l.: s.n.] ISBN 978-1-4426-5710-6. doi:10.3138/9781442657106 
  18. Milhome, Jaqueline Cavalcante (2022). Gerações Brasileiras (PDF). Uma proposta de classificação e de identificação dos valores pessoais e no trabalho (Tese). Salvador: Universidade Federal da Bahia. p. 64-65. 164 páginas. Consultado em 8 de julho de 2024 

Precedido por
Geração Grandiosa
Geração Silenciosa
1925 - 1942
Sucedido por
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