Gabinete Broglie III
| Gabinete Broglie III | |
|---|---|
Terceira República Francesa | |
| 1877 | |
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| Início | 17 de maio de 1877 |
| Fim | 19 de novembro de 1877 |
| Duração | 6 meses e 2 dias |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo de coalizão |
| Presidente do Conselho de Ministros | Albert de Broglie |
| Presidente da República | Patrice de Mac-Mahon |
| Coligação | Conservadores - Orleanistas, Legitimistas e Apelo ao Povo |
O Gabinete Broglie III foi o ministério formado por Albert de Broglie em 17 de maio de 1877 e dissolvido em 19 de novembro do mesmo ano. Foi o 10º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Simon e sucedido pelo Gabinete Rochebouët.
Contexto
Chamado de volta por Patrice de Mac-Mahon, Albert de Broglie retomou sua política de “ordem moral” e realizou um novo expurgo. De acordo com as disposições previstas na Constituição Francesa de 1875, o Presidente da República decidiu também dissolver a Assembleia Nacional Francesa por decreto, convocar novas eleições legislativas e fazer campanha pessoal para os deputados conservadores, dando início à chamada "Crise de maio de 1877". O governo, então, aproveitou o tempo de prorrogação do parlamento para tomar uma série de medidas: o ministro do Interior, Oscar Bardi de Fourtou, demitiu vários prefeitos e subprefeitos, substituindo-os na maioria das vezes por antigos altos funcionários monarquistas, cuja missão era perseguir implacavelmente a imprensa e os funcionários públicos de esquerda.[1]
A dissolução da Assembleia Nacional, contudo, foi vista como um “golpe presidencial”, o que levou muitos representantes da burguesia e da imprensa liberal a prestarem apoio financeiro aos republicanos, diante do receio de novas agitações políticas.[2] Assim, a vitória deles nas novas eleições foi incontestável: 321 republicanos eleitos (os bonapartistas, organizados no grupo "Apelo ao Povo", elegeram 104 deputados, enquanto legitimistas e orleanistas juntos não chegavam a 60 representantes).[3] Nesse cenário, mesmo incapaz de formar um novo governo, o Presidente insistiu em manter Broglie no cargo, agora com minoria parlamentar. Os deputados republicanos então responderam exigindo a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar os atos considerados ilegais cometidos durante a suspensão da Assembleia. Diante dessa ameaça, o gabinete de Broglie finalmente renunciou na noite de 17 de novembro. Pouco depois, Mac-Mahon nomeou um de seus aliados mais próximos como o novo Presidente do Conselho de Ministros, o general Gaëtan de Rochebouët.[1]
Composição
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- Presidente da República: Patrice de Mac-Mahon
- Presidente do Conselho de Ministros: Albert de Broglie
- Ministro dos Estrangeiros: Louis Decazes
- Ministro da Justiça: Albert de Broglie
- Ministro do Interior: Oscar Bardi de Fourtou
- Ministro da Guerra: Jean-Auguste Berthaut
- Ministro das Finanças: Eugène Caillaux
- Ministro da Marinha e das Colônias: Albert Auguste Gicquel des Touches
- Ministro da Instrução Pública e Belas Artes: Joseph Brunet
- Ministro das Obras Públicas: Auguste Paris
- Ministro da Agricultura e do Comércio: Camille de Meaux
Realizações
- Substituição de 62 prefeitos e de quase todos os subprefeitos;
- Demissão de 1.385 funcionários públicos, além de procuradores e juízes de paz;
- Dissolução de 613 conselhos municipais;
- Fechamento de cerca de 2.000 estabelecimentos de bebidas;
- Fechamento de várias lojas maçônicas.
Bibliografia
- GRÉVY, Jérôme. Sortir de crise: les mécanismes de résolution de crises politiques (xvie – xxe siècles). Renne: Presses universitaires de Rennes, 2019.
Referência
- ↑ a b Foussier, Philippe (2 de dezembro de 2022). «Gérard Unger, Gambetta, le destin d'un républicain d'exception». Humanisme (em francês) (4): 416. ISSN 0018-7364. doi:10.3917/huma.337.0117. Consultado em 23 de março de 2025
- ↑ Garrigues, Jean (2009). Guslin, Jean-Marc, ed. «Les milieux d'affaires dans la crise du Seize-Mai 1877». Lille: Publications de l’Institut de recherches historiques du Septentrion. Histoire et littérature du Septentrion (IRHiS) (em francês): 111–125. ISBN 978-2-490296-14-9. Consultado em 23 de março de 2025
- ↑ Morabito, Marcel (2010). Histoire constitutionnelle de la France (1789 à 1958) (em francês). [S.l.]: Éditions Montchrestien. p. 432
