Geotrigona aequinoctialis

Geotrigona aequinoctialis
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Família: Apidae
Subfamília: Apinae
Gênero: Geotrigona
Espécie: G. aequinoctialis
Nome binomial
Geotrigona aequinoctialis
(Ducke, 1925)
Sinónimos[1][2]
  • Melipona subterranea aequinoctialis Ducke, A. (1925)

Geotrigona aequinoctialis, popularmente conhecida como mombuca,[2] marmelada-amarela[3] ou abelha-sem-ferrão,[4] é uma espécie de abelha da subfamília dos apíneos (Apinae), endêmica da América do Sul e distribuída em áreas florestadas. Foi descrita por Adolpho Ducke em 1925.[1]

Nome

O nome popular abelha-sem-ferrão, que se comporta como sinônimo de abelha-da-terra, é comum de algumas espécies de apíneos.[5] Mombuca, também registrado como mumbuca, mombucão ou mumbucão, deriva do tupi mu'mbuka como nome comum de abelhas da família dos meliponídeos.[6] O nome genérico Geotrigona faz referência ao hábito das espécies desse grupo nidificarem em cavidades no solo.[7]

Taxonomia

Geotrigona aequinoctialis foi descrita sob o sinônimo Melipona subterranea aequinoctialis por Adolpho Ducke em 1925 na publicação Die stachellosen Bienen (Melipona) Brasiliens, Nach morphologischen und ethologischen Merkmalen geordnet.[8] A localidade-tipo fornecida foi o estado do Pará, no Brasil. Seu lectótipo é MZUSP 103589 e seu paralectótipo é MZUSP 103579.[9]

Descrição

A operária de Geotrigona aequinoctialis tem corpo de 5 a 5,4 milímetros de comprimento e a cabeça com 2,44 milímetros de largura. Sua coloração é preto brilhante.[10] As espécies de seu gênero possuem metassoma curto, quase tão largo quanto o mesossoma, achatado dorsoventralmente. A margem retrodorsal da metatíbia da operária geralmente possui poucas cerdas plumosas, a maioria com apenas dois a seis ramos dispersos, não concentrados nos ápices. A margem apical da metatíbia é arredondada, unindo-se de forma contínua à curva distal superior, que é amplamente arredondada e não se projeta em ângulo ou dente distinto antes do ângulo superior; a margem apical é reta ou fracamente côncava. Não há manchas amarelas no tegumento. A nervura M da asa anterior é escura quase até a margem. Os discos do esterno metassômico apresentam cerdas abundantes, eretas, algumas com ápices curvos.[7]

Distribuição e habitat

Geotrigona aequinoctialis é endêmica do Brasil e ocorre nos estados do Ceará (Baturité, Caririaçu, Guaramiranga e Ubajara[9]), Pará (Belém e Cumaru do Norte[9]) e Maranhão (Alcântara, Barra do Corda, Buriticupu, Maranhão, São Luís e São Raimundo das Mangabeiras[9]), nos biomas da Caatinga, Cerrado e Amazônia.[11] Em termos hidrográficos, ocorre nas sub-bacias do Gurupi, do Itapecuru, do Jaguaribe, do litoral do Ceará e Piauí, do Mearim, do Alto Parnaíba, do Baixo Tocantins e do Xingu. Habita áreas florestadas.[2]

Conservação

Em 2018, Geotrigona aequinoctialis foi classificada como pouco preocupante (LC) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[4][12] A espécie aparenta ser bastante rara. Embora possua ampla distribuição e diversos registros, todos são antigos, datando de 1982, 1983 e 1992. As principais ameaças à sua sobrevivência são a destruição e a perda de habitat. A região onde ocorre está altamente fragmentada, com os remanescentes florestais isolados por vastas áreas destinadas à agropecuária e à urbanização.[2] Ao longo de sua área de distribuição ocorre em algumas áreas de conservação: Floresta Nacional de Carajás (Flona Carajás), o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos (PARNA dos Campos Ferruginosos), a Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (APA das Reentrâncias Maranhenses) e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Boa Esperança (RPPN Fazenda Boa Esperança).[2]

Referências

  1. a b «'Geotrigona aequinoctialis (Ducke, 1925)». Global Biodiversity Information Facility (GBIF) (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2025 
  2. a b c d e de Aguiar, Antônio José Camillo; Brant, Arthur; Blochtein, Betina; Borges Henriques, Cibelle; Menezes, Cristiano; Silva Nogueira, David; Garcez Militão, Elba Sancho; de Oliveira, Favízia Freitas; da Silveira, Fernando Amaral; Vieira Zanella, Fernando César; Canto Resende, Helder; dos Santos Júnior, Jose Eustáquio; Faria Junior, Luiz Roberto Ribeiro; de Albuquerque, Patricia Maia Correia; Barbosa Gonçalves, Rodrigo; Witter Freitas, Sidia; Giannini, Tereza Cristina (2023). «Geotrigona aequinoctialis (Ducke, 1925)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.35974.2. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  3. «Ficha de cadastro de propriedade com apicultura / meliponicultura» (PDF). Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO), Gerência de Inspeção e Defesa Sanitária Animal, Divisão de Defesa Sanitária Animal, Núcleo do Programa Nacional de Sanidade Apícola. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 20 de junho de 2024 
  4. a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  5. Grande Dicionário Houaiss, verbete abelha-sem-ferrão
  6. Grande Dicionário Houaiss, verbete mombuca
  7. a b Engel, M. S.; Rasmussen, C. (2021). «Stingless bee classification and biology (Hymenoptera, Apidae)». ZooKeys. 104: 1–35. doi:10.3897/zookeys.10401200. Consultado em 11 de maio de 2025. Cópia arquivada em 1 de maio de 2025 
  8. «Geotrigona aequinoctialis (Ducke, 1925)». Integrated Taxonomic Information System (ITIS). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  9. a b c d Camargo, J. M. F.; Pedro, S. R. M.; Melo, G. A. R. (23 de julho de 2008). Moure, J. S.; Urban, D.; Melo, G. A. R., eds. «Geotrigona aequinoctialis (Ducke, 1925)». Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region - online version. Consultado em 12 de junho de 2025. Cópia arquivada em 17 de junho de 2025 
  10. Pedro, Silvia R. M.; Oliveira, Favízia Freitas de; Campos, Lucio Antonio de Oliveira (2022). «Geotrigona aequinoctialis». Abelhas sem ferrão do Pará: a partir das expedições científicas de João M. F. Camargo (PDF). São Paulo: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). ISBN 978-65-88924-20-9 Verifique |isbn= (ajuda). doi:10.11606/9786588924209. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 4 de dezembro de 2024 
  11. XXI International Congress of Entomology: XVIII Brazilian Congress of Entomology [Abstracts]. Londrina: Sociedade Entomológica do Brasil, Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Embrapa Soja. 2000. p. 116 
  12. «Geotrigona aequinoctialis (Ducke, 1925)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 11 de junho de 2025. Cópia arquivada em 12 de junho de 2025 

Ligações externas