Friedrich Rühs

Friedrich Rühs
Nascimento1 de março de 1781
Greifswald
Morte1 de fevereiro de 1820 (38 anos)
Florença
CidadaniaReino da Prússia, Suécia
Alma mater
Ocupaçãohistoriador, professor universitário
Empregador(a)Universidade de Greifswald, Universidade Humboldt de Berlim

Friedrich Rühs (Greifswald, 1 de março 1781Florença, 1 de fevereiro 1820) foi um historiador alemão e professor universitário. Em 1808, tornou-se professor na Universidade de Greifswald, associado à Faculdade de Filosofia. A partir de 1810, passou a lecionar história na Universidade Humboldt de Berlim.[1] Estudou a história escandinava e germânica e emergiu como um nacionalista durante a Guerra da Libertação, com escritos xenofóbicos, contra a França e o judaísmo, que remontam ao início do antissemitismo.

Obra

Nacionalismo e antissemitismo

Por intermédio do historiador e político Barthold Georg Niebuhr, Rühs contribuiu com o Preußischen Correspondenten (Correspondente Prussiano), onde assumiu um posicionamento nacionalista em seus escritos. Depois que Greifswald deixou de compor a Pomerânia sueca, tornando-se parte do Reino da Prússia enquanto Província da Pomerânia, em 1815, Rühs criticou duramente o período histórico do domínio sueco do norte da Alemanha (Schwedenzeit) em um ensaio. No mesmo ano, ele publicou o livro Historische Entwickelung des Einflusses Frankreichs und der Franzosen auf Deutschland und die Deutschen (Desenvolvimento histórico da influência da França e dos franceses sobre a Alemanha e os alemães), retratando os gauleses como "arqui-inimigos" e "opressores eternos" dos alemães.[2]

Friedrich Rühs fez parte de um dos diferentes grupos envolvidos na controvérsia sobre a mitologia nacional germânica. Ele incorporava o nacionalismo protestante, ou seja, um grupo influenciado pela teologia protestante neokantiana e visava uma reforma imediata das instituições políticas e religiosas na Alemanha. Esse grupo incorporou a noção de uma mitologia nacional semelhante à dos gregos, mas insistiu na maleabilidade do simbolismo estético e religioso e a sua eventual subordinação à autonomia individual. Em oposição ao nacionalismo protestante estavam os liberais moderados, representados, por exemplo, pelos irmãos Grimms, que acreditavam em reformas lentas e graduais das instituições alemãs, construídas sob princípios da nacionalidade, da lei e da honra. Além disso, opunham-se aos demais grupos os conservadores, defendendo o retorno aos valores cristãos medievais como parte de uma restauração política e religiosa na Europa.Tais preceitos estavam postos nas ideias de Friedrich Schlegel e o Friedrich Heinrich von der Hagen.[3]

Friedrich Rühs foi contra a validação da Edda em prosa como fonte da cultura germânica. Para ele, os mitos eddicos seriam derivados de fontes anglo-saxônicas e não de tradições nativas. Entretanto, sua teoria perdeu força diante o contexto das discussões ocorridas por volta de 1829, quando filósofos como Friedrich Hegel, entre outros, admitiram a ligação básica desse texto com a nacionalidade germânica. Por fim, o reconhecimento da autossuficiência da religião nórdica em relação às demais crenças greco-romanas e cristãs acabou enfraquecendo as críticas feitas pelo grupo de Rühs.[3]

O contexto iluminista na Europa durante o século XVIII favoreceu a incorporação dos judeus na sociedade alemã ao considerar que todos os povos deveriam possuir o direito à cidadania. Porém, um século mais tarde, os posicionamentos em relação à questão judaica não permaneceram otimistas e se iniciou uma forte oposição ao processo de emancipação semita. Entre os nomes que se destacaram na gênese desse movimento estão Friedrich Rühs, que opunha o judaísmo aos preceitos da religião cristã e da nação alemã. Outros intelectuais que acompanhavam Rühs nessa avaliação foram Ernst Moritz Arndt, que declarava os judeus como um povo corrompido, Jakob Friedrich Fries, que salientava o estrangeirismo do judaísmo, e Hartwig Hundt-Radowsky, que considerava o povo judeu tóxico aos alemães. Para Rühs, os judeus eram diferente dos alemães e todos deveriam ser avisados dessa diferença. Essas assertivas trouxeram um clima de instabilidade e ameças aos judeus, que presenciavam o crescimento de uma Alemanha nacionalista, reforçada no Congresso de Viena, que abriu espaço ao que posteriormente foi chamado de Primeira Onda Antissemita.[4]

Em 1815, Rühs publicou o panfleto radicalmente antijudaico "Über die Ansprüche der Juden auf das deutsche Bürgerrecht" (Sobre as reivindicações dos judeus em relação à cidadania alemã). Nele, Friedrich Rühs negou aos judeus a cidadania alemã, dizendo que eles não estavam preparados para se converter ao cristianismo.[5] Assim, para o autor, o consentimento da cidadania ao povo judeu partia do princípio da conversão.[6] Pode-se dizer que Rühs deu continuidade ao argumento nacionalista e antissemita anteriormente defendido por Johann Gottlieb Fichte.[5]

Teórico da história

Em obras como Entwurf einer Propädeutik des historischen Studiums (1811), Rühs toca em questões importantes de metodologia e teoria da história. Esta, entre outras obras, serviu de introdução à pesquisa histórica como crítica das fontes e às ciências auxiliares ao construírem um panorama sistemático dos campos do conhecimento histórico.[7] Rühs situou-se, portanto, na tradição de Johann Gottfried Herder ao reconhecer e valorizar as singularidades de cada época e se voltou contra a filosofia da história do Iluminismo, que em sua visão, oferecia um julgamento do passado apenas pelos padrões de valores de seu próprio tempo. Em contraste, Rühs enfatizou, por exemplo, a importância da crítica dirigida metodicamente às fontes e exigiu que a história, como disciplina científica, tivesse que historicizar o passado que examinou.[8]

Livros

  • Geschichte Schwedens (História da Suécia). 5 volumes. Hall 1803-1814. (Tradução sueca publicada 1823-1825)
  • Finnland und seine Bewohner (Finlândia e seus habitantes). Greifswald 1809.
  • Entwurf einer Propädeutik des historischen Studiums (Esboço de uma propedêutica do estudo histórico). 1811. (Reedição como Volume 7 da série Knowledge and Criticism, editado e introduzido por Dirk Fleischer e Hans Schleier, Waltrop, 1997.)
  • Über den Ursprung der Isländischen Poesi (Sobre a origem da poesia islandesa). Berlim 1813.
  • Historische Entwickelung des Einflusses Frankreichs und der Franzosen auf Deutschland und die Deutschen (Desenvolvimento histórico da influência da França e dos franceses sobre a Alemanha e os alemães). Berlim, 1815.
  • Über die Ansprüche der Juden auf das deutsche Bürgerrecht (Sobre as reivindicações dos judeus sobre os direitos civis alemães). Berlim, 1815.
  • Das Verhältnis Holsteins und Schleswigs zu Deutschland und Dänemark (A relação de Holstein e Schleswig para a Alemanha e a Dinamarca). Berlim 1817.
  • Handbuch der Geschichte des Mittelalters (Manual da história da Idade Média). Nova edição melhorada: Arnold, Stuttgart 1840.

Referências

Bibliografia

  • Bauman, Zygmunt (2011). Vida em fragmentos: sobre ética pós-moderna. Traduzido por Werneck, Alexandre. Rio de Janeiro: Zahar. ISBN 978-85-378-0515-2 
  • Duchhardt, Heinz (2000). «Fachhistorie und politische Historie: der Mediävist, Landeshistoriker, Kulturhistoriker und Publizist Friedrich Rühs.». In: Heinig, Paul-Joachim; Jahns, Sigrid; Schmidt, Hans-Joachim; Schwinges, Rainer Christoph; Wefers, Sabine. Reich, Regionen und Europa in Mittelalter und Neuzeit. Berlim: Duncker & Humblot. ISBN 9783428100286 
  • Rohrschneider, Michael (2006). «Der Historiker Christian Friedrich Rühs und die Franzosen. Eine Studie zum deutschen Frankreichbild im frühen 19. Jahrhundert.». Francia. Forschungen zur westeuropäischen Geschichte. 33 (2): 129-146 
  • Scholz, Michael F. (2001). «Der Historiker Christian Friedrich Rühs und die Ambivalenz der frühen deutschen Nationalbewegung.». Deutsch-Finnische Gesellschaft. Pró-Finlândia 2001. pp. 125–139 
  • Steinberg, Jonathan (2013). Bismark: uma vida. São Paulo: Amarilys. ISBN 8520439950 
  • Williamson, George S. (2004). The longing for myth in Germany: religion and acsthetic culture from Romanticism to Nietzsche. Chicago and London: The University of Chicago Press. ISBN 0-226-89945-4