Gameleira (Pernambuco)

Gameleira
Município do Brasil
Vista aérea da cidade banhada pelo rio Sirinhaém
Vista aérea da cidade banhada pelo rio Sirinhaém
Vista aérea da cidade banhada pelo rio Sirinhaém
Hino
Lema Ad futurum prosperitate plenum
Gentílico gameleirense
Localização
Localização de Gameleira em Pernambuco
Localização de Gameleira em Pernambuco
Localização de Gameleira em Pernambuco
Gameleira está localizado em: Brasil
Gameleira
Localização de Gameleira no Brasil
Mapa de Gameleira
Coordenadas 🌍
País Brasil
Unidade federativa Pernambuco
Municípios limítrofes Ribeirão (N e L), Água Preta (S e O), Rio Formoso (L).
Distância até a capital 93,4 km
História
Fundação 10 de abril de 1896 (129 anos)
Emancipação 13 de dezembro de 1873 (152 anos)
Administração
Distritos
Lista
  • Gameleira, Cuiambuca, José da Costa
Prefeito(a) Dr. Leandro Ribeiro Gomes de Lima[1] (PSD, 2025–2028)
Características geográficas
Área total [2] 257,716 km²
População total (IBGE/2022[carece de fontes?]) 18,214 hab.
Densidade 0,1 hab./km²
Clima tropical (As')
Altitude 101 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,602 médio
PIB (IBGE/2012[4]) R$ 131 490 mil
PIB per capita (IBGE/2012[4]) R$ 4 613,20
Sítio gameleira.pe.gov.br (Prefeitura)

Gameleira é um município brasileiro do estado de Pernambuco. O município é formado pelo distrito sede e pelos povoados de Cuiambuca, José da Costa e Cachoeira Lisa.

História

O município de Gameleira foi no princípio, um engenho de açúcar. Não se sabe com exatidão quando foi instalado o “Engenho Gameleira”. O engenho integrava o território de Sirinhaém e, em meados do século XIX, pertencia então a Carlos Leitão de Albuquerque.

Em 1860, nas terras do referido engenho, iniciou-se a construção de uma estação da estrada de ferro do Recife ao São Francisco. A estação foi inaugurada em 1862, e denominada “Estação Gameleira”. O povoamento, foi motivado por três fatores: a construção da ferrovia, o estabelecimento de uma feira livre e a edificação de uma capela a Nossa Senhora da Penha. Esses fatores contribuíram para que centenas de pessoas migrassem para as terras de Gameleira, fazendo surgir um núcleo populacional, inicialmente, chamado “Povoação de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”.[5]

Em 11 de julho de 1867, a Lei Provincial n° 763, elevou a primitiva Capela à condição de Matriz, criando a “Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”. Por conseguinte, forças políticas locais, conseguiram a aprovação da Lei n° 1.057, de 7 de junho de 1872, desmembrando o território de Gameleira, do município de Sirinhaém objetivando a emancipação político-administrativa.[6] A emancipação foi concretizada com a instalação da primeira “Câmara de Vereadores” e da “Vila de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”, em 13 de dezembro de 1873.[7][8]

Emancipação Política

A oligarquia rural foi a responsável pela emancipação política de Gameleira. Cinco fatores contribuíram para o processo: o desenvolvimento religioso da Paróquia, o fortalecimento econômico e financeiro, "o aumento demográfico, o número elevado de engenhos de açúcar em pleno funcionamento, e o comércio sólido e independente".[9] Diariamente a povoação de Gameleira progredia e, "em todos os setores se credenciava para obter a sua emancipação administrativa". Em face deste progresso, um grupo de senhores de engenho "fez sentir as autoridades imperiais da Provincia de Pernambuco a necessidade" de criação de uma Vila, emancipada do território de Sirinhaém.[9]

Na liderança dos aristocratas encontravam-se o coronel Francisco Manoel Wanderley Lins e o capitão Bartolomeu do Rêgo Barros. Estes, conquistaram a adesão popular formando um grupo político composto de dez senhores de engenhos. Esse grupo político, conquistou o que desejava: a emancipação político-administrativa de Gameleira. Além dos lideres supracitados, faziam parte do grupo politico, os seguintes membros: Dr. José Eugênio da Silva Ramos (engenho Curuzu), Cap. Belarmino Doroteu Rodrigues da Silva (engenho Pontable), Cinclético Américo dos Santos (engenho Boa Ventura), Idelfonso Galdino do Rêgo Barros (engenho Duas Barras), Antônio Acioliy Correia (engenho Dois Braços), Silvestre Pereira da Silva Guimarães e o bacharel Vicente Tavares Rodrigues de Lima.[10]

Diante da articulação politica, em 7 de junho de 1872, o Dr. Manoel do Nascimento Machado Portela, Comendador da Imperial Ordem da Rosa, vice-presidente da Província de Pernambuco, sancionou a Lei n° 1.057, criando a Vila de Gameleira. Por conseguinte, em 18/10/1873, um processo eletivo culminou na eleição de sete vereadores.

Instalação da Vila e da Câmara

A Vila e a Câmara foram instaladas simultaneamente às doze horas do dia 13 de dezembro de 1873. A data é o marco histórico da emancipação política e administrativa do município de Gameleira. Na ocasião, foi lavrado o Auto de Instalação da Vila de Nossa Senhora da Penha de Gameleira e, os vereadores eleitos foram empossados pelo Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Sirinhaém.[10]

A primeira Câmara Municipal de Vereadores de Gameleira recebeu a seguinte composição: Cel. Francisco Manoel Wanderley Lins (Presidente da Câmara), Ten. Frutuoso Dias Alves da Silva, Cap. Bartolomeu do Rêgo Barros, Cel. Coriolano Veloso da Silveira, Dr. José Eugênio da Silva Ramos, Dr. Vicente Tavares Rodrigues de Lima e Dr. Francisco José de Medeiros.

A eleição e posse dos primeiros vereadores corresponderam a uma manobra política, ficando conhecida na impressa da época como "mais um escândalo" do governo provincial. A fraude eleitoral recebeu duras críticas do editor do jornal "A Província", contra o barão Henrique Pereira de Lucena, Presidente da Província de Pernambuco e contra os parlamentares eleitos em Gameleira, conforme texto abaixo transcrito:

O Sr. Lucena aprovou finalmente as eleições de Vereadores de Gameleira. Criado este município por lei provincial deste ano, era preciso fazer-se a eleição pelo livro de qualificação existente no município de Sirinhaém. O Sr. Presidente da província designou o dia da "saturnal" e oficiou ao juiz de paz mais votado de Sirinhaém que remetesse ao de Gameleira o livro de qualificação. Sucedeu, porém, que o tal livro não fosse remetido, em tempo, e não obstante arranjaram a mascarada do melhor modo. No dia aprazado simularam um princípio de eleição na matriz, e como a coisa se fazia "inter amicos", foram terminá-la no engenho de uma influência conservadora da localidade, a fim de evitarem o incômodo dos votantes, e suprirem a falta do tal livro. Depois de tudo feito com a maior afronta as prescrições legais e a decência, e quando já era bem desnecessário, chega a qualificação e a competente desculpa do 1° juiz de paz de Sirinhaém. O escândalo foi discutido em palácio, a nulidade da "saturnal" era evidentíssima; não obstante o "nobilissimus proceses", honesto e moralizado Sr. Lucena, aprovou a indecência! Que tal o "nobilissimus"? Sua Excelência não carecia de mais este fato para ser devidamente julgado. .[11]


Para a legislatura de 1875, a Câmara ficou composta dos seguintes membros: Cel. Francisco Antônio de Barros e Silva, o Barão de Escada Belmiro da Silveira Lins, Ageu Veloso Freire, Dr. Sérgio Diniz de Moura Matos, Ten. Cel. Antônio Gonçalves Ferreira, Dr. Manoel Duarte de Faria e Cap. José Lúcio Monteiro da Franca.[carece de fontes?]

No período republicano, em cumprimento ao Decreto n°. 107 de 30 de Dezembro de 1889, foram dissolvidas as câmaras municipais do Estado de Pernambuco e constituídos os Conselhos de Intendência. Para Gameleira, o governo estadual, nomeou em 1890, os seguintes cidadãos: Frutuoso Dias Alves da Silva (presidente), Francisco Antônio Bandeira de Melo e Manoel Gomes de Barros e Silva.

Política

Sendo um município do Brasil, Gameleira se rege por lei orgânica, promulgada em 5 de abril de 1990.[12]

O atual prefeito (gestão 2025-2028) é Dr. Leandro Ribeiro Gomes de Lima.

Geografia

  • População segundo o censo IBGE/2010: 27.915 - Zona urbana: 19.504. Zona rural: 8.411.

O território apresenta uma topografia variada. É banhado pelo rio Sirinhaém. O clima é ameno e o solo é de composição sílico-argiloso em quase toda a sua extensão.

As bacias hidrográficas são as do rio Sirinhaém e com uma área pertencente ao município, de 10,12% e de 1,83% respectivamente. O rio Sirinhaém se encontra com o rio Amaraji no distrito de Cachoeira Lisa, onde está construída uma ponte de concreto, que dá acesso à BR 101 - Sul. O centro urbano está formado por ruas calçadas e praças arborizadas, além de bons imóveis residenciais e comerciais.

O acesso da sede do município à capital do estado pela estrada de ferro é de 96 km e pela estrada asfaltada é de 98 km. O município é dotado de serviços de abastecimento de energia elétrica, feito pela CELPE. Área de comunicações, o município é servido por correio, telefone, rádio e televisão. A ligação por ônibus é feita através das linhas intermunicipais: Gameleira, Cucaú, Ribeirão, Escada, Recife e outras. Gameleira dispõe de um terminal rodoviário com 91 metros de área construída, uma Biblioteca Pública Municipal, Clube Recreativo e duas escolas estaduais, além de diversas escolas municipais.

Ver também

  • Lista de prefeitos da Gameleira
  • Câmara Municipal da Gameleira
  • Bairros da Gameleira

Referências

  1. «Eleição para prefeitura de Gameleira». G1. Consultado em 13 de novembro de 2025 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 1 de outubro de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2012». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  5. História da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Gameleira: Das Origens ao Final do Século XIX”, Lima (2017)
  6. Lima (2022), “História de Gameleira: Do Engenho de Açúcar à Fundação da Cidade”
  7. LIMA, L. M. L. História de Gameleira: Do Engenho de Açúcar à Fundação da Cidade. Edição independente. Gameleira-PE: EENSP, 2022.
  8. LIMA, L. M. L. História da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Gameleira: Das Origens ao Final do Século XIX. Belo Horizonte-MG: Editora Koinonia, 2017.
  9. a b Rêgo Barros (1966).
  10. a b Rêgo Barros (1968).
  11. A Província. Ano II. Número 149. Recife, terça-feira, 18 de novembro de 1873.)
  12. «Câmara Municipal de Gameleira | Casa Marquês de Olinda». Consultado em 13 de novembro de 2025 

[1]

  1. LIMA, Lucio Mauro Lira de (2022). «História de Gameleira: Do Engenho de Açúcar à Fundação da Cidade» EENSP ed. Gameleira-PE