Garaçapé
Garaçapé
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![]() Espécime avistado em 2013 | |||||||||||||||||
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Desenho de 1902 de Barton Warren Evermann (1853–1932) e Millard Caleb Marsh (1872–1936)
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Alphester afer (Bloch, 1793) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[2][3] | |||||||||||||||||
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O garaçapé,[4] sapé[3] ou garoupa-gato[5] (nome científico: Alphestes afer) é um espécie de peixe marinho classificada na família das garoupas ou epinefelídeos (Epinephelidae), endêmico do litoral dos países da América banhados pelo Oceano Atlântico.[2]
Descrição
O garaçapé possui 11 espinhos e de 17 a 20 raios moles na barbatana dorsal, três espinhos e de 9 a 10 raios moles na barbatana anal e de 16 a 18 raios moles nas barbatanas peitorais. Sua barbatana caudal é arredondada e apresenta 15 raios ramificados. Seu corpo é ligeiramente mais profundo que sua cabeça e o diâmetro de seu olho é maior ou igual ao comprimento do focinho. Seu pré-opérculo é arredondado, com a borda posterior serrilhada, com um grande espinho antrorso no ângulo direcionado para baixo e para frente e geralmente coberto com pele.[6]
As escamas do garaçapé são lisas. Sua cabeça, corpo e barbatanas medianas têm coloração olivácea ou marrom-clara, irregularmente manchadas e barradas de marrom-escuro. Alguns indivíduos são densamente manchados de laranja. A cabeça, o corpo e todas as barbatanas comumente possuem manchas brancas dispersas e o corpo às vezes é coberto por pequenos pontos pretos espalhados. Suas barbatanas peitorais podem ser laranja ou amarelas com reticulações escuras fracas. Quando vendido nos mercados de peixes, sua coloração tende ao desbotamento.[6] Seus olhos apresentam íris vermelha. Alcança até trinta e três centímetros de comprimento total.[7]
Distribuição e habitat
O garaçapé é encontrado no Oceano Atlântico, no litoral sul da Flórida (Estados Unidos), ao longo das ilhas do Caribe (Anguila, Antígua e Barbuda, Aruba, Baamas, Barbados, Bermudas, Bonaire, Santo Eustáquio e Saba, ilhas Caimã, Cuba, Curaçau, Haiti, Guadalupe, Jamaica, Martinica, Monserrate, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Martinho (francês), São Martinho (neerlandês), São Vicente e Granadinas, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Virgens Americanas, ilhas Turcas e Caicos, Trindade e Tobago, São Bartolomeu, Granada, República Dominicana, Dominica) e no litoral de Belize, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, México, Porto Rico, Honduras, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Brasil, do Maranhão até Santa Catarina.[1][3] Recentemente foi redescoberto na ilha de São Tomé, no golfo da Guiné, na África.[6] O garaçapé habita recifes rochosos, esponjas e leitos de fanerógamas marinhas, de zero a trinta e cinco metros de profundidade.[7]
Biologia e ecologia
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O garaçapé é uma espécie não migratória, solitária e de hábitos noturnos; durante o dia oculta-se em fendas de rochas ou entre algas, às vezes cobrindo-se com areia. Alimenta-se principalmente de crustáceos bentônicos, peixes e invertebrados em geral.[3] Pode viver, em média, de cinco a seis anos e meio,[1] com longevidade máxima de 13 anos em áreas de pesca.
Reprodução
O Índice Gonadossomático (IGS) revelou um ciclo reprodutivo sazonal, com a desova concentrando-se no segundo semestre do ano, do final do inverno ao início da primavera, entre os meses de junho e novembro.[3] No Brasil, ocorre ao anoitecer, em outubro, com gametas liberados perto do fundo. Durante períodos reprodutivos não ativos, os machos preferem áreas mais profundas e as fêmeas áreas rasas.[1] No litoral norte de Pernambuco, relatou-se que a primeira maturação às fêmeas foi de 16,8 centímetros de comprimento e para os machos, 16,7 centímetros. A fecundidade observada variou entre 105,317 e 270,192 ovócitos, com uma média de 173.458 ovócitos. A taxa de mortalidade total (Z) foi estimada em 0,55 para as fêmeas e 0,82 para os machos.[3]
A espécie foi identificada como protogínica diândrica (hermafroditismo sequencial).[8] Os machos são menores e apresentaram um alto nível de competição espermática, sugerindo uma possível mudança na estrutura do grupo de acasalamento, de desova pareada para desova em grupo. O menor tamanho dos machos sugere que esta espécie, embora mantenha o padrão protogínico, possui uma estratégia reprodutiva semelhante à dos epinefelídeos gonocóricos. De acordo com Marques & Ferreira (2016), a mudança de sexo ocorre em indivíduos com tamanho entre 16 e 25 centímetros e idade entre três e 11 anos. Na região do Caribe, Thompson & Munro (1983) estimaram, para quatro fêmeas, uma produção de ovos variando entre 157,512 e 223,706 por indivíduo.[3]
Conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica o garaçapé como uma espécie pouco preocupante (LC), em decorrência de sua ampla distribuição e abundância em seus habitats.[1] A perda de habitat (ações antrópicas que comprometem os recifes) e a pesca são as maiores ameaças para a espécie. Em parte de sua área de distribuição é capturado em pequena escala por pescarias artesanais, vendido fresco em mercados locais e ocasionalmente exportado para o comércio de aquários. Há, contudo, relatos de intoxicação por ciguatera em consumidores.[6] Entre 1995-2000, o garaçapé representou 0,25% do comércio de aquários.[1] No Brasil, ao longo do litoral, o garaçapé é capturado em pescarias multiespecíficas (linha, armadinha e/ou arpão), e embora sua pesca seja de menor escala, houve impacto no tamanho global de sua população em alguns trechos de sua distribuição. A captura e exportação como peixe ornamental ocorre no Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro, com 332 indivíduos registrados pelo Sistema de Informações do Banco Central (SISBACEN) entre 2006 e 2013.[3]
Em 2018, o garaçapé foi classificada como "dados insuficientes" (DD) no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),[4][9] pois é pouco comum ao longo da costa brasileira, salvo em alguns poucos pontos de sua área de distribuição, como o Espírito Santo e no perímetro das áreas de conservação: a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APA Costa dos Corais), a Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (APA Guaraqueçaba), Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras (Mona Arquipélago das Ilhas Cagarras), o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (PARNA Marinho dos Abrolhos), a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (Rebio Marinha do Arvoredo), a Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo (Resex Arraial do Cabo), a Área de Proteção Ambiental Baía de Todos os Santos (APA Baía de Todos os Santos) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraque-Açú e Piraque-Mirim (RDS Piraque-Açu e Piraque-Mirim). De acordo com o Programa REVIZEE/Score Central, o garaçapé não ocorre com frequência nas pescarias entre o cabo de São Tomé, no Rio de Janeiro, e Salvador, na Bahia. Em áreas onde a pesca é permitida, como Guarapari, no Espírito Santo, e Itamaracá, em Pernambuco, observou-se reduções na abundância da espécie.[3]
Referências
- ↑ a b c d e f Padovani-Ferreira, B.; Bertoncini, A. A.; Erisman, B.; Craig, M. T. (2018). «Mutton Hamlet Alphestes afer». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2018: e.T132764A42691522. doi:10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T132764A42691522.en
. Consultado em 5 de maio de 2025
- ↑ a b Froeser, R.; Pauly, D. «Alphestes afer (Bloch, 1793)». World Register of Marine Species (WoRMS). Consultado em 7 de maio de 2025. Cópia arquivada em 13 de abril de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Pimentel, Caio Ribeiro; Macieira, Raphael; Sampaio, Cláudio Luis Santos; Rolim, Fernanda Andreoli; Ferreira, Gabriel Costa Cardozo; Reis-Filho, José Amorim; Benevides, Larissa de Jesus; Mendes, Liana de Figueiredo; Fiuza, Thiago Matheus Jantsch; Marques, Simone; Mendes, Thiago Costa; Scalco, Allan Cesar Silva; Schneider, Fabiola; Salge, Paula Guimarães; Santos, Roberta Aguiar dos (2024). «Alphestes afer (Bloch, 1793)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- ↑ a b «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
- ↑ «Listagem de nome referência». Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira de Minas Gerais e Espírito Santo (PMAP/MG-ES). Consultado em 22 de maio de 2025. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ a b c d «Alphestes afer». FishBase. Consultado em 25 de abril de 2025. Cópia arquivada em 8 de abril de 2024
- ↑ a b «Alphestes afer». Sistema de informação online Shorefishes of the Greater Caribbean. Consultado em 25 de abril de 2025. Cópia arquivada em 31 de março de 2025
- ↑ Marques, Simone; Ferreira, Beatrice P. (2011). «Sexual development and reproductive pattern of the Mutton hamlet, Alphestes afer (Teleostei: Epinephelidae): a dyandric, hermaphroditic reef fish» [Desenvolvimento sexual e padrão reprodutivo do pargo-raspe, Alphestes afer (Teleostei: Epinephelidae): um peixe recifal hermafrodita e diândrico] (PDF). Sociedade Brasileira de Ictiologia. Neotropical Ichthyology (em inglês). 9 (3): 547-558. doi:10.1590/S1679-62252011005000026. Consultado em 28 de abril de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2023
- ↑ «Alphestes afer (Bloch, 1793)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 7 de maio de 2025. Cópia arquivada em 7 de maio de 2025
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