Gabriela Cabezón Cámara

Gabriela Cabezón Cámara
Nascimento4 de novembro de 1968
San Isidro
CidadaniaArgentina
Alma mater
Ocupaçãoescritora, jornalista, romancista
Distinções
Obras destacadasLa Virgen Cabeza, Las niñas del naranjel, The Adventures of China Iron

Gabriela Cabezón Cámara (San Isidro, 4 de novembro de 1968) é uma escritora, jornalista, socio ambientalista e ativista feminista argentina.[1][2] Cofundadora do movimento Ni una menos,[3] é considerada uma das figuras mais proeminentes da literatura argentina e latino-americana contemporânea. [4][2][5]

As suas obras obtiveram grande reconhecimento internacional, ganharam numerosos prêmios e foram traduzidas para várias línguas. Em 2009, publicou seu primeiro romance, La Virgen Cabeza, [6][7] que lhe rendeu reconhecimento literário continental e estabeleceu as bases de seu estilo. Em As Aventuras de China Iron (2017), abordou a literatura gauchesca sob uma perspectiva feminista e queer, cuja versão em inglês foi indicada ao Prêmio Booker Internacional.[7][8][4][9] As Meninas do Laranjal (2023), sobre a personagem histórica da Monja Alférez e a colonização da América, recebeu o Prêmio Ciutat de Barcelona de Literatura em língua castelhana.[10][11][12]

Como jornalista, foi editora de Cultura do jornal argentino Clarín[13] e os seus artigos foram publicados em diversos meios, como Soy(Página/12), Revista Anfibia,[14] Le Monde Diplomatique[15] e Revista Ñ (Clarín).[13]

Biografia

Nasceu em 4 de novembro de 1968, em San Isidro, na província de Buenos Aires, na Argentina. Estudou letras na Universidade de Buenos Aires.[16]

Foi editora de Cultura do jornal argentino Clarín.[13] Em 2013 ganhou uma bolsa para ser escritora residente no Centro de Estudos da América Latina da Universidade da Califórnia em Berkeley.[17]

Em 2015, foi cofundadora do movimento feminista NiUnaMenos.[16]

É titular da cátedra do Taller de Escritura no curso de Artes da Escrita da Universidade Nacional de las Artes.[18] Também ministra oficinas e clínicas de escrita tanto na Argentina como em nível internacional, e atua na área de produção e edição no jornalismo cultural.[19][20][21]

Percurso literário

Em 2009, Gabriela Cabezón publicou o seu primeiro romance, La Virgen Cabeza, que narra a história de uma travesti venerada como santa em uma Villa Miséria da cidade de Buenos Aires.[22][23] Esse romance integra a chamada “trilogia oscura”, juntamente com Le viste la cara a Dios (2011)[24] e Romance de la negra rubia (2014).[25] As três obras expõem as múltiplas violências que atravessam a sociedade, a partir das experiências e histórias de travestis, lésbicas e vítimas do tráfico de pessoas, que se rebelam contra as injustiças.[26]

Em 2013, publicou a novela gráfica Beya baseada em seu conto Le viste la cara a Dios, e ilustrada por Iñaki Echeverría. A obra foi reconhecida pelo Senado da Nação Argentina e declarada de interesse social pela Legislatura da Cidade Autônoma de Buenos Aires.[27][28]

Em 2017, publicou o seu segundo romance, Las aventuras de la China Iron (Random House).[29] A crítica destacou a reinterpretação queer da literatura gauchesca.[30][31] A obra foi selecionada como um dos livros do ano pelas edições em espanhol do New York Times e do jornal El País.[32] [33] Em a edição em inglês foi finalista do Prêmio Booker Internacional em 2020[4] e em 2022, foi finalista do Prêmio Montluc Resistência e Liberdade.[34] Em 2019, foi anunciada a sua adaptação cinematográfica; [35][36] e, em 2023, foi lançada a adaptação teatral com o título de Las Desertoras, dirigida por Violeta Marquis.[37]

Em 2023, publicou seu terceiro romance, Las niñas del naranjel, sobre a freira espanhola Catalina de Erauso, que participou da colonização da América travestida como homem. Em 2024, o livro foi laureado com o Prêmio Ciutat de Barcelona,[38] o Prêmio Konex de Platina na categoria Romance (período de 2014 a 2017)[39], o Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz, concedido pela Feira Internacional do Livro de Guadalajara e os prêmios Fundación Medifé Filba e Perfil de Melhor Obra de Ficção.[40][41]

Obras

Romances

  • 2009: La Virgen Cabeza - Publicado no Brasil como Nossa Senhora do Barraco, pela Editora Moinhos e traduzido por Silvia Massímini Felix.
  • 2014: Romance de la negra rubia
  • 2017: Las aventuras de la China Iron - Publicado no Brasil como As aventuras da China Iron, pela Editora Moinhos e traduzido por Silvia Massímini Felix.
  • 2023: Las niñas del naranjel - Publicado no Brasil como As meninas do laranjal, pela Editora Companhia das Letras e traduzido por Silvia Massímini Felix.

Contos

  • 2011: Le viste la cara a Dios
  • 2015: Sacrificios

História em quadrinhos

  • 2013: Beya (Le viste la cara a Dios)
  • 2015: Y su despojo fue una muchedumbre

Referências

  1. «Fundación FILBA». filba.org.ar. Consultado em 17 de julho de 2025 
  2. a b «Perfil de Escritora: Gabriela Cabezón Cámara» (em espanhol). Hablemos Escritoras. Consultado em 30 de outubro de 2023 
  3. «Ni una menos: la lucha contra la violencia machista». Revista Cabal (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  4. a b c Doyle, Martin (2 de abril de 2020). «International Booker Prize 2020 shortlist announced» [Anunciada a lista dos finalistas do International Booker Prize 2020] (em inglês). The Irish Times. Consultado em 30 de outubro de 2023 
  5. «Gabriela Cabezón Cámara». Finestres (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  6. «De la oscuridad a la luz, la literatura de Gabriela Cabezón». El Imparcial de Oaxaca (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  7. a b Kolesnicov, Por Patricia (2 de fevereiro de 2024). «La argentina Gabriela Cabezón Cámara gana el premio literario de Barcelona por su prosa "poética y animal"». infobae (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  8. Gigena, Daniel (2 de abril de 2020). «Gabriela Cabezón Cámara y su China Iron son finalistas en el prestigioso premio Booker». LA NACION (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  9. Flood, Alison (2 de abril de 2020). «International Booker prize shortlist led by 28-year-old's debut» [Lista de finalistas do prêmio International Booker liderada pela estreia da jovem de 28 anos] (em inglês). The Guardian. Consultado em 30 de outubro de 2023 
  10. Salomé, Por René (22 de outubro de 2023). «La monja que peleó en la Conquista de América travestida como varón: así es lo nuevo de Gabriela Cabezón Cámara». infobae (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  11. «Las niñas del naranjel, de Gabriela Cabezón Cámara». Rosario3 (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  12. Clarín, Redacción (2 de fevereiro de 2024). «Otro premio para Gabriela Cabezón Cámara, ahora en Barcelona». Clarín (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  13. a b c Kolesnicov, Patricia (2 de abril de 2020). «Una buena: la argentina Gabriela Cabezón Cámara, a las puertas de un gran premio literario internacional». Clarín (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  14. «Gabriela Cabezón Cámara». Revista Anfibia (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  15. «Cabezón Cámara, Gabriela – El Dipló». www.eldiplo.org. Consultado em 17 de julho de 2025 
  16. a b «Gabriela Cabezón Cámara – Bio» (em inglês). Charco Press. Consultado em 30 de outubro de 2023 
  17. «LITERATURE: Sheltering Desire». Center for Latin American & Caribbean Studies (em inglês). 1 de outubro de 2021. Consultado em 17 de julho de 2025 
  18. Artes, UNA-Universidad Nacional de las (16 de novembro de 2020). «Las escritoras Gabriela Cabezón Cámara y Gloria Peirano finalistas del Premio Internacional de Novela "Rómulo Gallegos"». criticadeartes.una.edu.ar (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  19. «Gabriela Cabezón Cámara – Cátedra Abierta UDP» (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  20. camec (18 de janeiro de 2025). «Escribir, escribe cualquiera. Taller de escritura». KM Amèrica (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  21. Hernán Sosa, Carlos (1 de julho de 2019). «Una luminosa vitalidad para la literatura latinoamericana contemporánea : entrevista a Gabriela Cabezón Cámara.». Visitas al Patio (2): 139–142. ISSN 2248-485X. doi:10.32997/2027-0585-vol.0-num.14-2019-2441. Consultado em 17 de julho de 2025 
  22. «Página/12 :: soy». www.pagina12.com.ar (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  23. «Gabriela Cabezón Cámara, experimentar con el sui géneris». Excélsior (em espanhol). 19 de julho de 2019. Consultado em 17 de julho de 2025 
  24. «Una novela gráfica inspirada en el secuestro impune de Marita Verón» (em inglês). Consultado em 17 de julho de 2025 
  25. «"Hoy escribo desde la alegría" - Eterna Cadencia». eternacadencia.com.ar (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  26. Torrano, María Andrea (2023). La común-unidad de monstruos en la trilogía oscura de Gabriela Cabezón Cámara. [S.l.]: Universidad Nacional de La Plata. Consultado em 17 de julho de 2025 
  27. «Distinción para una periodista de Clarín | Grupo Clarín». grupoclarin.com. Consultado em 17 de julho de 2025 
  28. «El placer de enloquecer las palabras y poder despojarlas de su valor» (em espanhol). 22 de setembro de 2019. Consultado em 17 de julho de 2025 
  29. «La China Iron de Cabezón Cámara, por The Guardian: "Una épica en miniatura emocionante y mística"». infobae (em espanhol). 20 de maio de 2020. Consultado em 17 de julho de 2025 
  30. «Cuatro investigaciones mutantes». Revista Crisis (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  31. «Las aventuras de la China Iron». Revista Otra Parte (em espanhol). 17 de maio de 2018. Consultado em 17 de julho de 2025 
  32. País, El (29 de dezembro de 2017). «20 libros latinoamericanos de 2017». Madrid. El País (em espanhol). ISSN 1134-6582. Consultado em 17 de julho de 2025 
  33. null (17 de dezembro de 2017). «Los libros de ficción de 2017: una selección iberoamericana». The New York Times (em espanhol). ISSN 0362-4331. Consultado em 17 de julho de 2025 
  34. «Gabriela Cabezón Cámara es finalista en Francia del Premio Montluc Resistencia y Libertad». infobae (em espanhol). 5 de fevereiro de 2022. Consultado em 17 de julho de 2025 
  35. «Del papel a la pantalla. Las películas y series de la literatura nacional que se vienen...». El Grito del Sur (em espanhol). 12 de fevereiro de 2021. Consultado em 17 de julho de 2025 
  36. «La China Iron pega su salto al cine». LA NACION (em espanhol). 13 de julho de 2019. Consultado em 17 de julho de 2025 
  37. «"Desertoras", adaptación teatral de "Las aventuras de la China Iron" | Agencia Paco Urondo». www.agenciapacourondo.com.ar (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  38. Página|12 (3 de fevereiro de 2024). «Gabriela Cabezón Cámara ganó el premio literario Ciutat de Barcelona | Por su libro "Las niñas del naranjel"». PAGINA12 (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  39. Factory, Troop Software. «Se entregan los Konex de Platino y Konex de Brillante a lo mejor de las Letras Argentinas. | Fundación Konex». www.fundacionkonex.org (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  40. Kolesnicov, Por Patricia (28 de outubro de 2024). «La argentina Gabriela Cabezón Cámara ganó el Premio Sor Juana por la historia de la monja que se hizo alférez: "Hoy estamos bajo asedio"». infobae (em espanhol). Consultado em 17 de julho de 2025 
  41. «"Las niñas del naranjel" de Gabriela Cabezón Cámara es la novela ganadora del Premio Fundación Medifé Filba». infobae (em espanhol). 21 de novembro de 2024. Consultado em 17 de julho de 2025 

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