Francisco dos Santos
| Francisco dos Santos | |
|---|---|
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| Nascimento | Paiões, Rio de Mouro, Sintra |
| Morte | 27 de abril de 1930 (51 anos) |
| Nacionalidade | |
| Prémios | Prémio Anunciação 1900 |
| Área | Escultura; Pintura |
Francisco dos Santos (Paiões, Rio de Mouro, Sintra, 22 de Outubro de 1878 — Benfica, Lisboa, 27 de abril de 1930) foi um escultor e pintor português.[1]
Biografia
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Nasceu em Paiões, freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra. Era filho de um sapateiro pobre, José Nicolau dos Santos, e de Adelaide Sofia Duarte, ambos naturais de Sintra (ele da freguesia de São João das Lampas e ela da freguesia de Rio de Mouro).[2] Ficou órfão de pai aos dois anos de idade. Por iniciativa do pároco da freguesia, entrou para a Real Casa Pia de Lisboa em 1887, revelando especiais aptidões para o desenho e para a escultura. Matriculou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1893, onde foi aluno de José Simões de Almeida (tio), vindo a terminar o curso com distinção cinco anos mais tarde. Neste período foi jogador de futebol da Real Casa Pia.[3][4]
Em 1903 partiu para Paris, como pensionista, para frequentar a Escola de Belas Artes. A bolsa de estudo era magra e na capital francesa passou por dificuldades financeiras. Frequentou o atelier de Raoul Verlet. Quando passava por Portugal nunca deixava de jogar futebol, oficialmente pelo Sport Lisboa, que antigos colegas da Casa Pia ajudaram a fundar, em Belém.[3]
Em 1906, graças a um subsídio concedido pelo Visconde de Valmor pode partir para Roma, para prosseguir os seus estudos e aprimorar a sua arte escultórica. Foi aí que executou a estátua Crepúsculo (1906), atualmente no Museu do Chiado, em Lisboa.[3][4]
A 5 de agosto de 1909, casou na igreja de San Bernardo alle Terme, em Roma, com a francesa Nadine Dubosc (Paris, c. 1882). Ainda lutando com dificuldades financeiras, agora pai de uma criança, lecionou francês e jogou futebol na equipe do Lazio, que chegou a capitanear e onde se destacou, tornando-se no primeiro futebolista português a jogar no estrangeiro. A sua filha, Adelaide Dubosc dos Santos, casou com o arquiteto Raul Rodrigues Lima.[3][4][2]
Regressou a Portugal em 1909; no ano seguinte, no contexto da Implantação da República Portuguesa, venceu o concurso promovido pela Câmara Municipal de Lisboa para a eleição do busto feminino oficial da República portuguesa. No plano desportivo, prosseguiu a sua carreira tendo ainda jogado no Sporting Clube de Portugal. Foi um dos fundadores da Associação de Futebol de Lisboa e foi, também, árbitro de futebol.[3]
A sua obra adota, "numa situação tardo-naturalista, intenções simbolistas" que seriam desenvolvidas de outro modo por escultores do primeiro modernismo nacional.[5] Esculpiu Salomé, 1913, Beijo, 1915, Nina (obras pertencentes ao Museu do Chiado), e Prometeu, atualmente no Jardim Constantino, Lisboa. Foi ainda autor da escultura mortuária Poeta para o túmulo de Gomes Leal, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, e o principal escultor do Monumento ao Marquês de Pombal, na praça do mesmo nome em Lisboa, depois de vencer o concurso aberto em 1915 para seleção do melhor projeto (em colaboração com os arquitetos Arnaldo Adães Bermudes e António do Couto).[1][3][6]
Na pintura, assinale-se a sensualidade dos seus nus femininos.
Francisco dos Santos faleceu, inesperadamente, em sua casa, na Estrada de Benfica, n.º 485, 1.º andar, freguesia de Benfica, em Lisboa, às 4 da madrugada de 27 de Abril de 1930, vitimado por uma congestão cerebral. Foi sepultado no Cemitério de Benfica.[7]
Monumento ao Marquês de Pombal
Referências
- ↑ a b A.A.V.V. – Casa Pia de Sintra / 200 Anos: Artistas Casapianos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1980
- ↑ a b «Livro de registo de batismos da paróquia de Rio de Mouro - Sintra (1875-1879)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 84 e 84v, assento 40 (de 1878)
- ↑ a b c d e f António Simões. «Do futebolista da... Lazio, o Busto da República e a Estátua do Marquês». Centenário da República 1910-2010: Jogos. Consultado em 29 de junho de 2014[ligação inativa]
- ↑ a b c «Francisco dos Santos (1878-1930)». Câmara Municipal de Lisboa – Arte Pública. Consultado em 29 de junho de 2014
- ↑ Silva, Raquel Henriques da – "Francisco dos Santos". In: A.A.V.V. – Museu do Chiado: Arte Portuguesa 1850-1950. Lisboa: Museu do Chiado, 1994.
- ↑ «Monumento ao Marquês de Pombal». REVELAR LX. Consultado em 29 de junho de 2014
- ↑ «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1929-12-31 - 1911-01-10)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 177v, assento 354


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