Freire (sobrenome)
Freire (variante na grafia arcaica: Freyre) é um apelido de família originário da Galiza que faz parte da onomástica da língua portuguesa desde o século XIV.
De acordo com Castro Álvarez e López Sangil, em seu artigo La Genealogía de los Andrade, na página 194[1], a Família Freire, juntamente com a Andrade tiveram origem nas localidades de Pontedeume, Vilalba e Ferrol, todas na Galiza, a quem o rei D. Henrique II fez mercê a seu privado Fernão Peres de Andrade, descendente de Bermudo Peres de Traba Freire de Andrade, que provinha dos antigos condes de Traba e Trastâmara.
Os Freires – ou Freyres– usaram também tradicionalmente o apelido Andrade, e os dois apelidos passaram a considerar-se indissociáveis, usando uns Andrade Freire, outros Freire de Andrade. Subsistiram também isoladamente[2].
História
Informações históricas mostram que a família Freire se originou após a ida de franceses ligados à ordem dos Templários (frères), no Século XI, para o Condado Portucalense, região onde hoje se situa o norte de Portugal. Lá se estabeleceram e prestaram auxílio ao Rei Dom Afonso VI nas lutas de desocupação das regiões da Galiza, e do Condado Portucalense, regiões que estavam sob domínio dos mouros desde o Século VIII. Séculos depois, membros da família se vincularam à Ordem de Cristo, organização criada em 1319 e que sucedeu os Templários na região e, dentre outras ações, financiou missões da expansão marítima portuguesa até o Brasil.
O sobrenome Freire no Brasil tem origem portuguesa e está presente no território desde o período colonial. Os registros mais antigos concentram-se entre os séculos XVI e XVII, especialmente na Bahia e no Rio de Janeiro, onde famílias com esse sobrenome se estabeleceram, formaram descendência e participaram da vida civil, militar e econômica da colônia. Na Bahia, o sobrenome figura entre os mais antigos registros coloniais, com ramos familiares ligados à administração, à atividade militar e às guerras do período colonial, incluindo conflitos em Pernambuco; destacam-se indivíduos como Manuel Velho Freire, ativo no Estado da Índia e nas campanhas militares do século XVII, e famílias de cristãos-novos, como Manuel Lopes Freire, participante do auto-de-fé de 1688. Ao longo do século XVIII, descendentes baianos receberam cartas de brasão de armas, consolidando a presença e a distinção social do sobrenome na região do Recôncavo Baiano. No Rio de Janeiro, o sobrenome também está documentado desde o final do século XVI, com registros de famílias como a de Antônio Freire (c.1600–1678), que casou-se em 1630 e deixou numerosa descendência; estudos genealógicos indicam que mais de vinte famílias Freire se estabeleceram no Rio nos séculos XVI e XVII, participando ativamente da formação social da capitania.
Em Pernambuco, o nome ganhou projeção no século XVII com Francisco de Brito Freire, governador-geral da capitania entre 1664 e 1666.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o sobrenome expandiu-se para outras regiões, como São Paulo, Sergipe e o Rio Grande do Sul, por meio de descendentes nascidos no Brasil, movimentos internos e imigração portuguesa. No século XIX, alguns ramos alcançaram distinção social e nobiliárquica, como o da família Freire em Sergipe, da qual se originou o Barão de Laranjeiras. Assim, o sobrenome Freire consolidou-se no Brasil por múltiplas linhagens, contextos sociais e períodos históricos.[3]
Em Portugal, essa família, como já falado, tem suas origens na família Freire de Andrade da Galiza. Entre os cavaleiros franceses que, vindos da França, acompanharam D. Raimundo e D. Henrique, estavam soldados que constituíram os Freire, família da antiga Galiza, que se reuniu à dos Andrade quase no princípio, ligando-se depois, por novos laços matrimoniais, tão repetidas vezes que é difícil distinguir uma da outra. Estas uniões fizeram uma só família, a dos Freire de Andrade, que povoaram tanto a Galiza, quanto o norte de Portugal na idade média.[2]
Distribuição na Espanha
De acordo com o INE (Instituto Nacional de Estatística), as províncias espanholas com a maior quantidade de pessoas com o sobrenome Freire são justamente as que estão localizadas na região da Galiza, exceto Madrid. As cinco províncias com maior número de pessoas que tem o Freire como primeiro sobrenome são[4]:
| Pos | Província | Quantidade |
|---|---|---|
| 1 | A Corunha | 4.311 |
| 2 | Pontevedra | 1.463 |
| 3 | Lugo | 868 |
| 4 | Comunidade de Madrid | 810 |
| 5 | Ourense | 455 |
Ver também
Referências
- ↑ http://catedra.pontedeume.es/07/catedra0711.pdf
- ↑ a b http://www.genealogiafreire.com.br/genealogia.htm
- ↑ http://www.genealogiafreire.com.br/origens_da_familia_freire.htm
- ↑ http://www.ine.es/apellidos/formGeneralresult.do?vista=3
- ↑ SOUSA, Manuel de. As Origens dos Apelidos das Famílias Portuguesas. SporPress, 2001.
- ↑ Felgueiras Gayo, Manuel José da Costa. Nobiliário de Famílias de Portugal. Facsímile da 1ª. Edição, Impressão diplomática do original manuscrito existente na Santa Casa de Misericórdia de Barcelos, Portugal, Agostinho de Azevedo Meirelles e Domingos de Araujo Affonso, 17 volumes. Vol. I-pg. 138 (Andrades Freires).
- ↑ Braamcamp Freire, Anselmo. Brasões da Sala de Sintra. 2ª Edição, Imprensa da Universidade, Coimbra 1930. Livro Segundo, XV-Andradas.
- ↑ «em linha Correa Arias, José Francisco. Mentalidade e realidade social na nobreza galega. Os Andrade de Pontedeume (1160 - 1540). Universidade de Santiago de Compostela, Faculdade de Xeografía e Historia.» (PDF). dspace.usc.es
- ↑ «em linha Castro Álvarez e López Sangil. La Genealogía de los Andrade. catedra.pontedeume.es.» (PDF). catedra.pontedeume.es
- ↑ «Asociación Nobiliaria Vínculo y Mayorazgo de Lemavia. Linaje Andrade (o Andrada)» (PDF). www.casarealrurikovich.com