Fritz Kuhn

Fritz Kuhn
Kuhn em 1938
Nome completoFritz Julius Kuhn
Conhecido(a) porLíder do German American Bund
Nascimento
Morte
14 de dezembro de 1951 (55 anos)

Alma materUniversidade de Munique

Fritz Julius Kuhn (Munique, Alemanha, 15 de maio de 189614 de dezembro de 1951),[1][2][3] foi um ativista nazista alemão, que serviu como líder eleito do German American Bund (em alemão: Amerikadeutscher Bund, Amerikadeutscher Volksbund, AV), organização nazista germano-americana, criada antes da Primeira Guerra Mundial.[4][5]

Seus apoiadores afirmavam que Kuhn teria sido um dos participantes originais do fracassado Putsch da Cervejaria, em Munique, geralmente considerado como primeiro evento público associado ao nascimento do partido nazista, embora seu nome nunca tenha aparecido entre aqueles que receberam diversas honrarias e se tornaram amplamente conhecidos na Alemanha depois que Hitler subiu ao poder.[3]

Vida

Nascido em Munique, na Alemanha, em 1896, Kuhn era um dos doze filhos de Karl e Anna Kuhn,[6] membro de uma família de classe média baixa.[3] Seu irmão, Max Kuhn, foi nomeado membro do Supremo Tribunal Alemão por Hitler, evidência da boa relação que a família Kuhn mantinha com o Führer nazista.[1][2]

Os detalhes da vida de Kuhn são escassos.[3] Ele estudou química durante o ensino médio.[3] Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu em uma unidade de combate bávara, onde desenvolveu grande habilidade como metralhador, apoiando seus companheiros nas trincheiras na França.15 Kuhn serviu por quatro anos, chegando ao posto de tenente.[1][3][6] Por sua bravura no campo de batalha, foi condecorado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe, a mais alta honra militar alemã, raramente concedida a soldados rasos como ele, mas também coincidentemente concedida a Adolf Hitler, à época outro soldado raso que também a conquistou.[6]

Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra, sem emprego e sem futuro à vista como vários outros veteranos de guerra desiludidos, Kuhn resolveu se juntar aos Freikorps, uma força paramilitar determinada a restaurar a honra da pátria.[6] Assim como muitos outros voluntários dos Freikorps, Kuhn se filiou ao crescente Partido Nazista de Hitler, tornando-se oficialmente membro em 1921. No entanto, sua inteligência o diferenciava de seus pares, a maioria homens da classe trabalhadora com pouca escolaridade. Kuhn se matriculou na Universidade de Munique onde desenvolveu uma inclinação para furtar os casacos de seus colegas estudantes, crime que em 1921 lhe rendeu quatro meses na Prisão de Stadelheim, em Munique. Naquele presídio, Kuhn e Hitler cruzaram caminhos involuntários novamente: e16 de abril de 1922, o futuro ditador foi preso e levado para Stadelheim, depois de incitar um motim no domingo de Páscoa.[6] Em 1922, Fritz Kuhn obteve um mestrado em engenharia química na instituição de ensino superior.[6]

Em maio de 1923, graças a um desemprego em massa, foi para o México, onde tentou diversas vezes organizar empreendimentos ligados ao tema, sem no entanto obter sucesso. Ele desejava na verdade ir para os Estados Unidos, porém era necessário aguardar um período de dois anos para se qualificar para a cota de imigração do país. Assim, trabalhou no México até 18 de maio de 1927, quando finalmente entrou nos Estados Unidos por Laredo, no Texas, a caminho de Detroit, no Michigan,[2] onde trabalhou por oito anos como químico em uma das plantas da Ford Motor Company,[2][3] até se mudar para o Nova Iorque, onde foi dirigir o Bund.[2] Naturalizou-se cidadão americano em 3 de dezembro de 1934.[2][3]

Carreira política

No início da década de 1930, Kuhn tornou-se dirigente dos Amigos da Nova Alemanha (em alemão: Die Freunde des Neuen Deutschland), organização composta por cidadãos dos Estados Unidos de ascendência alemã interessados ​​em demonstrar seu apoio ao movimento nazista na Alemanha. Tal organização não obteve sucesso em seus esforços para controlar as tradicionais sociedades germano-americanas e acabou por se tornar o German American Bund[3] — e Kuhn tornou-se seu dirigente em 1 de dezembro de 1935.[2] Embora Kuhn fosse um membro proeminente do Bund, à época foi amplamente divulgado que ele era usado como testa de ferro por outros líderes da entidade, como Heinz Spanknöbel e Fritz Gissibl.[3]

Nesta época, Kuhn e sua família moravam em Jackson Heights, no Queens. As marchas militares e as saudações do partido tornaram necessário que um destacamento policial ficasse constantemente posicionado em frente ao prédio de apartamentos em que residiam, para sua proteção.[3]

Uma de suas primeiras tarefas foi a planejar uma viagem para a Alemanha com cinquenta de seus seguidores americanos. O objetivo era estar na presença de Hitler e de ver em pessoa o nazismo funcionando. Naquele momento, a Alemanha estava se preparando para sediar os Jogos Olímpicos de 1936. Kuhn previa uma recepção calorosa de Hitler, mas o encontro foi uma decepção. Isso não impediu a elaboração de Kuhn de mais propaganda para seus seguidores, desta vez Kuhn voltou aos Estados dizendo sobre como Hitler reconheceu-o como o "American Führer".

Conforme sua popularidade cresceu, fez assim a tensão contra ele. Não só judeus-americanos, mas também o alemão-americanos que não querem ser automaticamente associados com os nazistas, protestaram contra o Bund. Estes protestos foram por vezes violento, fazendo do Bund notícia de primeira página na América. Em resposta à indignação de veteranos de guerra judaicos, o Congresso aprovou lei que exige aos agentes de entidades estrangeiras para registrar com o Departamento de Estado em 1938. Essa atenção negativa para os nazistas norte-americano não era o que queria Hitler, que desejava que o Partido Nazista na América fosse forte, mas camuflado. Para que seu plano de tomar a Europa funcionasse, Hitler sabia que precisava de os Estados Unidos deveriam permanecer neutros durante a guerra. Qualquer ressentimento norte-americano para com o Partido Nazista era muito perigoso. Por outro lado, Fritz Kuhn estava apenas querendo chamar mais atenção da mídia. 20 de Fevereiro de 1939, Kuhn realiza o maior e mais divulgado comício na história do Bund, no Madison Square Garden. Vinte mil pessoas assistiram a um desfile e um discurso nazista por Fritz Kuhn. Durante seu discurso, um manifestante invadiu o palco foi espancado e teve suas calças tiradas isso tudo em frente á uma fileira de crianças sendo registrado á alegria de uma delas com a violência perpretada não fosse á policia teria sido espancado até á morte . Em 1939, visando paralisar o Bund, o prefeito de Nova York Fiorello La Guardia fez a cidade investigar os impostos do Bund. E considerou que Kuhn havia desviado mais de 14.000 dólares a partir do Bund, gastando parte desse dinheiro com uma amante. O Promotor público Thomas E. Dewey emitiu uma acusação e ganhou uma condenação contra Kuhn. Apesar de sua condenação penal por peculato, os seguidores do Bund continuaram a tê-lo em alta, em linha com os preceitos clássicos de Führerprinzip comum a todos os nazistas. Durante a II Guerra Mundial, Kuhn foi preso como um agente do inimigo, e mantido pelo governo federal em um campo de internamento em Crystal City, Texas. Em 1945, ele foi liberado, enviado a Ellis Island, e deportado para a Alemanha.

A cidade de Nova Iorque buscava continuamente métodos que pudesse empregar para silenciar Kuhn e seus associados. Finalmente, um júri do condado o indiciou por falsificação e apropriação indébita em conexão com o manuseio de fundos públicos, o que o levou a ser condenado e sentenciado a uma pena de prisão de três a cinco anos. Embora tenha se comportado bem na prisão, a liberdade condicional lhe foi negada por algum tempo, pois acreditava-se que sua libertação viria acompanhada de distúrbios públicos.[3]

Após a libertação de Kuhn, sua cidadania foi revogada pelo Tribunal Distrital dos Estados Unidos e ele foi deportado para a Alemanha. Após a derrota dos nazistas, foi preso pelas autoridades de ocupação dos Estados Unidos e mantido sob custódia por um tempo. Mais tarde, foi libertado e preso novamente pelas autoridades alemãs, sendo julgado como um dos principais criminosos nazistas. Foi condenado por um tribunal alemão, mas sua sentença de dez anos foi finalmente reduzida aos dois anos que ele já havia cumprido, e ele acabou libertado.[3]

Morte

Faleceu em 14 de dezembro de 1951, em Munique, na Alemanha, onde estava trabalhando como um um químico pobre e obscuro. Sua morte, sem alarde ou reconhecimento, não foi noticiada imediatamente pela imprensa.[3] A divulgação ocorreu apenas em 1 de fevereiro de 1953, feita por seu ex-advogado, Otto Gritschneder, após diversos questionamentos. Kuhn tinha 55 anos, e seu ex-advogado não soube revelar a causa exata de sua morte.[3]

Referências

  1. a b c Investigation of Un-American Propaganda Activities in the United States (em inglês). [S.l.]: U.S. Government Printing Office. 1942. pp. 62–64. Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  2. a b c d e f g Geels, James E. (agosto de 1975). «The German-American Bund: Fifth Column or Deutschum?» (PDF). North Texas State University. Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o «FRITZ KUHN DEATH IN 1951 REVEALED; Lawyer Says Former Leader of German-American Bund Succumbed in Munich». The New York Times (em inglês). 2 de fevereiro de 1953. ISSN 0362-4331. Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  4. United States Holocaust Memorial Museum, Washington, DC. «German American Bund». Holocaust Encyclopedia (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  5. Pierard, Richard V. (2021). «German American Bund | Ethnic and Cultural Studies». EBSCO Research (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2026 
  6. a b c d e f Bernstein, Arnie (2013). Swastika Nation: Fritz Kuhn and the Rise and Fall of the German-American Bund 1. US ed ed. New York, NY: St. Martin's Press. ISBN 978-1-250-03644-5