Frederico Barata (crítico de arte)

Frederico Barata
Frederico Barata em 1929
Nome completoFrederico Raymundo Lopes Freire Barata
Nascimento
Morte
7 de maio de 1962 (61 anos)

Nacionalidadebrasileiro
CônjugeRisoleta Silveira Barata
Filho(a)(s)Rosa Maria Barata
Vera Regina Barata
Ocupação
Empregador(a)Diários Associados, O Jornal, Diário de Notícias, A Província do Pará, O Cruzeiro

Frederico Raymundo Lopes Freire Barata (Manaus, 31 de agosto de 1900 - Rio de Janeiro, 7 de maio de 1962) foi um jornalista, arqueólogo e crítico de arte brasileiro.[1][2][3] Figura de destaque no grupo Diários Associados, atuou na fundação e modernização de diversos periódicos e emissoras de rádio e televisão no país. Paralelamente, destacou-se como crítico e colecionador de arte, tendo papel relevante na gênese do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e na difusão do modernismo no Pará. Seu interesse pelas culturas amazônicas o levou ainda a reunir uma das mais expressivas coleções arqueológicas da região, hoje preservada no Museu Paraense Emílio Goeldi.

Origens e formação

Frederico Barata foi o segundo de oito filhos homens de Maria Lopes Barata e Manuel de Mello Freire Barata que chegaram à idade adulta. Integrava a influente família Barata, de raízes no estado do Pará, amplamente reconhecida por sua atuação política durante a Primeira República. Era sobrinho do senador Manuel de Melo Cardoso Barata, membro da Assembleia Constituinte de 1891, e primo do também senador e governador paraense Joaquim Magalhães Barata. Seu irmão mais velho, Hamilton Barata, destacou-se como jornalista e escritor.

Nascido em Manaus, estudou no Gymnasio Amazonense.[4] Em 1913, devido a dificuldades financeiras do pai, mudou-se com a família para Belém do Pará,[5] onde concluiu os estudos no Liceu Paraense Paes de Carvalho. Em 1918,[6] transferiu-se para o Rio de Janeiro a fim de cursar a Faculdade de Medicina, mas abandonou a formação no quinto ano para dedicar-se ao jornalismo.[7]

Carreira jornalística

Frederico Barata iniciou sua carreira jornalística no Rio Jornal, no matutino O Brasil e no Jornal do Povo, este último co-dirigido por seu irmão Hamilton Barata.[7][8][9] Posteriormente, integrou a equipe de O Jornal — segundo algumas fontes, ainda sob a propriedade de Renato Toledo Lopes[10] — onde atuou como repórter parlamentar, cobrindo os trabalhos da Câmara dos Deputados e do Senado.[7][8] Reconhecido como analista perspicaz da cena política,[11] consolidou-se na redação.

Conhecera Assis Chateaubriand em 1924, no ateliê de Eliseu Visconti, localizado na Lapa, no Rio de Janeiro,[12] e, com a aquisição de O Jornal por Chateaubriand — primeiro passo para a formação do conglomerado dos Diários Associados — ascendeu, no próprio jornal, aos cargos de secretário e, posteriormente, de diretor, tornando-se um dos principais colaboradores do empresário e mantendo com ele duradoura parceria profissional.[13] Em discurso de homenagem na Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athayde, então diretor da cadeia Diários Associados, declarou que Barata teria sido o "verdadeiro fundador" do grupo, por ter operacionalizado o projeto de Chateaubriand:

Em 1928, Barata participou da criação da revista O Cruzeiro, ao lado do escritor e jornalista Carlos Malheiro Dias, na função de diretor-secretário. No ano seguinte, incumbido por Chateaubriand de fundar um novo diário em menos de quinze dias, lançou, em parceria com Cumplido de Sant’Anna, o vespertino Diário da Noite.[9][13]

Como diretor dos Diários Associados, Barata recebeu a missão de modernizar diversos periódicos do grupo, entre eles o Diário de Pernambuco, no Recife, e o Estado de Minas, em Belo Horizonte.[7] Em 1934, assumiu a direção do Diário de Notícias, em Porto Alegre, cargo que deixou em 1937, em meio às crises políticas que culminaram no exílio do interventor Flores da Cunha e no golpe do Estado Novo.[9] Rompido por alguns anos com Assis Chateaubriand, em razão de divergências quanto aos métodos de financiamento do grupo, foi reintegrado em 1947.[10] Nesse mesmo ano, retornou a Belém para comandar a expansão dos Diários Associados no Norte do país, exercendo a superintendência regional e destacando-se no relançamento do jornal A Província do Pará, na criação do vespertino A Vanguarda, e na direção do Jornal do Commercio, em Manaus.[9] Teve papel central na implantação das rádios Baré (Manaus) e Marajoara (Belém) e, em 1961, participou da fundação da TV Marajoara, primeira emissora de televisão da capital do Pará, também integrante da rede dos Diários Associados.[7][15]

Crítico de arte

Pintura a óleo de Frederico Barata, retratado de frente e de perfil por seu amigo Eliseu Visconti, 1941

Além da carreira jornalística, Barata voltou-se às artes, atuando como colecionador de pintura brasileira moderna e crítico de arte. Foi membro da Associação Internacional de Críticos de Arte e da Sociedade dos Americanistas, ambas sediadas em Paris.[8][11] Pioneiro no Brasil, introduziu seções diárias dedicadas às artes plásticas nos jornais que dirigia.[1] Em 1927, coordenou a ambiciosa edição comemorativa do bicentenário do café, publicada por O Jornal, considerada uma das maiores empreitadas editoriais do período e que reuniu trabalhos de artistas consagrados de diferentes regiões do país.[16][17]

O êxito da edição, ainda em 1927, despertou em Barata, Assis Chateaubriand e Eliseu Visconti a ideia de criar um museu de arte em São Paulo, projeto embrionário do que viria a ser o MASP.[18][19] Mais tarde, Chateaubriand recordaria que ele e Barata acalentavam "o pensamento de uma casa de pintura e escultura, para formar o interesse da nossa gente pelas artes plásticas", adquirindo obras que eram então depositadas no ateliê de Visconti.[20] Barata também teve papel decisivo quase duas décadas depois, em 1946, ao acompanhar Chateaubriand no encontro com Pietro Maria Bardi e participar, em diálogo com este, da formulação dos detalhes do futuro museu.[21][22] Contribuindo para o acervo inicial, Barata doou, a pedido de Bardi, os quadros Cinco moças de Guaratinguetá (1930), de Di Cavalcanti, e A dama de verde (1908), de Artur Timóteo da Costa.[23][24]

Vale ressaltar que a amizade de longa data com Visconti não apenas abriu a Barata o contato com Chateaubriand e a participação nos primeiros esboços do MASP, mas também se refletiu em sua dedicação crítica à obra do pintor. Barata escreveu a biografia de Visconti, publicada no livro Eliseu Visconti e seu tempo (1944),[25] obra que permaneceu por muito tempo como a única dedicada especificamente ao artista.[19]

Seu retorno a Belém, já adulto, é apontado como um fator de dinamização da vida cultural da cidade.[26] Segundo o pintor ítalo-brasileiro Paolo Ricci, Barata teria introduzido no Pará, ainda que com 25 anos de atraso, os ventos modernistas da Semana de 1922.[27][28] Trouxe do Rio de Janeiro um amplo acervo, instalando em sua residência na Praça Batista Campos uma variada pinacoteca, que se tornou ponto de referência cultural e incluía esculturas de Pablo Picasso e obras de Cândido Portinari e Roberto Burle Marx, entre outros.[26][29] Esteve também à frente da seção local da Sociedade Artística Internacional,[29][30] além de incentivar a produção artística regional, atuando como jurado do Salão de Artes Plásticas do Governo do Estado e organizando encontros no Café Manduca. Também promoveu a presença de artistas estrangeiros em Belém, como o japonês Tadashi Kaminagai (1953) e, dois anos depois, o italiano Armando Balloni,[26][31] além de organizar mostras como a Exposição de Pintura Francesa Contemporânea (1960).[32]

Especialista em arte e cultura da Amazônia,[4] Barata aproveitava seus constantes deslocamentos entre Belém e Manaus para realizar pesquisas arqueológicas em Santarém,[33] e reuniu uma coleção expressiva de cerâmicas marajoaras e tapajônicas, composta por mais de uma centena de peças inteiras e milhares de fragmentos[34][35] — posteriormente incorporada ao acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi.[7] Nesse contexto, integrou o Instituto de Antropologia e Etnologia e lecionou Etnologia do Brasil na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Pará,[26] além de desenvolver estudos de estética regional. Entre seus trabalhos acadêmicos está Uma análise estilística da cerâmica de Santarém (1953), publicada pelo Ministério da Educação,[36] além de ensaios de crítica de arte em periódicos.[1][2]

Posteridade

Após meses de internação na Clínica São João de Deus, no Rio de Janeiro, Frederico Barata faleceu às 15h10 de 7 de maio de 1962, sendo sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier.[8] Deixou a viúva, Risoleta Silveira Barata, duas filhas — Rosa Maria e Vera Regina — e uma neta. A missa de sétimo dia, celebrada na Igreja da Candelária, reuniu destacadas personalidades da política e da cultura nacionais, entre elas Aurélio do Carmo, então governador do Pará, Francisco Mangabeira, presidente da Petrobras, o deputado José Sarney, além de dirigentes dos Diários Associados, como João Calmon, Austregésilo de Athayde e Gilberto Chateaubriand.[37]

No mesmo período, recebeu homenagens da Academia Brasileira de Letras.[38] Em 31 de agosto de 1962, o jornal A Província do Pará dedicou-lhe um suplemento especial, estampando na capa um retrato de Barata pintado por Tadashi Kaminagai e reunindo depoimentos de amigos e colegas,[14] entre os quais Assis Chateaubriand.[12] Barata foi ainda representado por artistas de seu convívio, como no retrato de Leônidas Monte e na escultura de João Pinto.[39] Entre outras distinções, tornou-se patrono da cadeira nº 18 do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

Após sua morte, parte significativa de seu acervo artístico foi dispersa em leilões e adquirida por colecionadores de fora de Belém, fato considerado por alguns autores como o encerramento de um ciclo particularmente rico da vida cultural paraense.[30]

Referências

  1. a b c Quirino Campofiorito (13 de maio de 1962). «Frederico Barata: Jornalista, arqueólogo e crítico de arte serviu à cultura brasileira». O Jornal. Rio de Janeiro. p. 40. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  2. a b Roberto Pontual (1969). Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. pp. 50–51 
  3. José Roberto Teixeira Leite (1988). Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre. p. 55 
  4. a b Geraldo Pinheiro (3 de junho de 1962). «Frederico Barata, o amazonólogo». O Jornal. Rio de Janeiro. p. 9. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  5. «Navegação [...] The Amazon River Steam». Belém. Estado do Pará: 2. 12 de março de 1913. Consultado em 14 de julho de 2025 
  6. «O porto de Belém». Estado do Pará. Belém. 22 de novembro de 1918. p. 2. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  7. a b c d e f Vera Lúcia Calandrini Guapindaia (1993). Fontes históricas e arqueológicas sobre os Tapajó de Santarém: a coleção "Frederico Barata" do Museu Paraense Emílio Goeldi (Dissertação de Mestrado em História). Recife: Universidade Federal de Pernambuco. pp. 45–46. Consultado em 17 de março de 2025 
  8. a b c d «Morte de Frederico Barata, grande perda para O Jornal». O Jornal. Rio de Janeiro. 8 de maio de 1962. pp. 3; 8. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  9. a b c d Mário Barata (março–abril de 2000). «Centenário de um jornalista». Jornal da ABI (32). Consultado em 11 de maio de 2019 
  10. a b Mário Barata (2007). «Relação curta, mas curiosa, com O Jornal» (PDF). Rio de Janeiro. Cadernos da Comunicação, Série Memória. 18, O Jornal: Órgão líder dos Diários Associados: 60-61 
  11. a b Carlos Rocque (1967). Grande Enciclopédia da Amazônia. 1. Belém: AMEL, Amazônia Editora Ltda. p. 242 
  12. a b Assis Chateaubriand (31 de agosto de 1962). «O outro Barata». A Província do Pará, Suplemento Especial. Belém. p. 8 
  13. a b Glauco Carneiro (1999). Brasil, Primeiro: História dos Diários Associados. São Paulo: Fundação Assis Chateaubriand. pp. 105–106; 126; 136 
  14. a b «Suplemento Especial em memória de Frederico Barata». A Província do Pará. Belém. 31 de agosto de 1962 
  15. Regina Alves (2002). «À procura da imagem perdida». In: João Carlos Pereira. Memória da televisão paraense e os 25 anos da TV Liberal. Belém: SECULT; Organizações Rômulo Maiorana. pp. 13–19 
  16. Patricia Bueno Godoy (dezembro de 2021). «Edição comemorativa do bicentenário do café (1927): as vinhetas neomarajoaras para a publicação especial em O Jornal». Encontro de História da Arte (15): 262–274. doi:10.20396/eha.15.2021.4687. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  17. «Edição Comemorativa do Bicentenário do Café (número especial)». O Jornal. Rio de Janeiro. 15 de outubro de 1927. 192 páginas. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  18. Assis Chateaubriand (1963). «A Galeria de Carne, Osso e Sangue». Catálogo das Pinturas, Esculturas e Tapeçarias. São Paulo: MASP, Habitat Editora Ltda. p. 5 
  19. a b «Retrato de Frederico Barata (P230)». Projeto Eliseu Visconti. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  20. Quirino Campofiorito (9 de abril de 1969). «Museu de Arte "Assis Chateaubriand"». O Jornal. Rio de Janeiro. p. 3. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  21. Pietro Maria Bardi (1982). Sodalício com Assis Chateaubriand. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo. p. 47 
  22. Adriano Tomitão Canas (2010). MASP: Museu laboratório. Projeto de museu para a cidade: 1947-1957 (Tese de Doutorado em Arquitetura). São Paulo: Universidade de São Paulo. pp. 36; 161. doi:10.11606/T.16.2010.tde-17062010-092757 
  23. Pietro Maria Bardi (1986). Roda Viva: Pietro Maria Bardi. TV Cultura. Em cena em 26:05–26:45. Consultado em 19 de agosto de 2025 
  24. MASP: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (PDF). Col: Coleção museus brasileiros. São Paulo: Instituto Cultural J. Safra. 2017. p. 20. ISBN 978-85-67492-03-2. Consultado em 20 de agosto de 2025 
  25. Ana Heloisa Molina (2019). «A biografia de Eliseu Visconti pela escrita de Frederico Barata». Revista Diálogos Mediterrânicos. Consultado em 11 de maio de 2019 
  26. a b c d Maria Angélica Almeida de Meira (2008). A arte do fazer: o artista Ruy Meira e as artes plásticas no Pará dos anos 1940 a 1980 (PDF) (Dissertação de Mestrado Profissionalizante em Bens Culturais e Projetos Sociais). Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas (CPDOC). pp. 90–99. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  27. Paolo Ricci (1984). As artes plásticas no Pará (Relatório de pesquisa não publicado). Consta do acervo da Biblioteca da Funarte. Belém: Fundação Nacional de Arte (Funarte). p. 274 
  28. Marisa Mokarzel (2000). Panorama da pintura no Pará: exposição de acervo. Catálogo de exposição realizada de 14 a 30 de junho de 2000. Belém: SECULT/SIM. p. 7 
  29. a b Gil Vieira Costa (2019). Arte, Belém, do abstracionismo à visualidade Amazônica (1957-1985): transições movediças e tensões globais (Tese de Doutorado em História). Belém: Universidade Federal do Pará. p. 121-122. Consultado em 20 de agosto de 2025 
  30. a b Edison da Silva Farias (2008). «Academia de Belas Artes na Amazônia». In: Ana Maria Tavares Cavalcanti; Camila Dazzi; Arthur Valle. Oitocentos: Arte Brasileira do Império à Primeira República. Rio de Janeiro: EBA-UFRJ/DezenoveVinte. pp. 100–106. ISBN 978-85-87145-25-3 
  31. Maria Angélica Almeida de Meira (2018). A paisagem como espólio: Arthur Frazão e o Grupo do Utinga (1940-1960) (PDF) (Tese de Doutorado em História Social). Belém: Universidade Federal do Pará. p. 177. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  32. Acácio de Jesus Souza Sobral (2002). Momentos iniciais do abstracionismo no Pará. Belém: Instituto de Artes do Pará. p. 67 
  33. Frederico Barata (1952). «Arqueologia». In: Rodrigo Melo Franco de Andrade (org.). As Artes Plásticas no Brasil. 1. Rio de Janeiro: Grupo Sul América. pp. 13–60 
  34. Betty J. Meggers; Clifford Evans (1957). Archeological investigations at the mouth of the Amazon. Col: Bureau of American Ethnology Bulletin. 167. Washington, D.C.: Smithsonian Institution. pp. xxvi; 5; 121; 159. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  35. «Barata teve a flama do espírito de um Champollion indígena». Jornal do Commercio. Manaus. 11 de maio de 1962. p. 1. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  36. Frederico Barata (1953). Uma análise estilística da cerâmica de Santarém. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, Serviço de Documentação. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  37. «Celebrada na Candelária missa de 7º dia em sufrágio de Frederico Barata». O Jornal. 12 de maio de 1962. p. 3. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  38. «Academia de Letras presta homenagens a Frederico Barata». O Jornal. 11 de maio de 1962. p. 5. Consultado em 18 de agosto de 2025 
  39. João Pinto (dezembro de 1977). «Cabeça de Frederico Barata». Revista Espaço (escultura). 1 (3): 26